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ATUALIDADES
EMBALAGEM
Estudo revela o impacto
da crise por segmentos
A indústria de embalagens fechou o ano de 2008 com uma receita de R$ 36,6
bilhões, 9,56% superior ao montante de 2007, de R$ 33,1 bilhões. As
embalagens plásticas continuam a abocanhar a maior fatia de participação
sobre o total, 37,64%, ou R$ 13,8 bilhões, sendo seguidas pelas embalagens
de papelão ondulado e papel-cartão, com R$ 10,2 bilhões (28%); metálicas, R$
6,2 bilhões (16,94%); de papel, R$ 2,6 bilhões (7,12%); vidro, R$ 1,9 bilhão
(5,23%); têxteis, R$ 976 milhões (2,66%); e de madeira, R$ 880 milhões
(2,40%).
Enquanto as produções de embalagens de papel, papelão e cartão e de
embalagens plásticas aumentaram 2,06% e 0,59%, respectivamente, as demais
sofreram retração em vários níveis: metálicas (-3,52%), vidros (-3,85%),
madeiras (-12,20%).
A indústria farmacêutica foi a que mais expandiu o consumo de embalagens em
2008 em comparação a 2007, registrando aumento de 12,66%. Com esse
resultado, superou os níveis de crescimento das embalagens em setores
tradicionais, como o de alimentos (0,54%) e o de bebidas (0,27%).
No balanço geral, contudo, vários setores não conseguiram intensificar o uso
de embalagens no ano que passou. A retração se verificou nos segmentos de
perfumes e cosméticos (-5,27%), sabonetes, sabões, detergentes e produtos de
limpeza (-4,08%). Todos esses dados foram recentemente divulgados e constam
do estudo macroeconômico da embalagem realizado pela Fundação Getúlio
Vargas, por encomenda da Associação Brasileira de Embalagem (Abre).
Os impactos da crise mundial sobre o setor de embalagens no Brasil também
foram alvo desse estudo, podendo ser observados ao se comparar os níveis de
crescimento no consumo de embalagens registrados no primeiro semestre de
2008 e os níveis de retração presentes no segundo semestre de 2008.
À exceção da indústria farmacêutica, que apresentou forte crescimento no
consumo de embalagens, principalmente no segundo semestre (19,70%), e que já
vinha dando sinais positivos desde o primeiro semestre de 2008 (4,82%), a
indústria de alimentos conseguiu fechar o primeiro semestre de 2008 com
crescimento de 2,41% no consumo de embalagens, mas desacelerou no segundo
semestre, sofrendo retração de -1,04%.
Implacável também foi a retração no consumo de embalagens nos segmentos de
sabonetes, sabões, detergentes e produtos de limpeza, que fecharam o
primeiro semestre de 2008 com + 1,49%, mas despencaram no segundo semestre
para -9,52%.
No campo das exportações, as embalagens alcançaram a receita de US$ 545,9
milhões em 2008, 13,91% superior ao alcançado em 2007. Desse total, US$
215,3 milhões corresponderam ao desempenho no mercado externo das embalagens
metálicas; US$ 161,4 milhões em embalagens plásticas; US$ 90,1 milhões nas
embalagens de papel, papelão ondulado e papel-cartão; US$ 46,1 milhões com
as embalagens de vidro; e US$ 32,9 milhões das feitas de madeira. Os maiores
crescimentos em exportações foram observados nos campos das embalagens
metálicas (28,41%) e plásticas (22,42%), enquanto as de vidro apresentaram
retração de -17,41% e as embalagens de papel, papelão ondulado e
papel-cartão cresceram apenas 1,81%.
Nas importações, o setor de embalagens registrou em 2008 US$ 479,6 milhões,
contra US$ 368,5 milhões de 2007, um incremento de 30,16%. Os plásticos
assumiram a liderança nas importações (US$ 296,3 milhões), e foram seguidos
pelos metais (US$ 80,7 milhões), papel, papelão ondulado e papel-cartão (US$
71,1 milhões) e vidros (US$ 31 milhões).
Perante a forte desaceleração sofrida pela economia brasileira nos últimos
tempos, o professor Salomão Quadros, coordenador do estudo sobre o mercado
de embalagem da Abre, acredita que a produção de embalagem não deverá
crescer em 2009.
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Vice-líder em lançamentos – Projeções feitas pelo Laboratório de
Monitoramento Global da Embalagem da Escola Superior de Propaganda e
Marketing (ESPM), porém, indicam que o setor deverá crescer em 2009, mesmo
considerando um cenário de contenção no consumo. Isso porque, segundo Fábio
Mestriner, ex-presidente da Abre e professor e coordenador do Núcleo de
Estudos da Embalagem da ESPM, os setores de alimentos, bebidas, cuidados
pessoais e limpeza devem reagir e já respondem por cerca de 75% do consumo
de embalagens no país. |
Foto: Cuca Jorge
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| Mestriner: embalagens flexíveis conquistam posições
de mercado |
“Todos esses setores, somados ao de cosméticos, devem receber mais atenção
do consumidor, que gastará menos com produtos eletrônicos, telefonia celular
e bens duráveis, e irá destinar parte de seus recursos para os setores de
maior consumo de embalagens”, considerou Mestriner. “O Brasil está entre os
cinco maiores mercados mundiais em bens de consumo e deve se valer de seu
forte mercado interno e da baixa dependência das exportações, ao contrário
do que ocorre com países como Japão e China”, comparou.
No rol dos líderes dos países que mais promovem lançamentos em embalagens no
mundo, o Brasil conquistou no primeiro trimestre de 2009 a segunda posição,
ao promover 4.099 inovações, correspondentes a 8% do total mundial de 54.430
lançamentos. Nesse quesito, o Brasil é apenas superado pelos Estados Unidos,
que respondem por 13% dos lançamentos realizados no mundo, sendo seguido
pelo Japão (7%), Reino Unido (7%), Alemanha (5%), França (5%), China (4%),
Índia (3%), Canadá (3%) e Itália (3%). “Acompanhar a dinâmica dos
lançamentos de embalagens e produtos no mundo e no Brasil é muito
importante, pois a embalagem é considerada por muitos economistas como um
dos parâmetros para avaliar o nível de atividade econômica de um país”,
avaliou Mestriner.
Segundo os estudos de monitoramento das embalagens realizados pelo
laboratório, das cinco categorias mais lançadas em janeiro de 2009, quatro
correspondem a cosméticos como colorações para lábios, cremes para rosto e
corpo. Entre os posicionamentos mais adotados pelas marcas, a tendência
natural é a que prevalece, seguida de apelos em prol da beleza e da
funcionalidade.
“Os cosméticos e produtos de higiene pessoal ocupam seis das dez categorias
mais lançadas no mundo, o que coloca os atributos ligados à beleza entre os
mais importantes”, revelou Mestriner. Outra categoria com número crescente
de lançamentos é a de nutracêuticos cosméticos, área que associa a beleza à
nutrição.
Filmes avançam - As embalagens flexíveis ultrapassam no mundo todo as demais
categorias quando as indústrias resolvem promover lançamentos nos setores de
alimentos, bebidas, cosméticos, produtos de cuidados pessoais, higiene e
limpeza, medicamentos e produtos para animais de estimação. Isso reflete
duas preocupações muito importantes em tempos de crise: diminuir custos e
oferecer maior praticidade para os consumidores.
A preferência, observada no primeiro trimestre de 2009 no laboratório da
ESPM, revela que as embalagens flexíveis vêm conquistando posições à frente
dos tradicionais frascos, potes e garrafas rígidos. Para Mestriner, a
mudança é decorrente da maior penetração dos filmes na fabricação de
embalagens para produtos líquidos e pastosos, como ocorre com as embalagens
do tipo stand-up pouch, cujo crescimento vem se acentuando no mercado.
R. M.
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