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Reator para testes da Rodrinox - foto: Cuca
Jorge
Processos mais complexos exigem
aproximação entre fabricantes e clientes
Rose de Moraes
A produção na indústria cosmética pode se
transformar numa atordoante dor de cabeça, a ponto de obrigar engenheiros e
técnicos a estender jornadas de trabalho ou mesmo passar noites em claro ao
lado de misturadores e reatores que não finalizam corretamente as receitas e
derrubam a produtividade e a qualidade dos produtos finais. A perspectiva de
afastar surpresas desagradáveis sempre existe, mas exige o conhecimento
prévio sobre as capacidades e especificidades de cada equipamento a ser
dedicado à produção, além das características dos insumos e dos processos.
Convencidos da importância de conhecer em detalhes as necessidades dos
clientes, vários fornecedores deles se tornaram mais próximos e passaram a
oferecer serviços de testes e auxílio no desenvolvimento de processos,
entrando no mérito até dos ingredientes contidos nas fórmulas e dos
resultados finais esperados, com a finalidade de projetar corretamente os
maquinários. Alguns fabricantes e representantes vão além desses
procedimentos e facilitam mais as escolhas ao abrir as portas de seus
laboratórios para a realização de testes prévios.
Outro aspecto muito importante para nortear compras acertadas deve levar em
conta que a produção cosmética é diversificada, rica em microingredientes, e
vem sendo impelida a adotar boas práticas de fabricação e atender aos
padrões de sanitização cada vez mais próximos dos aplicados nas indústrias
farmacêuticas.
Porém, é justamente pela rigidez dessas condições que vários ganhos estão
sendo alcançados. Como a produção cosmética se tornou mais complexa e
incluiu grande variedade de matérias-primas, ela passou a requerer
equipamentos de maior desempenho, com componentes mais avançados e
aprimorados.
A importância de se proceder à escolha correta do equipamento será
reconhecida a cada tarefa realizada nas fábricas. Portanto, quanto mais
acertada for a seleção, maiores serão os benefícios de qualidade e
produtividade a colher na produção de cosméticos.
Versatilidade - De Bremen, ao norte da Alemanha, onde são fabricados
pela A. Berents, os misturadores da marca Becomix partem para o mundo todo e
fazem há quase quatro décadas fama internacional no setor cosmético.
| Com cerca de 60 unidades já comercializadas
no mercado brasileiro, os Becomix,
além de ostentar a robusta tecnologia alemã, desfrutam de alta reputação
internacional por oferecer grande versatilidade às produções. “Com os
misturadores Becomix, as indústrias fabricam com facilidade suspensões e
emulsões líquidas e pastosas”, diz o engenheiro químico Ari Paes Jr.,
consultor da Egberto Hein, representante da A. Berents no Brasil. |
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| Misturadores Becomix: homogeneização facilita trocas
térmicas |
As misturas mais complexas, que costumam levar à prova a qualidade dos
equipamentos desse tipo, podem compreender desde a produção de xampus
anticaspa, na qual estão previstas reações de precipitação e de decantação
dos ingredientes, até a fabricação de emulsões, como cremes e loções,
preparadas com alta (acima de um milhão de centipoises, ou cps) ou baixa
viscosidade.
Outro forte argumento técnico para justificar a compra desse tipo de
equipamento de alto desempenho está na sua capacidade de homogeneizar os
ingredientes. Isso proporcionará maior estabilidade às emulsões, aumentando
a vida de prateleira dos produtos finais.
“A homogeneização dos ingredientes é muito importante para a produção de
cosméticos porque reduz o tamanho das partículas até a escala de um
micrômetro, característica que não poderá ser obtida com o uso de
equipamentos mais simples, como agitadores e moinhos”, considerou o
consultor Paes. O sistema de homogeneização empregado nos misturadores
Becomix é considerado por Paes como o principal diferencial desse tipo de
equipamento. Ele agrega um misturador do tipo âncora que promove o
deslocamento dos ingredientes próximos das paredes do equipamento para a
região central do misturador, facilitando as trocas térmicas. “Com os
misturadores Becomix, as emulsões podem ser preparadas a quente ou a frio e
as operações ocorrem sob vácuo controlado entre 500 e 700 mmHg, obedecendo
também a todos os parâmetros físicos de aquecimento e resfriamento das
misturas”, acrescentou. A estabilidade das emulsões, segundo ensinou,
depende essencialmente de três fenômenos: a sedimentação, a floculação e a
quebra da emulsão, que irá ocorrer pela coalescência de gotículas dispersas.
Os modelos mais conhecidos da A. Berents e empregados no mercado brasileiro
pertencem à linha RW, nos modelos RWS e RWCD. Projetados com capacidades
desde 2,5 litros até 10 mil litros ou mais, os dois são considerados os mais
sofisticados e versáteis de toda a linha da empresa.
Os misturadores RW têm também a capacidade de transformar lotes piloto em
industriais (scaling up), seguindo os mesmos parâmetros de temperatura,
nível de vácuo, tempo de processamento, velocidade do misturador âncora e do
homogeneizador. Os dois modelos operam com as mesmas velocidades e contam
com sistema de supervisão programado com a função CIP (cleaning in place).
Eles diferem pelo fato de o RWCD agregar um sistema hidráulico de abertura
de tampa, muito útil para realizar operações de limpeza.
A grande vantagem oferecida pelos modelos RW, segundo Paes, é otimizar os
processos, propiciando reduzir os tempos de aquecimento e resfriamento das
misturas. Ele deu como exemplo a produção de um lote de 3 mil litros que
demandaria cerca de seis horas com o uso de tecnologias menos sofisticadas,
podendo, contudo, ser abreviada para pouco mais de duas horas com os
equipamentos da linha RW.
No mercado brasileiro, onde se encontram instalados equipamentos com
capacidades entre 2,5 litros até 8 mil litros, a preferência das indústrias,
de acordo com Paes, recai nos modelos mais sofisticados. Em outros países
são mais requisitados os modelos mais simples, como os LVM. Com capacidades
que variam de 125 litros até 15 mil litros ou mais, os misturadores da linha
LVM são recomendados principalmente para a fabricação de xampus, loções,
condicionadores e perfumes, não se aplicando, porém, à fabricação de
produtos de alta viscosidade, como cremes, géis e bronzeadores.
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