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Cuca Jorge
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Inteligência
agregada
aos serviços resulta
na ampliação do faturamento
Domingos Zaparolli |
Segundo
estimativa da Associação Brasileira de Manutenção (Abraman), as
empresas brasileiras gastam por volta de 4% de seu faturamento bruto
com manutenção, somando-se nesta conta os gastos com pessoal ou
contratação de prestadores de serviço, peças de reposição e capacidade de
produção perdida. No setor químico, este gasto alcança a marca de 5% do
faturamento bruto. Com pequenas variações, estes percentuais se mantêm
estáveis há dezesseis anos. É uma parcela significativa do custo
operacional das empresas. Nos últimos anos, a busca por maior eficiência
tem levado as empresas a avaliar com maior rigor o desempenho desse item
de custos. Por outro lado, prestadores de serviços estão inovando, ao
agregar inteligência à manutenção. O objetivo é gerenciar os ativos com o
intuito de obter o melhor desempenho para os negócios. A manutenção
industrial reforça a sua importância na estratégia das empresas.
Como relata José Eduardo Lobato de Campos, presidente da Abraman, a
manutenção industrial começou como uma atividade corretiva: o equipamento
quebra, conserta-se. O problema dessa mentalidade são os danos à produção
e, às vezes, à saúde do trabalhador e ao meio ambiente. Prejuízo certo. A
evolução foi a manutenção preventiva. Com base em dados técnicos e no
histórico do equipamento, efetua-se uma parada para a substituição de
peças que podem gerar defeitos. Porém muitas peças ainda úteis são
descartadas e as paradas, por vezes, não são realmente imprescindíveis, o
que gera perdas desnecessárias na produção. O passo seguinte foi a
introdução da manutenção preditiva. Por meio de monitoramento constante,
coletam-se dados nos equipamentos que indicam a necessidade ou não de
reparos ou troca de peças. Para isso são utilizados os mais diversos
sensores e instrumentos de análise, como termografia infravermelha para
equipamentos eletrônicos, fornos e caldeiras; espectros de vibração para
os equipamentos rotativos; e a análise do óleo lubrificante. É preciso,
entretanto, investir em instrumentação.
O conceito moderno de manutenção, informa Lobato de Campos, é mesclar o
uso de cada tipo de manutenção de acordo com o equipamento e de sua
importância dentro do processo produtivo. “Ninguém vai investir em
manutenção preditiva em equipamentos de fácil reposição. Como também não
faz sentido executar manutenção corretiva em equipamentos estratégicos
para a empresa”, diz o presidente da Abraman. Técnicas de manutenção
preditiva, porém, ainda não são adotadas na maioria das empresas
brasileiras. Sua aplicação se restringe ao universo das empresas mais
modernas dos setores mais dinâmicos, principalmente naqueles de capital
intensivo. “Mas é uma tendência que ganha força à medida que os
empresários percebem que o método preditivo pode gerar redução de custo na
manutenção em relação ao faturamento”, diz Lobato de Campos.
Terceirização - Outra evolução em curso no mercado de manutenção
industrial diz respeito à forma de contratação de prestadores de serviços.
Nos anos 90 do século passado ganhou força a terceirização dos
departamentos de manutenção industrial. Em muitos casos, porém, este
movimento foi inadequadamente planejado. Funcionários de manutenção eram
incentivados a criar empresas ou cooperativas de serviços. Mas nem sempre
estes tinham capacidade empreendedora. Por outro lado, a cultura
empresarial privilegiava a contratação mais barata, nem sempre a mais
eficiente. A baixa qualidade dos serviços prestados levou a um
questionamento do modelo e a uma volta, em muitos casos, aos departamentos
internos de manutenção. Mas, como relata Lobato de Campos, este
questionamento também levou a uma evolução tanto das empresas contratantes
como das prestadoras de serviços. Hoje, 74% das empresas que contratam
prestadores de serviços de manutenção classificam como bons ou muito bons
os serviços prestados, segundo pesquisa realizada pela Abraman. O que
mudou, segundo o presidente da instituição, é que se passou a contratar
empresas estruturadas, especializadas em terceirização. Mais importante:
novos métodos de contratação foram introduzidos.
No Brasil, tradicionalmente, os prestadores de serviços são remunerados
por tarefas ou por “homem-hora”. Mas a tendência é a migração para a
remuneração por performance, ou seja, a prestadora de serviços passa a ser
corresponsável pelo processo de produção e é remunerada pelo desempenho do
equipamento mediante parâmetros preestabelecidos. O prestador de serviços
recebe bônus quanto maior for o tempo disponível para uso do equipamento e
é penalizado quando a disponibilidade do equipamento fica abaixo do
parâmetro estabelecido. “O que se premia é a confiabilidade do equipamento
no processo produtivo”, afirma o presidente da Abraman.
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A remuneração por performance induz a contratos de longo prazo e
privilegia prestadores de serviços que conhecem o processo produtivo do
cliente. Esse formato de contrato, informa Ivan Cosenza, diretor de
desenvolvimento de negócios de manutenção industrial da Manserv, é
difundido principalmente entre as empresas de capital intensivo,
mineradoras, siderúrgicas e petroquímicas, mas está se expandindo para
outros setores, como a indústria química e a de papel e celulose. “É um
modelo inteligente, que dá liberdade ao fornecedor e o estimula a buscar
melhorias constantes”, explica o executivo.
O contrato de longo prazo, acredita Cosenza, permite ao prestador de
serviços realizar um plano de trabalho com base em um diagnóstico inicial
do processo produtivo e da importância de cada equipamento dentro deste
processo. A partir daí, define-se o modelo de manutenção adequado para
cada equipamento e o prestador de serviços se compromete a oferecer um
processo de melhoria contínua de desempenho dos equipamentos e a reduzir o
custo final da manutenção para o processo produtivo. |
Cuca Jorge

Cosenza: estímulo cresce com remuneração por performance |
Além da contratação de serviços terceirizados de manutenção pelo critério
de menor preço, outro equívoco comum entre os contratantes é a avaliação
inadequada do prestador de serviços. “É preciso conhecer o histórico do
prestador de serviços, seu modelo de gestão, se este é certificado, e
também a capacidade da contratada em inovar”, diz o executivo. Em relação
às equipes internas de manutenção, uma boa empresa terceirizada, acredita
Cosenza, tem a vantagem de poder oferecer ao cliente conhecimento técnico
e a experiência adquirida em situações vividas em vários clientes. Além
disso, pode oferecer economia, uma vez que o custo de sua equipe técnica é
compartilhado entre os vários clientes.
O grupo Manserv foi criado em 1985 especificamente para atuar no mercado
de manutenção industrial, principalmente nos segmentos de manutenção
eletromecânica e caldeiraria. Seus primeiros clientes foram a Petroquímica
União e a Refinaria de Capuava, que continuam sendo atendidas pela
empresa, assim como outras oito refinarias da Petrobras. A empresa realiza
serviços de gestão total da manutenção de plantas industriais como também
serviços de paradas em caldeiras, fornos, laminadores, reatores, torres,
trocadores e tubulações. Também presta serviços de operação de sistemas
auxiliares, como geração de vapor e energia elétrica, estação de
tratamento de água e efluentes, e geração de ar comprimido. Em 1987, o
grupo criou a LSI Serviços, que oferece serviços de manutenção predial,
limpeza e conservação. E, em 2000, a LSI Logística, especializada na
movimentação de materiais, armazenagem, administração de centros de
distribuição, embalagens, seleção de materiais e preparação de kits para a
linha de produção.
Automação – O modelo de manutenção preditiva evolui à medida que as
empresas modernizam a automatização de seus processos. Essa correlação
manutenção preditiva e automação atraiu para o
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mercado de manutenção
alguns dos grandes fornecedores de sistemas de automação, como a Siemens e
a ABB. A Siemens realiza serviços de manutenção preditiva, mas também
preventiva. José Roberto Filho, gerente de manutenção e serviços para
indústria da Siemens, relata que a proposta da empresa é realizar o
gerenciamento do ciclo de vida útil dos ativos das empresas, com o
objetivo de otimizar os investimentos. Este trabalho envolve desde a
consultoria na aquisição e implantação do equipamento, com a análise de
seu custo inicial somado ao seu custo de manutenção durante todo o seu
ciclo de vida, passando por técnicas de gestão para aumentar a longevidade
dos equipamentos e para antecipar falhas e programar os reparos com menor
impacto na produção e até estudos para determinar se ainda compensa
investir na substituição de peças de ativos que já se aproximam do fim de
vida útil. “O que nós oferecemos ao cliente é uma visão total do ciclo de
vida do ativo, permitindo a tomada de decisão com base em conhecimento”,
diz o executivo. |
Cuca Jorge

José Roberto propõe decisões com base em conhecimento |
Entre os serviços de manutenção preditiva oferecidos pela Siemens, relata
Roberto Filho, está o sensoriamento remoto, via web. Nesse caso, os
equipamentos automatizados responsáveis por processos produtivos possuem
sensores que são monitorados na base da Siemens por técnicos que contam
com a ajuda de um sistema de alarmes. “São duas as principais vantagens do
sistema. Uma é a possibilidade de antecipar falhas e detectar problemas de
forma rápida. A outra é o barateamento da manutenção, uma vez que o
profissional acompanha o desempenho da máquina de seu escritório, não
precisando ir a campo para fazer o monitoramento, reduzindo custos de
viagens”, diz o executivo. O sistema de manutenção da Siemens conta ainda
com a atuação de facilitadores de processos nos clientes, funcionários que
são treinados para monitorar e definir ações preventivas com base em
indicadores de desempenho dos equipamentos e assim orientar os operadores
dos equipamentos sobre os melhores procedimentos, tendo em vista a
otimização do ciclo de vida do equipamento.
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Por sua vez, a ABB adota uma estratégia de mercado restritiva. Como
informa Ronaldo Venite, diretor da área de serviços, a atuação em
manutenção da ABB é exclusiva para clientes que investem em tecnologia,
com processos de automação atualizados, e que exigem uma gestão de ativos
sofisticada. São principalmente clientes de segmentos de capital
intensivo, nos quais problemas no processo produtivo põem em risco a saúde
financeira do empreendimento. “Nossos serviços de manutenção têm um custo
maior que a média de mercado. Porém, adicionamos valor ao cliente,
reduzindo riscos de perdas de produção”, diz o executivo. Segundo Venite,
a ABB integra a produção e a manutenção com base nos dados fornecidos
pelos sistemas automatizados. Com estas informações e com o conhecimento
do processo produtivo do cliente são programadas as paradas para a
manutenção. “Com um conjunto de informações confiáveis podemos gerenciar o
risco de antecipar ou esticar o momento da parada da produção de acordo
com o melhor do ponto de vista da produção. Não buscamos a melhor
performance do equipamento, mas melhorar a performance total do cliente. É
inteligência de manutenção ligada ao negócio”, diz o executivo. |
Cuca Jorge

Venite: manutenção inteligente gerencia riscos da operação |
Para realizar essa tarefa, a ABB desenvolveu drivers de automação e
softwares que permitem o monitoramento e o suporte de manutenção remoto.
“Hoje monitoramos remotamente 10 mil máquinas espalhadas no Brasil”, diz
Venite. Segundo o executivo, a análise de dados em tempo real permite
antecipar problemas e evitar paradas em momentos inoportunos. Para Venite,
além de ganhos em produtividade, a manutenção preditiva com controle
automatizado também pode gerar ganhos indiretos, como a redução de
apólices de seguros, uma vez que os riscos de acidentes são reduzidos
significativamente.
Com a crise econômica mundial, notícias dando conta de empresas que estão
aproveitando a queda nas encomendas para realizar paradas técnicas de
manutenção são publicadas rotineiramente nos jornais. Venite, Roberto
Filho e Cosenza, porém, não relatam um aumento significativo no mercado de
prestação de serviços de manutenção. “Ocorre que hoje prevalecem contratos
de longo prazo, que não são influenciados por paradas antecipadas. Só o
mercado on demand está ligeiramente aquecido, com algumas empresas
aproveitando a crise para antecipar paradas e resolver pendências”, diz
Roberto Filho.
Venite avalia ainda que os contratos de longo prazo também serão afetados,
com a preocupação das empresas de reduzir custos. Já Cosenza vê aí uma
oportunidade, uma vez que muitas empresas deverão revisar seus processos
preparando-se para o pós-crise e poderão optar por sistemas de manutenção
que gerem melhor performance e, portanto, custo final mais vantajoso. De
imediato, informa Cosenza, a Manserv vem se beneficiando com a saída do
mercado de empresas de manutenção pouco estruturadas, que foram abaladas
financeiramente pela crise. “Desde o início do ano conquistamos quatro
novos contratos de empresas que eram atendidas por prestadores de serviços
que não sobreviveram à crise”, disse o executivo.
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