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ATUALIDADES
OLEOQUÍMICA
Grupo Bertin e Carbono
combinam esforços
(fotos: Cuca Jorge)
A distribuidora Carbono Química e sua subsidiária Carbono Engenharia
firmaram uma aliança estratégica com a Bracol, holding formada pelos
acionistas do grupo Bertin para o desenvolvimento de negócios oleoquímicos
no Brasil. A ideia é unir o conhecimento em produção e na comercialização de
produtos químicos com o amplo acesso a matérias-primas graxas de origem
animal e vegetal.
A aliança inclui o aproveitamento das instalações da antiga Braswey, em
Pirapozinho-SP, adquiridas pela Bracol, há alguns anos, que as utiliza para
alguns processos oleoquímicos por meio de cisão, hidrogenação e destilação.
A Carbono investirá em equipamentos complementares para produzir de 30 a 40
toneladas mensais de ácidos diméricos, em quatro tipos básicos.
| “Os diméricos serão os primeiros produtos da aliança com a Bracol, mas virão
outros”, comentou Rodrigo Gabriel, diretor de desenvolvimento da Carbono.
Partindo de sebo bovino e/ou óleos vegetais, pretende-se produzir os dímeros
dos ácidos oléico e esteárico mediante um processo catalisado por complexos
metálicos sobre zeólitas. A tecnologia desenvolvida pela Carbono permite
controlar a participação relativa desses ácidos graxos, obtendo diferentes
produtos finais.
“O catalisador tem por base um produto conhecido, mas que passou por
modificações específicas”, explicou Hugo Wizenberg, responsável tecnológico
pela Carbono Engenharia. O controle do processo para a obtenção dos tipos
desejados de ácidos diméricos motivou um pedido de privilégio de patente
pela companhia. |
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| Gabriel: projeto não dependerá de uma única
matéria-prima graxa |
A escolha dos diméricos para iniciar a operação comercial oleoquímica se
justifica pelo fato de não mais haver produção local. As principais
aplicações estão na produção de adesivos, tintas e lubrificantes e exigem
importações da ordem de 250 t/mês. A Malásia é um grande produtor, usando
óleo de palma, mas direciona sua produção para a indústria de alimentos. Não
se descarta a hipótese de exportar parte da produção.
“Nós não queremos bagunçar o mercado, mas nos firmarmos como fornecedores de
produtos de alta qualidade”, afirmou Washington Yamaga, diretor de novos
negócios da Carbono. Tendo o dimérico em mãos, a empresa pretende reagi-los
com as aminas de que dispõe em seu portfólio para obter poliamidas
destinadas à cura da resina epóxi, obtendo alta transparência. As parceiras
estão formando estoque para pré-marketing do dimérico, que começará a ser
negociado a partir de janeiro de 2010 para clientes preferenciais,
interessados em produtos de qualidade superior e relacionamentos estáveis.
A estrutura desse negócio oleoquímico é aberta o suficiente para acomodar
outras ramificações. É possível fracionar os ácidos graxos, obtendo o ácido
isoesteárico. Segundo Yamaga, esse produto é considerado um secante “verde”
que substitui com vantagens os materiais de origem petroquímica na produção
de esmaltes sintéticos. Do ácido pode ser fabricado o álcool isoestearílico,
um forte concorrente do álcool cetoestearílico. “Podemos também fazer
trímeros com outros ácidos graxos”, comentou Gabriel.
Para a Carbono, a negociação com a Bracol, além de representar a garantia de
suprimento para oleoquímicos, representa um passo largo na estratégia de
diversificação de atividades com agregação de valor empreendida pela
distribuidora química. A meta atual é atingir o faturamento anual de R$ 185
milhões. Formalmente, a associação é um projeto específico de partilha de
custos e lucros entre os dois grupos.
Agregação de valor – A associação entre a Bracol e a Carbono representa uma
nova visão sobre produtos e caminhos tecnológicos existentes, como avaliou o
diretor de novos negócios da Bracol, Luís Eduardo Ravaglia. “Conseguimos
juntar todos os elementos da cadeia de valor para criar uma visão sistêmica
e de longo prazo”, afirmou.
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A Bracol tem acesso a uma grande quantidade de sebo bovino pela sua ligação
direta com o frigorífico Bertin, um dos maiores exportadores de carne do
país. Atualmente, o Bertin está em processo de fusão com o JBS, o maior
player no ramo de carne bovina do mundo, também dono do grupo internacional
Swift. Somadas as unidades de abate dos dois gigantes, a oferta local de
sebo pode chegar a 1.600 toneladas/dia. |
| Ravaglia: árvore de produtos pode crescer para
acompanhar a demanda |
“Atualmente, o Bertin compra sebo no mercado para suprir suas atividades
produtivas a jusante”, explicou Ravaglia, referindo-se à saboaria e à
produção de biodiesel. Se houver a fusão, haverá disponibilidade de sebo
dentro do grupo para suprir novos projetos químicos.
A intenção dos parceiros, porém, prevê o uso de combinado de óleos vegetais
para a produção oleoquímica, incluindo o de soja, amendoim, girassol e
algodão. “A Bracol tem acesso a óleos de vários tipos para a produção de
biodiesel e pode usá-los para produzir produtos de maior valor agregado”,
afirmou Ravaglia. “Pretendemos usar um feedstock universal, sem depender de
uma única matéria-prima”, concordou Gabriel.
A glicerina obtida na usina de biodiesel e nos processos químicos existentes
na Bracol já é absorvida por outros negócios e, em princípio, não integrará
os projetos da associação. “Caso em algum momento essa glicerina possa ser
usada na obtenção de itens mais nobres, poderemos pensar”, disse Ravaglia.
Ele se entusiasma com o leque de possibilidades que a oleoquímica
proporciona. “Dependendo das necessidades de mercado, podemos estender mais
a árvore de produtos”, salientou.
Os ácidos diméricos obtidos pelo processo da Carbono apresentam coloração
muito clara, diferenciando-se dos tipos mais comuns de mercado. “Eles
costumam usar a borra de soja para matéria-prima, um caminho mais complexo,
que gera mais resíduos e resulta em um produto mais escuro e de cheiro
forte”, comentou Wizenberg.
M. Fairbanks
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