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ÁGUA
Kemira amplia portfólio de aplicações no Brasil
A finlandesa
Kemira, já considerada a maior produtora de coagulantes inorgânicos do
Brasil, está expandindo sua atuação para outras especialidades em
tratamento de água. Muito forte no mercado de saneamento, o que envolve
parcerias de fornecimento e de desenvolvimento de soluções para grandes
companhias, a empresa utiliza-se de seu portfólio bastante diverso para
internar algumas tecnologias diferentes para o país.
Um desenvolvimento mais recente envolve projeto com a companhia estadual
paulista, a Sabesp, com quem por sinal a Kemira trabalha estreitamente no
fornecimento de coagulantes e polímeros em várias estações. Para atender à
demanda da companhia de controlar a emissão de odor proveniente do
tratamento de esgoto, a empresa está se preparando para introduzir um novo
sistema baseado em blendas de oxidantes e coagulantes para inibir a
formação do sulfeto de hidrogênio, H2S, o gás sulfídrico no esgoto em
tratamento, o grande responsável pelo mau cheiro de estações.
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Segundo o diretor de vendas e marketing para a América
do Sul da Kemira, Wanderley Ferreira, trata-se de sistema completo que
inclui monitoramento em tempo real dos níveis de H2S e acompanhamento
por meio de internet ou celular, pela Kemira ou pelo cliente, além é
claro da dosagem automática das blendas de acordo com a quantidade de
odor medida. Todo o pacote, incluindo produtos e equipamentos, é da
empresa finlandesa. Ainda segundo Ferreira, os produtos variam
conforme o tipo e a quantidade de contaminantes do esgoto, evitando a
formação do gás ou removendo-o, caso necessário. |
Cuca Jorge

Ferreira: além dos coagulantes, soluções para odor e filamentosas |
Antes da aplicação na Sabesp, a tecnologia, que pode ser
usada em ETEs ou elevatórias de esgoto, será primeiro utilizada até o
final de outubro na Cedae, do Rio de Janeiro, em elevatória de Copacabana,
e também na Sanepar em Curitiba-PR. Pela Sabesp, já há equipamento de
monitoramento em Santos, mas, segundo o diretor da Kemira, o plano é
esperar o início do uso no Rio e no Paraná para começar a discutir a
aplicação na Sabesp.
Outro exemplo da aplicação taylor-made também envolve a Sabesp. Nesse
caso, trata-se do controle das bactérias filamentosas, também conhecidas
como bulking sludge, que provocam entupimentos em tubulações de estações
de tratamento de esgoto na fase biológica. O serviço da Kemira, que pode
ser fornecido para qualquer companhia de saneamento, inclui a coleta do
lodo, seu envio para laboratório da Kemira na Suécia para identificar o
gênero predominante, o qual compromete o tratamento e consequentemente a
qualidade do efluente final para descarte segundo a legislação. “A Kemira,
depois dessa análise, sugere um programa de acompanhamento da aplicação de
soluções químicas para diminuir as bactérias filamentosas”, explicou
Ferreira. Os produtos aí aplicados são blendas de coagulantes de alumínio
ou ferro com polímeros específicos para cada gênero de bactéria.
Com oito fábricas na América do Sul e capacidade de produção de 450 mil
toneladas de coagulantes (sulfatos férrico e de alumínio, cloreto férrico,
policloreto de alumínio), a Kemira, com esses desenvolvimentos e a breve
abertura de um centro de pesquisa local, dá continuidade ao plano de
estender sua posição para além do simples fornecimento de produtos. “Na
verdade, desde que estamos no Brasil, já viemos com a intenção de atuar
como provedora de novas soluções para o saneamento básico”, explicou
Ferreira.
Para justificar sua declaração, o diretor lembra que, quando a Kemira
Water decidiu se estabelecer no Brasil, em 1996, já começou oferecendo uma
nova solução para a Sabesp. A primeira abordagem à principal companhia
estadual da América do Sul – cujo sucesso seria fundamental para fazer um
cartão de visita no mercado sul-americano – foi então sugerir o uso de um
novo produto em suas estações. “Oferecemos o coagulante sulfato férrico,
até então não utilizado no Brasil, onde o mercado era quase exclusivo do
sulfato de alumínio”, explicou o diretor de marketing e vendas da Kemira,
Wanderley Ferreira. Bom acrescentar que o sulfato férrico da empresa
passou a ser produzido na unidade da ex-Millennium Chemical (e ex-Tibrás),
atual Cristal, aproveitando o subproduto sulfato ferroso oriundo do
processo do dióxido de titânio.
A abordagem deu certo e o sulfato férrico se difundiu não só na Sabesp
como por todo o Brasil. Parte do sucesso, aliás, se deveu ao apoio da
pesquisa nacional, envolvida pela Kemira por meio de convite ao
departamento de hidráulica da Escola Politécnica da Universidade de São
Paulo, que passou a ser parceiro no projeto analisando o uso do sulfato
férrico em amostras de água e esgoto. “A partir dali vimos que o mercado
de saneamento tinha muitas demandas tecnológicas e precisava mais do que
um fornecedor, mas de um apoiador científico”, disse.
Portanto, experiências parecidas começaram a se repetir. Algum tempo
depois, para melhorar o combate à formação de algas em suas estações, por
exemplo, a Sabesp testou uma poliamina catiônica da Kemira como auxiliar
na floculação. Foi a primeira vez que as algas passaram a coagular com os
flocos na decantação. Também foi criada uma solução para acabar com o
problema de gosto “de terra” na água fornecida pela Sabesp na região sul
da cidade de São Paulo. A substituição, na pré-oxidação da água captada da
Represa de Guarapiranga, do cloro pelo permanganato de potássio resolveu a
questão.
M. Furtado
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