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SUSTENTABILIDADE
Irani gera R$ 5 milhões em créditos de carbono
A Celulose Irani foi
um importante destaque em Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) durante
a IX Conferência da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das
Empresas Inovadoras (Anpei), realizada de 8 a 10 de junho na Federação das
Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). A empresa do grupo gaúcho
Habitasul já captou R$ 5 milhões em créditos de carbono por conta de seu
bem-sucedido projeto de MDL, implantado a partir de 2006. A Irani registra
a remoção de 650 mil toneladas de CO2, em 2008.
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Outras 160 mil toneladas foram convertidas em
combustível numa caldeira de cogeração com baixos níveis de emissão de
metano, igualmente aprovada por auditores da ONU em 2006, em
conformidade com as metodologias 1D versão 7 e 3, e a versão 7 da
UNFCCC - Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas. A
empresa reduziu um conjunto de agentes coprodutores de CO2, como o GLP,
óleo diesel, cavacos de madeira, efluentes, pó de madeira, acetileno,
diluentes, entre outros. Em combustíveis, a Irani aumentou a frota
própria com veículos abastecidos somente com álcool hidratado.
A Irani conseguiu diminuir em 74% o consumo de reagentes empregados na
obtenção das placas de celulose. A empresa aumentou em 127% o
tratamento de resíduos industriais. O diretor da firma, Leandro
Farina, assinalou que por conta de sua trajetória em MDL já em 2006, a
empresa conquistou a ISO 14064 e foi a primeira do ramo de celulose em
âmbito mundial a obter a certificação internacional para gestão
ambiental. |
Fernando C. de Castro

Farina: empresa também obteve certificação de mudanças climáticas |
Outra experiência de sucesso apresentada diz respeito ao
grupo paulista Dedini, líder nacional do segmento sucroalcooleiro. A
empresa encontrou uma maneira criativa de zerar o consumo de água no
processo de obtenção do álcool anidro, empregado no Brasil como aditivo de
gasolina. As
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usinas da Dedini passaram a retirar toda a água
necessária à obtenção do produto da casca da cana-de-açúcar, à base de
290 litros por tonelada. Como a água empregada é convertida em vapor e
a vinhaça é totalmente separada e reaproveitada, a Dedini zerou o
descarte de efluentes na produção de álcool anidro. A vinhaça
posteriormente foi direcionada à fertirrigação.
Fernando Boscariol, executivo do grupo Dedini, explicou que dependendo
do percentual a vinhaça serve ainda à compostagem, ou como |
Fernando C. de Castro

Fernando: Dedini aproveita água da casca
da cana-de-açúcar |
combustível de um tipo de caldeira projetada especialmente
para consumir esse tipo de matéria orgânica. O Brasil importa 18 milhões
de t/ano de fertilizantes e produz 26 bilhões de litros de álcool. Para
Boscariol, o país poderia se tornar autossuficiente, caso toda a vinhaça
gerada no país fosse convertida em biofertilizante.
Outra empresa destacada foi a Rhodia, pelo lançamento em 2008 da linha de
fibras têxteis sintéticas Emana. Trata-se de uma poliamida 6.6 que devolve
ao organismo os sais e alguns nutrientes perdidos com o suor, sem efeitos
colaterais. Os fios interagem com a água e melhoram a termorregulação. O
principal benefício é a redução do ácido lático depois de esforço,
reduzindo os seus efeitos indesejáveis, como as dores e a sensação de
fadiga.
O Emana foi totalmente desenvolvido no Centro Tecnológico de Santo
André-SP. A Rhodia também exibiu sua linha de solventes feitos de ésteres,
aminas e glicóis, em substituição aos aromáticos, tais como xileno e
tolueno. Os produtos são considerados de baixa toxicidade com
biodegradabilidade de 100% e chegam ao mercado com nome comercial
Rhodiasolv e Green 25.
Rodrigo Cardoso da Silva, da Oxiteno, por sua vez, mostrou um novo modelo
de negócio interessante. Nesse caso, a companhia optou por montar uma
unidade oleoquímica para obter tensoativos, solventes e catalisadores,
para uso principal na produção de detergentes industriais e domésticos. A
principal característica em termos de ecoeficiência é a sua
biodegradabilidade.
Outro destaque da IX Conferência Anpei foi a Braskem. O grupo petroquímico
tem projeto interno denominado EcoBraskem. Consiste na racionalização do
consumo de água e energia na Unidade de Insumos Básicos da Bahia, sem
gerar efluentes. A UNIB-BA estava utilizando o equivalente a 1% do consumo
energético nacional. O projeto é desenvolvido juntamente com a
Universidade Federal da Bahia (UFBA), e deverá conduzir a unidade
industrial a outro patamar de ecoeficiência, com redução de consumo de
água e energia.
Foram divulgados também os casos de sucesso da Altus, empresa de automação
industrial avançada, na implantação do gasoduto da Petrobras de 662 km
entre Urucu e Manaus-AM, atravessando a Floresta Amazônica, que envolveu
as áreas de automação, instrumentação, logística, telecomunicações e
energia elétrica. A Innova e o Centro de Pesquisa da Petrobras
desenvolveram a família de poliestireno HIPS, um novo tipo de resina de
alto impacto, que combina características como mais agilidade de
processamento, maior rigidez e flexibilidade para utilização nos segmentos
de embalagem, refrigeração e eletroeletrônicos.
Os participantes da Anpei também debateram o atual cenário econômico. Eles
dizem que a inovação e a pesquisa diminuem custos de produção e se
constituem numa forma de enfrentar o desempenho econômico negativo de 4,5%
para os países da OCDE e de 1% também negativo para o mundo em 2009. Os
700 gestores participantes da Anpei firmaram uma resolução conjunta para
apontar que a crise econômica global representa a falência das estruturas
econômicas usuais, sendo comparável à da década de 30. Decorre de causas
profundas, como a busca da maximização dos ganhos de curto prazo
independentemente das consequências e efeitos colaterais ao meio ambiente.
Fernando Cibelli de Castro
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