c  o  s  m  é  t  i  c  o  s

Além de emulsões e cremes, os polímeros vegetais da Corn Products também podem ser empregados no processamento de maquiagens para melhorar o escoamento das formulações nos equipamentos.

Cresce o interesse por certificação orgânica

São ainda bem poucos os fabricantes de cosméticos e de ingredientes para cosméticos certificados no Brasil pela Ecocert, a maior empresa certificadora de produtos orgânicos e naturais do mundo, atuante em mais de 80 países, e criada na França em 1991, quando do advento do primeiro regulamento orgânico oficial da comunidade europeia (CEE 2092/91).

Dos cerca de mil fabricantes certificados nesses setores no mundo todo, aproximadamente 700 contam com o selo da certificadora francesa e é justamente a França o país que detém 57% do total de projetos certificados, enquanto outros países europeus respondem por 23% das certificações, cabendo aos demais países a cota de participação de 20% no total das certificações já emitidas. Entre as empresas internacionais certificadas, destacam-se L’Oréal, L’Occitane, Yves Rocher, Henkel, Avent, Clarins, Aveda, Origins, Yves Saint Laurent, somadas às brasileiras como Surya Brasil, Florestas e Beraca.

Apesar do número ainda pequeno de empresas brasileiras certificadas no setor, o interesse, na opinião do diretor da Ecocert Brasil, João Augusto de Oliveira, é crescente e vem se acentuando bastante nos últimos anos.

“No Brasil, temos uma lista de cerca de 30 fabricantes do setor interessados, em processo de negociação. As empresas estão rapidamente buscando se adequar aos novos paradigmas de produção respeitosa do meio ambiente, dos animais e das pessoas e os consumidores desejam cada vez mais produtos obtidos por meios que não agridam o meio ambiente e que não contenham em suas formulações ingredientes e aditivos potencialmente perigosos à saúde humana.”

Segundo o diretor, contudo, as maiores dificuldades para o crescimento mais acelerado das certificações se relacionam com a existência de poucos fornecedores de matérias-primas e ingredientes que atendam aos referenciais da certificação.

“Ao buscar a certificação de seus produtos, as empresas frequentemente precisam encontrar novos fornecedores ou negociar com fornecedores antigos a produção de matérias-primas em conformidade com os referenciais. Se a empresa produz cosméticos convencionais e paralelamente também pretende produzir cosméticos orgânicos precisará estabelecer medidas de separação adequadas dos fluxos, para evitar misturas e contaminações, além de precisar contar com um sistema de rastreabilidade tanto das matérias-primas quanto do processamento e da comercialização.”

Na opinião do diretor João Augusto, o Brasil tem grande potencial como fornecedor de cosméticos, tanto para o mercado doméstico, como para os mercados internacionais e isso se deve à existência de bons fabricantes, quadros técnicos capacitados e à sua “formidável” biodiversidade.

De acordo com o referencial Ecocert, os cosméticos naturais e orgânicos devem contar, no mínimo, respectivamente, com 95% de ingredientes naturais ou de origem vegetal e com 95% dos ingredientes vegetais certificados como orgânicos. Para ser considerada natural e orgânica, uma loção deve ter em sua composição, segundo o referencial Ecocert, 93% de água floral orgânica, 4% de álcool de origem natural, 1% de conservante proveniente de sínteses permitidas e 2% de ativo vegetal orgânico. Da mesma forma, para ser considerado natural e orgânico, um xampu deve ter em sua composição 12% de tensoativo (100% éter, 40% de açúcar vegetal e 60% de álcool gorduroso de origem natural), 13% de tensoativo anfótero (65% de ácido gorduroso de origem natural e 15% de acetato (síntese química) e 20% de amina (síntese química), 6% de hidrolisado de proteínas vegetais (40% de proteínas vegetais orgânicas e 59,8% de água potável e 0,2% de conservante), 53,7% de água potável, 15% de água floral orgânica e 0,3% de conservante (algumas sínteses permitidas pelo referencial Ecocert).

Fundada em 2001, a Ecocert Brasil conta com sede em Santa Rosa de Lima-SC, filial em Florianópolis-SC e escritório em São Paulo.

Nesse caso, pós ultrafinos, derivados do milho regular, têm característica free-flowing. Pertencentes à família de polímeros Farmal MS 5110, esses polímeros também atuam como modificadores de sensorial. Esse atributo é de grande utilidade principalmente para que os formuladores possam desenvolver emulsões faciais e corporais e filtros solares mais agradáveis ao contato com a pele.

Podendo ser desde derivados do milho, como da cana-de-açúcar, os polímeros vegetais hidrolisados fabricados pela empresa – açúcares produzidos por conversão ácida e/ou enzimática e polióis modificados e submetidos à hidrogenação – conferem propriedades de umectação para hidratantes destinados à pele e aos cabelos, além de dulçor para produtos de higiene oral e plasticidade para sabonetes em barra.

Se for necessário dar cor, uma boa opção natural oferecida pela empresa está na linha de corantes. Em várias tonalidades caramelos, abrangem desde amarelos claros, passando pelo âmbar, até chegar aos marrons mais escuros. As características tanto aniônica como catiônica desses corantes fazem com que possam ser aplicados em sabonetes líquidos, xampus, emulsões e géis para pele e cabelos, incluindo como um dos seus grandes usos os antissépticos bucais.

Os óleos de milho direcionados às aplicações cosméticas também oferecem vantagens relacionadas com sua própria composição natural. Ricos em ácidos oleicos (omega 9), que ajudam a manter a barreira natural da pele, evitam perdas de água e auxiliam na hidratação. Concentrados também em ácidos linoleicos (omega 6), atuam como poderosos agentes antienvelhecimento, e seus ácidos palmíticos promovem maciez, protegendo a pele contra irritações. De acordo com Maria Kelly, todas essas propriedades fazem dos óleos vegetais uma excelente opção para a fabricação de emulsões.

Antibactérias naturais - Outra novidade recém-chegada ao mercado brasileiro está na área de agentes bacteriostáticos naturais. Trata-se de éster de poliglicerol do ácido caprílico, obtido por processo de esterificação de polpas de coco (Cocos nucifera) e também do rapé, com eficácia bacteriostática comprovada para emprego em formulações de desodorantes, hidratantes e deo-colônias.

Denominada comercialmente por Tego Cosmo P 813, essa substância ativa demonstrou em testes in vitro e in vivo superioridade de ação quando comparada com os demais ativos existentes no mercado, apresentando a particularidade de atuar sob demanda e produzir efeito prolongado por até 24 horas, segundo informou Francisco de Souza, da Cosmotec, representante no Brasil de ativos para uso cosmético desenvolvidos pela Evonik (ex-Degussa).

Graças ao seu modo de ação, esse ativo natural é especialmente recomendado para incorporação em cosméticos inteligentes, cuja ação é desencadeada por demanda.

“À medida que a bactéria causadora do mau odor (gênero Corynebacterium) e as demais bactérias presentes na pele (saprófitas) liberam as lípases para degradação das proteínas e resíduos de sudorese presentes na pele para seu metabolismo, essas lípases são capazes de degradar o ativo (éster) em ácido livre, com alta ação desodorante, impedindo o metabolismo e a ação das bactérias na produção do mau odor, ou seja, a ação desodorante do ativo se faz presente quando necessária e, enquanto isso, o éster contribui com maciez e emoliência para a pele”, explicou Souza.

A Evonik também desenvolveu novo emulsionante (A/O) de origem vegetal (açúcar), PEG-free, com indicações para peles sensíveis e que necessitam de hidratação mais intensa, e também para emprego em fotoprotetores e maquiagens, produtos nos quais promove aumento da hidrorresistência das formulações, contribuindo para a sua maior durabilidade. Tanto o agente bacteristático como o emulsionante contam com certificação de origem natural conferida pela Ecocert.

Para fazer face à demanda crescente de especialidades naturais e orgânicas, outros ingredientes já disponíveis ao mercado brasileiro são as ceras orgânicas de abelha. Produzidas pela Kahl, essas ceras propiciam não só espessamento e maior estabilidade às emulsões, como também ajudam a compor maquiagens, como batons e máscaras para cílios.

Outro ativo orgânico já disponível no mercado brasileiro por intermédio da Cosmotec vem da Silab. Trata-se de Osilift Bio, ativo que promove a ação das polioses da aveia, formando filme uniforme e elástico sobre a pele, podendo preencher microfissuras e rugas existentes no relevo da cútis.

Extrato rejuvenesce - A biodiversidade da mata atlântica brasileira ou do seu remanescente depois de séculos de desmatamento também está na mira das pesquisas de novos ingredientes que darão base aos próximos lançamentos a ser realizados pela Chemyunion. Trata-se de dois extratos vegetais obtidos do picão e do camapu. No primeiro caso, o extrato revelou característica antioxidante comprovada para uso em cosméticos antienvelhecimento, sendo capaz de promover a longevidade celular e proteger o DNA. No segundo, o extrato comprovou oferecer luminosidade à pele e proporcionar efeito calmante baseado na ação de neuromediadores.

“Estamos desenvolvendo e prestes a lançar esses dois extratos vegetais baseados em plantas brasileiras provenientes da mata atlântica, obtidas de plantações próprias e renováveis. O plantio foi feito em áreas que contam com certificação orgânica pela Ecocert Brasil e a sustentabilidade decorre do manejo correto, sendo as matérias-primas obtidas por extração em sistema de glicerina vegetal e água”, explicou a farmacêutica Rejane Werka, do departamento de novos negócios da Chemyunion.

Além dos lançamentos, a empresa dispõe de outro item com certificação orgânica. Trata-se do óleo de café (Melscreen Coffee Org) extraído de grãos verdes da espécie “Coffea arábica”, por prensagem a frio.

“Melscreen coffee org pode ser aplicado em formulações dermocosméticas para tratamento do envelhecimento da pele, em cremes e loções hidratantes e em produtos para uso infantil, para lubrificar a pele e regenerar a barreira hidrolipídica constantemente sujeita a agressões, protegendo ainda a pele contra as radiações UV, principalmente contra os raios UVB, com comprovação clínica, e estimulando a síntese das fibras dérmicas e a atividade das aquaporinas”, explicou Rejane.

Brotos vegetais - A energia vital de brotos vegetais também já está a serviço da cosmetologia. Uma aliança firmada entre a ISP e a Jan Dekker Internacional está propiciando a oferta de extratos de brotos vegetais para a composição de cosméticos naturais como cremes e loções. Trata-se da nova linha de ingredientes denominada “Les Concentrés De Vie”, produzida na França com selo Ecocert, e que tem por base os fundamentos da gemoterapia, ciência conhecida na Europa há alguns séculos, que identifica brotos de diferentes plantas para tratamentos e que agora também está sendo direcionada ao embelezamento.

“Os brotos formam a parte embrionária das plantas e apresentam uma divisão celular intensa, concentrando naturalmente altas taxas de ácidos nucleicos”, explica Nelson Perassinoto, gerente técnico de Personal Care da ISP do Brasil.

Ao todo, são cinco categorias de ativos que já se encontram disponíveis. Com brotos de Fícus carica, da família Moraceae, ricos em flavonóides como o ácido clorogênico, foi desenvolvido GemmoSlim, cujo efeito lipolítico é capaz de remodelar a silhueta. Com brotos de Sorbus domestica, da família Rosaceae, ricos em flavonóides como rutina, quercetina e isoquercetina, chegou-se ao GemmoDrain, ativo capaz de ativar a microcirculação. O terceiro ativo representa uma combinação dos dois primeiros e está voltado ao tratamento da celulite. O quarto ativo, denominado GemmoRegule, é formado por extratos de brotos de Viburnum lantana, ricos em flavonóides com propriedades antiinflamatórias, e está voltado para o tratamento de peles sensíveis e reativas. O quinto e último ativo é o GemmoCalm e foi elaborado com base nos brotos de Ribes nigrum, ricos em catequinas e proantocianidinas e também em prodelfinidinas, que já comprovaram ter efetivas propriedades antioxidantes e antiinflamatórias, respectivamente.

 

 

<<< Anterior

Próxima >>>