Petróleo & Energia

5 de outubro de 2004

Rio Oil & Gás: Indústria em expansão aparece em massa

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados: Rio: Indústria em expansão comparece em massa. ©QD

    Indústria em expansão comparece em massa.

    A 12a Rio Oil & Gas – Expo and Conference, realizada entre os dias quatro e sete de outubro, no Riocentro, no Rio de Janeiro, tornou evidente o momento de expansão da indústria de petróleo e gás no Brasil. Com previsão de investimentos anuais entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões até 2015, o setor levou à feira de negócios mais de 28 mil visitantes interessados em conhecer as novidades de 679 expositores, alojados em 26 mil m2. O ciclo de palestras sob o tema principal “Gás Natural: A Energia do Século XXI”, reuniu cerca de 2.200 congressistas e foram apresentados 547 trabalhos técnicos nas áreas de Exploração e Produção (E&P), Abastecimento, Gás e Energia e Responsabilidade SócioAmbiental.

    Química e Derivados: Rio: Calor do Rio não esfriou a intensa visitação à feira. ©QD Foto - Divulgação

    Calor do Rio não esfriou a intensa visitação à feira.

    A relevância da promoção sediada na capital brasileira do petróleo pode ser comprovada pelo aumento do interesse estrangeiro, em particular na presença de pavilhões institucionais do Reino Unido, Noruega, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Itália e Holanda.

    Depois do bom desempenho e do grande público testemunhado em 2004, as expectativas dos organizadores já se mantêm altas para 2006, quando um pavilhão adicional deverá ser ocupado, totalizando cinco.

    Química e Derivados reporta algumas das principais discussões ocorridas durante a Conferência, com destaque para petróleo, refino, gás natural e petroquímica.

    As perspectivas de refino no Brasil e as tendências mundiais de mercado foram o tema da palestra aberta pelo diretor superintendente da Suzano Petroquímica Armando Guedes Coelho, ex-presidente da Petrobrás.

    A situação ideal para o refinador é encontrar um perfil de mercado tão próximo quanto possível do perfil dos derivados de petróleo produzidos. É a situação de menor custo, pois a composição dos refinados seria idêntica à demanda.

    Mas trata-se de uma situação ideal, pois o perfil do petróleo é quase sempre diferente do perfil de consumo, e o processo de adequação requer investimento grande. No Brasil, há algumas distorções, como no caso do diesel, cuja demanda supera a oferta. Essa distorção tem sido corrigida ao longo do tempo, mas ainda há necessidade de importação do derivado.

    Química e Derivados: Rio: Regazzi esq. e Musso - resultado superou expectivas. ©QD

    Regazzi esq. e Musso – resultado superou expectivas.

    Outro caso que chama a atenção é o da nafta, com demanda bem acima da oferta, complementada pela importação. Já a oferta de óleo combustível é bem maior que a demanda, e isso tem se agravado. Há 20 anos, a demanda era de 25% a 30% da oferta e à medida que surgiram outras fontes de energia – gás, por exemplo – cresceram os problemas dos refinadores, pela necessidade da exportação de um produto de comercialização nem sempre fácil. “A tendência da situação nacional é de se complicar, pois são produzidos óleos cada vez mais pesados frente a uma demanda que está substituindo óleo combustível por gás”, previu Coelho.

    No mundo, nos últimos 40 anos, o perfil de consumo tem variado segundo uma clara tendência de aumento relativo da demanda de frações médias e de gasolina, que se valorizam, e de diminuição do consumo das frações mais pesadas. Isso também ocorre no Brasil: percebese uma expansão do consumo de diesel frente a outros produtos, devido ao modelo de transporte adotado pelo País, o rodoviário, diferentemente do que se faz em outros países. No Brasil, 60% da carga movimentada segue por rodovias, quando em outros países esse patamar não passa de 30% a 40%.

    A gasolina também apresentou uma expansão inicial em seu consumo, seguida de queda devido à ampliação do uso de álcool, mas novamente segue crescendo; a nafta, devido ao desenvolvimento da indústria petroquímica, também tem demanda aumentada.

    Química e Derivados: Rio: Coelho prevê risco de importação. ©QD

    Coelho prevê risco de importação.

    Ainda em nível mundial, mas principalmente nos EUA, por volta da década de 40, 50% da demanda era por gasolina. Foi necessário desenvolver uma tecnologia para obter o produto a partir de diversas frações, já que não existia petróleo com essa composição. A tecnologia de crack catalítico é uma conseqüência dessa situação – os óleos disponíveis não a atendiam, os custos de refino eram cada vez mais altos e a tecnologia adequou a estrutura de produção à estrutura de consumo. “É uma tecnologia que traduz uma demanda do mercado”, disse o superintendente da Suzano.

    No Brasil, no entanto, há demanda desproporcional pelo diesel, e esse perfil particular ainda não encontrou tecnologia análoga ao cracking. Há vários processos para aumentar a produção de diesel, mas nenhum deles desenvolvido especificamente para esse propósito. O mundo enfrenta problema semelhante: cresce a demanda por produtos mais leves sem tecnologia específica de produção.

    Comparando os modais de transporte no Brasil e nos Estados Unidos, 61% aqui é rodoviário, contra 26% lá; no sistema ferroviário também há diferença brutal. à medida que crescem as distâncias, o custo de transporte no sistema dutoviário oferece um ganho de escala muito maior que os outros modais, mas a malha brasileira de dutos – em que a Petrobrás só agora está investindo pesado, pois a concorrência foi aberta – ainda se concentra na costa, e praticamente não há ramificações para o interior.

    A entrada do gás boliviano no mercado brasileiro pode forjar a interligação de sistemas duto-viários com o Norte e o Nordeste brasileiros, segundo Coelho, pois os combustíveis líquidos são tradables e podem ser vendidos em qualquer mercado, ao passo que o gás exige desenvolvimento prévio do mercado. Sem uma rede de distribuição, não há como investir na produção.


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