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EMPRESAS
Rhodia comemora 90 anos no Brasil
(fotos: divulgação)
A Rhodia completa no dia 19 de dezembro 90 anos de atuação efetiva no Brasil
e, para comemorar, assegura que será mantido o ritmo anual de investimentos
da ordem de US$ 50 milhões por ano durante o próximo quadriênio. A companhia
investiu no país US$ 250 milhões durante os cinco últimos anos.
| É o que afirmou o presidente (CEO) da Rhodia no mundo, Jean-Pierre Clamadieu,
em visita à filial brasileira. “O Brasil foi o primeiro país fora da França
a receber operações industriais da Rhône-Poulenc, enquanto estamos na China
há apenas 25 anos”, comentou. A operação brasileira representa 15% do
faturamento mundial da Rhodia, de aproximadamente 4,8 bilhões de euros.
Valor próximo ao do obtido pela companhia nos Estados Unidos. Clamadieu revelou que o faturamento das operações francesas gera apenas 7%
do total mundial. Porém toda a administração do grupo e grande parte de sua
pesquisa e desenvolvimento de produtos está situada no país de origem. Desde
1998, os negócios químicos e de fibras da antiga Rhône-Poulenc foram
agrupados sob a denominação Rhodia, que já era adotada no Brasil. |
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| Clamadieu: estratégia de operações integradas trouxe
os lucros de volta |
Durante os
anos seguintes, a empresa, ao lado de outros nomes conhecidos do mercado,
como Rohm and Haas e Degussa, enfrentou o descrédito dos investidores
mundiais, mais atraídos pelos gordos lucros das empresas atuantes nas
chamadas ciências da vida (farmacêutica, biotecnologia, agroquímicos e
veterinários).
“Algumas das empresas de especialidades químicas sucumbiram, mas a Rhodia
conseguiu superar as dificuldades e oferece resultados consistentes aos seus
acionistas”, avaliou Clamadieu. Ele atribuiu esse sucesso à estratégia de
concentrar seus esforços nas cadeias dos produtos em que possui uma posição
integrada e de liderança tecnológica. Isso exigiu abrir mão de negócios
promissores, como o dos fosfatos. Porém, o domínio verticalizado das cadeias
permitiu aumentar a eficiência operacional e ampliar a competitividade
mundial. “O ponto-chave está na capacidade de defender as margens de lucro
dos produtos”, comentou.
O CEO da Rhodia trabalhou na filial brasileira entre 1996 e 1999, tendo
dirigido a área ligada à indústria têxtil, mas também absorveu profundo
conhecimento sobre todas as operações locais, espalhadas pelos sítios de
Santo André (têxteis e especialidades químicas), São Bernardo do Campo
(plásticos de engenharia) e Paulínia (fenol, acetona, poliamida, sílica e
derivados etílicos), todos no Estado de São Paulo. “O Brasil sempre foi um
laboratório das novas práticas de gestão da companhia e também uma
referência em qualidade e profissionalismo para o grupo”, elogiou.
| Dentro do panorama mundial, Clamadieu situa o Brasil ao lado dos países
asiáticos como os de melhor desempenho pós-crise de 2008, capacitando-os
para receber novos investimentos. Europa e Estados Unidos mostram
recuperação mais lenta. No caso brasileiro, a Rhodia está muito atenta às
possibilidades de uso industrial do etanol, insumo no qual o país é
altamente eficiente, tendo a vantagem de ser um material de origem
renovável, característica apreciada em vários mercados. A Rhodia é a maior
consumidora industrial de etanol do Brasil, absorvendo entre 120 milhões e
140 milhões de litros por ano. |
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| Fábrica de acetato de celulose em Santo André em 1929 |
Clamadieu admite que, por estar capitalizada, a companhia pode adquirir
outros negócios no mercado, com preços convidativos. Fez isso recentemente
nos Estados Unidos. “Procuramos negócios que sejam complementares para
nossas atividades, talvez indo um passo além na cadeia de agregação de
valor, como no caso dos componentes de monitores de LCD”, comentou. A
aquisição de usinas de etanol não está nos planos.
Investimentos previstos – O presidente da Rhodia América Latina, Marcos De Marchi,
informou que a operação brasileira voltou a registrar lucros no terceiro
trimestre deste ano, após nove meses de perdas. “No auge da crise, alguns
produtos sofreram redução de vendas de 27%”, disse.
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A situação atual é animadora, porque a
demanda global mostra recuperação, devolvendo as margens de lucro. A indústria automobilística mostra bons resultados nos mercados emergentes.
“Essa indústria crescerá 30% neste ano na China, que se tornará o maior
mercado mundial de veículos”, afirmou De Marchi. No Brasil, o setor terá um
crescimento modesto, porém animador, pois a base de comparação é 2008, o
melhor ano da história dessa indústria no país. Esses dados se refletem no
balanço da Rhodia, pois representam 10% do faturamento das suas vendas
diretas. As vendas indiretas, feitas para fabricantes de produtos
relacionados aos veículos, somam outros 10%. Esse setor absorve grande parte
dos solventes oxigenados e das poliamidas produzidas pela companhia. |
| De Marchi: previsão de investir US$ 50 milhões por
ano até 2014 |
Os investimentos anunciados de US$ 50 milhões por ano devem ser repartidos
por vários projetos, muitos ligados ao desengargalamento das fábricas. De
Marchi salienta a necessidade de ampliar a produção de compostos de
poliamida com alta carga, cujo mercado solicita um acréscimo de oferta de
20%. “Nosso desafio é ser uma plataforma de exportação de produtos, o que
exige ser muito eficiente e competitivo, apesar da taxa cambial
desfavorável”, afirmou.
Nos últimos anos, a companhia investiu também na adaptação de suas fábricas
aos conceitos mais modernos de sustentabilidade, reduzindo a emissão e o
descarte de poluentes e obtendo economia de energia e de água. Em Paulínia,
implantou em 2007 um sistema de oxidação de gases do efeito estufa gerados
na unidade de fenol. Essa unidade colocou a Rhodia no mercado de créditos de
carbono.
| Inovações recentes resultaram em produtos, entre os quais o Augeo SL 191,
solvente derivado da glicerina de biodiesel, e o Emana, fio de poliamida
aditivado com nanocerâmicas, capaz de formar roupas que combatem a celulite.
A lista inclui solventes especiais para defensivos agrícolas, tecidos com
efeito bacteriostático permanente, sílicas especiais e sistemas de
poliuretano de baixa densidade. Esse esforço criador acompanha a meta
estratégica da companhia de sempre obter 20% do faturamento com produtos
lançados há menos de cinco anos. |
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| Paulinia produz mais de um milhão de t/ano de
químicos |
De Marchi também ressaltou a evolução dos negócios da companhia no Brasil
desde a sua fundação. Os primeiros produtos foram o cloreto de etila, éter e
ácido acético, tendo por carro-chefe de vendas o lança-perfume. Na década de
20 começou a fabricar insumos têxteis, atividade até hoje mantida, embora a
companhia tenha se desfeito desse negócio em outras regiões do planeta, por
falta de competitividade. Vinte anos depois, investiu na compra da Fazenda
São Francisco, local onde está o sítio de Paulínia-SP, para produzir o
etanol de que precisava para suprir seus processos. Em 1955, iniciou a
fabricação de poliamida e, em 1958, a de solventes derivados de etanol.
Atualmente, a Rhodia emprega 2.800 pessoas no Brasil, país em que produz
mais de um milhão de toneladas de produtos químicos por ano, gerando vendas
de US$ 1,23 bilhão (em 2008).
M. Fairbanks
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