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TRANSPORTE
Setor regulamenta estações de
limpeza para coibir desleixos
em segurança e meio ambiente
Marcelo Furtado
Fotos: Cuca Jorge (exceto * Fred
Passos)

Operário com EPI
entra em isotanque
para descontaminar
Na caminhada empreendida pela indústria química brasileira para melhorar sua
gestão socioambiental, faltam ainda alguns degraus para o setor chegar ao
andar da excelência. Isso nem tanto dentro dos limites de suas instalações,
já bastante incorporadas por boas práticas ensinadas por programas como o
Atuação Responsável, compulsório às associadas da Associação Brasileira da
Indústria Química (Abiquim), que respondem por quase 80% da produção
nacional. Mas principalmente quando se toma conhecimento de problemas ao
longo de sua extensa cadeia de fornecedores.
Um caso emblemático ocorre no segmento de transportes de produtos químicos,
mais especificamente em uma importante etapa de sua operação, aquela pela
qual os tanques precisam ser limpos e descontaminados. É consenso hoje entre
os mais familiarizados com o cotidiano da indústria que são poucos os locais
habilitados para realizar operações confiáveis nos quesitos meio ambiente e
segurança operacional. Essa constatação, aliás, fez a Abiquim criar um
módulo do seu Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e
Qualidade (Sassmaq) – que já afere e qualifica de forma compulsória todas as
transportadoras prestadoras de serviços aos associados – específico para
estações de limpeza, o qual da mesma forma passará a ser mandatório a partir
de janeiro de 2010.
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A preocupação da Abiquim é proteger o segmento de riscos, os quais já
levaram o Inmetro a também criar um sistema de qualificação e registro no
final de 2007 para diferenciar empresas que prestam o serviço para carretas
e isotanques (tanques-contêineres). O selo federal, originado por portaria
(255/07), nasceu para atender à solicitação do ministério público do
trabalho que, por sua vez, dava uma resposta a uma série de acidentes fatais
ocorridos com trabalhadores envolvidos em descontaminações de tanques.
Apenas na região de Paulínia-SP, ao redor da refinaria da Petrobras (Replan)
e de onde surgiram as solicitações para a procuradoria regional do trabalho
forçar a regulamentação da atividade, cerca de dez mortes foram registradas
nos últimos anos. Todas elas em virtude do amadorismo, infelizmente
majoritário, em uma atividade de alto risco. |
| Caminhão-tanque: mercado ainda não exige evidências
da descontaminação |
Os acidentes mais comuns envolvem desleixos conjugados com a manutenção dos
equipamentos. Caso padrão é aquele em que um funcionário entra no tanque
para fazer uma solda e, em razão de a descontaminação não ter sido feita ou
mal realizada, os voláteis ainda presentes provocam explosão e muitas vezes
a morte do trabalhador. Mas já foram registrados acidentes ainda mais
lamentáveis, como óbitos provocados por atos quase insanos, como utilizar um
isqueiro para iluminar o interior do tanque de inflamáveis ou verificar o
odor de um tanque com produto altamente tóxico com o nariz, e não com
equipamento apropriado ou o uso de máscara.
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