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PESQUISA
IPT inaugura laboratório de corrosão
Com
investimentos iniciais de R$ 11,8 milhões da Petrobras, o Instituto de
Pesquisas Tecnológicas (IPT) inaugurou em julho passado seu novo
laboratório de corrosão, o mais moderno da América Latina, localizado na
Cidade Universitária, em São Paulo. Trata-se de um centro de pesquisa
estratégico para os ambiciosos planos do Brasil voltados aos setores de
biocombustíveis e
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petróleo, dois segmentos em ascensão que demandam
novas tecnologias para identificar e controlar processos corrosivos
capazes de afetar grandes equipamentos e estruturas metálicas. No
entanto, segundo Zehbour Panossian, chefe do laboratório do IPT e uma
das maiores autoridades em corrosão no país, os estudos realizados por
sua equipe não ficarão restritos ao campo energético, embora reconheça
a grande importância da nova instituição para a resolução de parte dos
problemas comuns encontrados na área petrolífera e dos combustíveis
alternativos. |
Divulgação

Com recursos da Petrobras, o laboratório atenderá toda a indústria |
“A modernização do laboratório, além de ampliar a
capacitação para atender às demandas dos setores de petróleo e
biocombustíveis, permite atender a todos os pedidos da indústria nacional
no campo da corrosão e proteção”, garante a pesquisadora. “É oportuno
esclarecer que, embora hoje o principal parceiro do laboratório seja a
Petrobras, estamos totalmente abertos para outros clientes”, enfatiza.
Empresas que necessitem de apoio técnico ou queiram desenvolver estudos
conjuntamente, podem procurar um dos seus 40 técnicos.
Zehbour refuta as críticas negativas feitas invariavelmente aos
laboratórios de pesquisas nacionais, vistos como lugares de difícil
acesso, inatingíveis pelas indústrias em geral. “Não concordo. Muitas
vezes as indústrias não têm a ideia de procurar os nossos centros de
pesquisa e quando os descobrem ficam espantadas em saber que existem
tantos estudos de interesse para lhes oferecer”, diz. “Fazendo uma
analogia, é como descobrir tardiamente que a cidade de São Paulo abriga
uma quantidade enorme de eventos culturais de todos os gostos e muitos
deles gratuitos. Infelizmente, muita gente também não sabe disso.”
Segundo a pesquisadora, os estudos da corrosão ajudam a evitar o colapso
de materiais metálicos em pontes, postes, dutos, tanques, entre outros
objetos construídos com o aço. E o aumento do conhecimento sobre esse tema
fornece subsídios às empresas para a correta especificação de materiais,
sejam eles grandes chapas de tanques de armazenagem, ou pequenos
conectores, como os parafusos.
A pesquisadora cita como exemplo os sistemas de proteção catódica, uma
maneira eficiente de proteger contra a corrosão as estruturas enterradas
ou imersas. A técnica é amplamente utilizada em dutos para transporte de
água, gás e derivados de petróleo e nas grandes estruturas metálicas. “Por
meio de retificadores, é aplicada uma corrente elétrica na estrutura
metálica a ser protegida, garantindo assim sua integridade”, explica. Na
falta de um sistema de proteção catódica, ou no caso do seu mau
funcionamento, a estrutura enterrada ou imersa fica sujeita à
agressividade do meio onde está instalada, podendo sofrer forte processo
corrosivo com consequências catastróficas.
Nos últimos anos, foram desenvolvidos mais de 50 projetos ligados à
corrosão e proteção no laboratório do IPT, tendo como principais parceiros
empresas dos setores de petróleo, petroquímico e energia. Agora, com os
novos investimentos, a tendência é aumentar consideravelmente o número de
trabalhos, prevê Zehbour. “Reforçaremos o atendimento para todos os
setores e vamos ficar muito fortes em estudos de corrosão por
biocombustíveis e na área marítima”, afirmou.
Os investimentos da Petrobras no laboratório permitiram uma grande
reformulação em suas instalações, marcada pela compra de equipamentos de
última geração para testes em corrosão interna de dutos de petróleo e gás,
corrosão externa, proteção catódica, corrosão em biocombustíveis, corrosão
associada a fatores mecânicos, ensaios eletroquímicos, revestimentos,
entre outros. Segundo Zehbour, os recursos permitirão a ampliação de
estudos sobre tecnologias que fora do Brasil já são aplicadas em grande
escala, mas ainda não são comuns por aqui.
De acordo com Zehbour, estão previstos mais recursos da estatal
petrolífera brasileira no laboratório. “Até 2011, os investimentos irão
totalizar cerca de R$ 15,4 milhões”, afirma a pesquisadora. Na verdade,
todos os recursos disponíveis para o laboratório do IPT são viabilizados
pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de
Mello (Cenpes), o braço de pesquisa da Petrobras, no âmbito da Rede
Temática de Materiais e Controle de Corrosão, coordenada pela estatal, e
envolvendo cerca de cem instituições de pesquisa no país. Por meio dessa
rede, são previstos investimentos anuais de R$ 400 milhões em pesquisa e
desenvolvimento.
Em relação à cadeia de petróleo e gás, a pesquisadora lembra que o Brasil
está bem próximo de se tornar um dos principais produtores de petróleo do
mundo, graças às descobertas na faixa do pré-sal, situada em águas
ultraprofundas da costa marítima brasileira. “Nessa nova área, vamos focar
no trabalho de seleção dos materiais, pois os equipamentos metálicos hoje
utilizados para o trabalho de exploração e produção de petróleo não são
exatamente os mesmos que serão usados para a região do pré-sal, onde já se
sabe que há uma piora nas condições de corrosividade, em f
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unção do aumento de pressão”, diz. “Por isso, nosso
objetivo é simular as condições do pré-sal em laboratório, com ensaios
de seleção de materiais.”
O setor de tintas, tradicionalmente um dos mais atendidos pelo
laboratório do IPT, é outro segmento a ser muito beneficiado com a
modernização do laboratório, segundo Zehbour. “Também ficamos muito
fortes em tintas, temos muitos ensaios sendo feitos para este setor”,
ressalta. Entre os novos estudos ligados a esse segmento, a
pesquisadora destaca o de fadiga de tintas, “um tema que ninguém
estuda, tanto dentro como fora do país”, salienta. |
Cuca Jorge

Zehbour: estudo pioneiro avalia fadiga de
tintas em metais |
Esse estudo, explica Zehbour, consiste na realização de
ensaios com equipamentos metálicos pintados que estão sujeitos à
movimentação cíclica. “Por exemplo, um tanque de aço que sai da fábrica
pintado é obviamente utilizado para uma determinada aplicação que resulta
em algum tipo de esforço cíclico no revestimento; ou seja, a tinta acaba
sofrendo fadiga. Nossos ensaios, então, podem fazer este tipo de
avaliação”, diz. “Esse tipo de estudo só é feito no Brasil, nós já
patenteamos essas pesquisas e agora estamos desenvolvendo normas
internacionais sobre a fadiga de tintas para eventualmente levar esses
projetos para o exterior”, afirma a pesquisadora. “Temos todas as
condições para desenvolver ensaios não-convencionais para esse segmento,
além de possuir uma infraestrutura completa para a aplicação,
caracterização e estudos de falhas no revestimento.”
Denis Cardoso
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