LOGÍSTICA
Suape reforça complexo industrial e portuário

No rol dos eventos internacionais mais concorridos nos setores de logística, transporte e comércio, a Intermodal South America 2009, realizada de 14 a 16 de abril, em São Paulo, pela United Business Media - UBM Brazil, reuniu 450 expositores, obtendo participação internacional 20% maior em relação à edição anterior.

Entre as participações internacionais mais relevantes, a feira contou com dirigentes do complexo portuário de Roterdã, na Holanda, maior porto do mundo, e da Flanders Port Area, segundo maior porto da Europa, referência no transporte de grãos e o líder no transbordo de automóveis.

No Brasil, as novas estratégias de crescimento pontuadas para o complexo industrial e portuário de Suape-PE foram evidenciadas. O complexo está sendo preparado para ingressar em nova fase de captação de iniciativas empresariais para abrigar um polo provedor de bens e serviços para as indústrias de petróleo, gás, offshore e naval e, assim, viabilizar o escoamento mais competitivo de algumas das principais riquezas produzidas no Brasil. As obras estão aceleradas nos 3,5 mil hectares do total de 7 mil ha disponíveis para uso industrial. O complexo conta com mais 6 mil ha destinados à reserva ecológica.

Até agora, as 90 empresas já consignadas ao complexo ou em processo de negociação só ocupam a metade de toda a área disponível. À Petrobras coube uma das maiores frações, de 650 hectares, para assentar a Refinaria General Abreu Lima. Única no país projetada para operar com petróleo pesado, a refinaria, orçada em US$ 4,05 bilhões, deverá entrar em operação em 2011, refinando 200 mil barris de petróleo/dia para atender boa parte da demanda de óleo diesel das regiões Norte e Nordeste.

“Em breve, esperamos poder anunciar um novo empreendimento que ocupará área de 700 hectares”, informou Emílio João Schüller Jr., ouvidor do complexo de Suape e um dos seus maiores entusiastas. ele destaca os principais empreendimentos instalados no complexo como o Estaleiro Atlântico Sul, considerado o maior do hemisfério Sul, e que irá se dedicar tanto à produção de navios como de plataformas de petróleo, podendo abrigar plataformas offshore semissubmersíveis, porta-contêineres e navios nos padrões Suez-Max, FPSO e TLP. “No final de 2009, o primeiro petroleiro Suez-Max para transporte de líquidos deverá ser entregue para a Transpetro como parte inicial de uma encomenda de dez navios que irão integrar a frota nacional”, revelou. “E daqui a dois anos, também deverá estar sendo entregue uma plataforma offshore.”

Sem contar os investimentos feitos pela Petrobras, US$ 6 bilhões, segundo Schüller Jr., foram aportados até o momento pela iniciativa privada nos empreendimentos de Suape, enquanto o governo de Pernambuco teria investido US$ 2,5 bilhões na construção das obras de infraestrutura que deverão seguir mais intensas nos próximos meses.

Considerado o melhor porto público do Brasil, sob o ponto de vista de desembaraço aduaneiro e de administração, Suape conta hoje com pontuação equivalente à recebida pelos portos de Tubarão e de Ponta Madeira, ambos privados. “As operações de carga e descarga em Suape são exemplares: navios com até 5.500 TEU realizam as operações em apenas oito horas, mas há vários outros diferenciais, como a profundidade de mais de 15 metros, localização estratégica a sete dias da costa Leste dos Estados Unidos e a nove de Roterdã, certificação International Ship and Port Security Code, modelo de gestão Land-Lord Port, retroáreas para terminais, monitoramento por torre de controle central, entre outros”, acrescentou Schüller Jr.

Suape poderá ser a melhor alternativa para abrigar empreendimentos da cadeia produtiva de petróleo, gás, offshore e naval, pois uma nova parceria técnica a ser firmada entre o governo estadual e autoridades holandesas deverá resultar em incentivo adicional à instalação de novas empresas no complexo. No acordo com Roterdã está prevista a elaboração de um projeto de engenharia para a construção dentro da área interna do porto de Suape de 15 km de canais navegáveis. Atualmente, apenas dois quilômetros estão abertos aos navios.

Outros fortes atrativos para a expansão do complexo de Suape são os vários polos consolidados, como os de granéis líquidos e de gases, um polo siderúrgico, onde a Cia. Siderúrgica Nacional (CSN) já anunciou investimentos de US$ 6 bilhões, enquanto a Gerdau programou investimentos de US$ 600 milhões.

No polo petroquímico, a italiana Mossi & Ghisolfi (M&G) já montou a maior fábrica de resinas de polietileno tereftalato (PET) do mundo, que chegará em poucos anos a produzir 650 mil t/ano da resina.

Suape também conta com polos cerâmico, de alimentos, de energia (a Termopernambuco) e com empresas representativas dos segmentos metalmecânico, logística, energia eólica, entre outras. No momento, 25 empresas estão em fase avançada de negociação para se instalar no complexo, como montadoras de automóveis, indústrias de pneus, autopeças, tintas, mineradoras e outras.

A instalação de novos empreendimentos em Suape pode desfrutar de incentivos federais, via Sudene, e municipais. É possível, por exemplo, obter reduções até 75% do imposto de renda de pessoa jurídica por período de dez anos, enquanto as empresas já instaladas, mas que planejam ampliar as capacidades podem obter reduções de 25%.

Corredor do etanol - A Transpetro, transportadora multimodal pertencente ao sistema Petrobras, considerada a maior empresa de navegação da América Latina, teve participação destacada na Intermodal 2009, ao apresentar aos visitantes as bases do projeto da hidrovia Tietê-Paraná. Orçado em US$ 1,5 bilhão, dará escoamento ao etanol brasileiro, para suprir o mercado doméstico e ampliar a competitividade do biocombustível no mercado internacional.

Responsável por armazenar e transportar petróleo e derivados, biocombustíveis e gás natural por uma rede de sete mil quilômetros de dutos, quatro mil quilômetros de gasodutos, vinte terminais terrestres, 26 terminais aquaviários, contando com frota de 54 navios-petroleiros, a empresa planeja instalar polidutos no corredor de escoamento e de exportação de etanol, entre Senador Canedo-GO e Paulínia-SP, podendo estender-se até o porto de São Sebastião-SP ou o do Rio de Janeiro-RJ.

Atualmente, é o porto de Santos-SP o grande responsável pelas exportações do etanol brasileiro. Calcula-se que 76% das exportações de etanol partam de Santos, canal de escoamento de mais de dois milhões de m3/ano, mas que enfrenta problemas de congestionamento por causa do intenso tráfego de navios. “Pelo corredor será possível escoar até 8 milhões de m³ de etanol por ano”, calcula Ubiracyr de Oliveira Martins, gerente de desenvolvimento de projetos da Transpetro.

As obras deverão estar concluídas entre 2012 e 2013, abrangendo a instalação de terminais completos numa extensão de 800 km da hidrovia. “A hidrovia Tietê-Paraná tem uma extensão de 2.400 km navegáveis, mas o corredor só utilizará 800 km, desde a usina de Itaipu, no Rio Paraná, até São Simão, no sul de Goiás, compreendendo também uma parte navegável do rio Tietê, até Santa Maria da Serra-SP, de onde partirá um álcoolduto com extensão de 100 km até a Replan”, informou Martins. Da Replan, até o terminal marítimo de São Sebastião, serão construídos mais 250 km de dutos.

A hidrovia Tietê-Paraná tem capacidade para transportar 20 milhões de toneladas/ano, mas hoje somente são transportados por esse modal fluvial pouco mais de 5 milhões de toneladas/ano. Ao entrar em operação, o corredor de escoamento e exportação do etanol brasileiro propiciará, segundo Martins, significativas reduções de custo de transporte. “O custo do transporte hidroviário será 20% menor do que o custo do transporte ferroviário”, calculou Martins. Em relação às exportações, os custos serão até 40% menores do que os atualmente praticados.

O projeto da hidrovia Tietê-Paraná despertou inúmeras consultas de potenciais usuários, como distribuidores de derivados, traders e principalmente das 343 usinas de açúcar e álcool instaladas no país, 75% das quais estão próximas da região da hidrovia.

“A Transpetro tem total interesse de ser a operadora logística desse corredor e fazer o transporte ponto a ponto, desde a usina até o porto”, afirmou Martins.

Rose de Moraes

 

 

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