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atualidades
LUBRIFICANTES
Melhora a tecnologia para
o rerrefino do óleo usado
Em 2008, a indústria de óleos lubrificantes comercializou 1,17 bilhão de
litros no Brasil. A má notícia é que 580 mil litros não foram contabilizados
durante a coleta pós-uso monitorada pelos organismos ambientais, volume que
foi reutilizado ou descartado sem nenhum tratamento, liberando para o
ambiente substâncias deletérias, tais como chumbo, enxofre e cádmio.
O Ministério do Meio Ambiente acusa o aspecto financeiro de ser o maior
cúmplice do comércio clandestino. Enquanto a coleta correta paga em torno de
R$ 0,20 por litro para repassá-lo à indústria de rerrefino, a forma
ambientalmente amigável de tratar o óleo descartado, os compradores
clandestinos, normalmente empresários que operam caldeiras, estão dispostos
a pagar R$ 0,70 por litro. Um bom negócio, pois o óleo combustível virgem
tem custado US$ 900,00/t nos últimos anos, em média, enquanto o óleo sujo
fica em R$ 700/t. Arredondando, a economia é de R$ 1,1 mil/t (com o dólar a
R$ 2).
Sabe-se, porém, que uma porcentagem incerta do óleo pós-uso recebeu
destinação ainda mais criminosa. Passou por filtragem grosseira, ganhou um
corante e voltou aos motores dos veículos, carregando toda a sorte de
contaminações, sem atender a nenhuma especificação.
A tecnologia traz uma boa notícia. Os processos de rerrefino estão cada vez
melhores. O sistema mais antigo, empregado de 1950 até 1980, usava o método
ácido-argila, exigia maior carga de aditivos, mantinha um teor ácido de 10%
e contemplava um volume maior de neutralizantes e clarificantes. Entretanto,
foi substituído por um processo mais moderno e engloba uma reação em
ácido-argila com thermo-cracking, que reduz o teor de ácido sulfúrico para
4%. Dispensa maiores volumes de químicos e opera por batelada ou destilação
semicontínua.
Na torre de destilação, todos os componentes estranhos, principalmente os
compostos naftênicos e aromáticos, são retirados e o que retorna à indústria
de lubrificantes é um óleo básico mineral RR neutro próximo ao Tipo 2, com
ótimo índice de viscosidade (IV) em torno de 110%. O tipo 1 fornecido pela
Petrobras contém 95% de IV. A distribuição e a coleta atualmente ocorrem em
4,3 mil municípios do país, em 34 centros de armazenagem. São analisadas a
saponificação, destilação e presença de contaminantes.
Segundo o presidente do Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de
Óleos Minerais, Nilton Torres de Bastos, o óleo lubrificante no Brasil ainda
é coletado sem segregação. Portanto, os óleos entregues nas rerrefinarias
são uma mistura dos minerais, semissintéticos e sintéticos. Mesmo assim, os
processos de última geração permitem a transformação em óleo básico com
especificação dentro das normas da Agência Nacional do Petróleo.
O rerrefino de óleos lubrificantes está normatizado legalmente na resolução
362 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Ela determina que todo o
óleo lubrificante usado ou contaminado deve ser destinado à reciclagem por
rerrefino. A lei diz que o produtor, o importador e o revendedor de óleo
lubrificante acabado, bem como o gerador de óleo lubrificante usado, são
responsáveis pelo recolhimento do óleo lubrificante usado e sua destinação
correta.
Atualmente, a resolução exige que cada estado recolha corretamente um mínimo
de 30% do óleo comercializado, em média. Os percentuais variam de região
para região.
Cada litro de óleo contamina 1 milhão de litros de água. A combustão de
óleos usados gera ainda gases nocivos ricos nas cancerígenas dioxinas. O
solo contaminado por óleos contém os metais pesados intrínsecos aos
hidrocarbonetos, tais como chumbo, cádmio, cromo, mercúrio e níquel.
A primeira oficina nacional para capacitação sobre legislação, coleta
correta e rerrefino de óleos lubrificantes acontecerá nos dias 25 e 26 de
setembro próximo, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo, no tradicional endereço da Avenida Paulista. Será organizada pelo
Grupo de Monitoramento Permanente (GMP) do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (Conama), que avalia a aplicação de normas técnicas para este
setor. Em 26 de junho, foi realizado um encontro regional preparatório na
sede da Federação dos Municípios do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
Eventos semelhantes já ocorreram nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Fernando Cibelli de Castro
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