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INOVAÇÃO
Glicerina dá origem a solvente
A Rhodia do Brasil
criou, desenvolveu e iniciou a produção de um solvente oxigenado que tem
por base a glicerina residual da fabricação de biodiesel, obtendo um
produto de alto desempenho e benéfico ao meio ambiente. Trata-se de um
cetal cíclico, o SL 191 da linha Augeo, que dá início a uma nova família
de produtos da Rhodia, com potencial até mesmo para exportação do solvente
e da sua tecnologia.
Recém-nomeado vice-presidente da divisão de intermediários e solventes
para a América Latina da Rhodia, Vincent Kamel explicou que a companhia no
Brasil opera duas matrizes de produtos. A primeira tem sua base na
produção de fenol e acetona, dando origem às poliamidas e a vários
solventes sintéticos. A segunda matriz parte do etanol, produto de origem
natural e abundante no país, para oferecer solventes como o acetato de
etila e a diacetona álcool, nos quais a companhia possui posição de
destaque. “O uso da glicerina de biodiesel abre caminho para uma terceira
matriz, com grandes e novas possibilidades de negócios”, comentou.
Fruto de um processo de desenvolvimento de três anos, o primeiro item da
linha Augeo terá como destino o setor de tintas, de início para couros e
para madeira. “O mercado que pretendemos disputar é o dos éteres
glicólicos, como o acetato de etilglicol e o butilglicol, produtos que
encontram restrições em países desenvolvidos”, comentou Alexandre
Castanho, diretor da área de negócios de solventes da Rhodia América
Latina. O produto é inodoro, atóxico e tem baixa taxa de evaporação.
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Ele explicou que o SL 191 tem maior poder de solvência
que esses concorrentes, reduzindo o volume total aplicado nas
formulações. Considerando a pior hipótese de substituição, o potencial
de vendas do SL 191 no Brasil seria de 30 mil t/ano no Brasil. “Esse é
o nosso alvo de longo prazo”, disse Castanho. No futuro, a tecnologia
criada no país poderá ser transferida para outras unidades da Rhodia
na Europa e na Ásia, onde também é grande a produção de biodiesel, com
os respectivos excedentes de glicerina.
Inicialmente, a Rhodia selecionou clientes com perfil compatível de
capacidade de inovação e sustentabilidade para as primeiras operações
comerciais. “Não se trata de um produto de prateleira, ele requer
ajustes de formulação pelo seu desempenho superior”, explicou Clóvis
Souza |
Cuca Jorge

Castanho: SL 191 disputará mercado nacional com os
éteres glicólicos |
Jr., gerente de marketing de intermediários e solventes
para a região. Existe um plano para a construção de uma unidade industrial
dedicada para a linha Augeo, ainda dependente da aprovação de alta
direção.
Origem natural – A glicerina é obtida pela cisão de triglicerídeos,
particularmente por esterificação, gerando o biodiesel como produto
principal. Como o Brasil mantém um ambicioso programa de produção de
biodiesel, com a expectativa de promover a mistura de 20% do éster no
diesel automotivo nacional (mistura B20) até 2015, há uma sobra de
glicerina, com preços baixos. Como há vários projetos para aproveitar esse
material (vide QD-487, de julho), a Rhodia já assinou contratos para
assegurar o suprimento.
A molécula do SL 191 é obtida pela reação entre a acetona e a glicerina,
na presença de um catalisador, formando um cetal cíclico, sem produzir
coprodutos, nem resíduos. “Como 75% da molécula é proveniente da
glicerina, podemos destacar sua origem natural de fonte renovável, sendo
uma evolução no campo dos solventes”, disse Souza Jr.
Esse aspecto também foi enfatizado por Castanho. “Não adianta oferecer um
produto ‘verde’ se ele consome mais energia para ser produzido”, criticou.
Daí a preferência da Rhodia pelo conceito de sustentabilidade, que engloba
todas as características e ciclo de vida dos produtos.
O presidente da Rhodia na América Latina, Marcos De Marchi, alinhou o
lançamento com as comemorações dos 90 anos de presença industrial da
companhia no Brasil, história ligada à inovação. “Há três anos, quando a
Rhodia mundial estava em uma fase de redefinição estratégica,
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foi decidido ressaltar o foco na química, apesar da
opinião pública desfavorável, colocando-a no novo logotipo da
companhia”, comentou.
Além da inovação, a sustentabilidade é um dos aspectos mais
importantes nas suas operações. “Temos o programa Rhodia Way para
mensurar o cumprimento das metas preestabelecidas e promover a atuação
conjunta da companhia com as comunidades vizinhas e, no futuro,
envolverá também os clientes”, afirmou De Marchi. |
Divulgação

De Marchi: Rhodia enfatiza a sustentabilidade |
O nome Augeo foi escolhido para ressaltar a origem natural
dos produtos que integrarão a linha. “Au é o símbolo químico do ouro, e
geo quer dizer terra, tomada em sentido amplo, de planeta”, explicou
Castanho. Ele informou que o próximo produto dessa família será destinado
para cuidados pessoais e domésticos, sem acetona, portanto.
Marcelo Fairbanks
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