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ATUALIDADES
PETRÓLEO
Recôncavo quer ampliar
tratamento da Petrobras
A
estação de tratamento de óleo (ETO) reservada pela Petrobras para receber o
óleo extraído dos campos marginais do Recôncavo Baiano, arrematados
tamponados nos leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2005 e
2006, está recebendo, diariamente, apenas o conteúdo de cinco carretas (150
m³, ou 950 barris), quantidade aquém da produção das petroleiras
arrematadoras.
| “Estamos pleiteando a ampliação da estação
para 2 mil barris/dia ou, alternativamente, a extensão do horário de
recebimento para o turno da noite”, revela Anabal Santos Jr., diretor-executivo da Associação
das Empresas Produtoras de Petróleo e Gás Natural Extraídos de Campos
Marginais do Brasil (Appom). Em julho, as 24 associadas à Appom, situadas no
Nordeste, romperam a barreira de 2.500 barris/dia. |
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| Santos: projeto de estação própria afetado com a
crise |
Antes de reservar uma ETO para tratar a produção dos campos marginais do
Recôncavo, a Petrobras exigia a entrega do óleo já tratado, isento da água
que contém ao sair do poço. Essa exigência travou a possibilidade de
negociação com as pequenas petroleiras, sem meios para tratar o próprio
óleo. A Petrobras alegava que a exigência se devia ao fato de a capacidade
de tratamento de petróleo no Recôncavo estar esgotada. Mas, sob pressão,
recuou e prometeu, então, destinar uma ETO à produção dos pequenos
produtores, promessa honrada em setembro.
O óleo que excede a capacidade de tratamento dessa ETO está sendo vendido a
uma minirrefinaria situada no Estado de São Paulo, a Univen, para onde
segue, diariamente, a bordo de duas ou três carretas, ainda com a mesma
composição impregnada de água que sai do poço. Este “turismo”, queixam-se as
petroleiras, passou a ser ainda mais gravoso em razão das recentes reduções
do preço do petróleo.
Anabal revela que a Univen tem planos para se estabelecer no Nordeste, porém
em Pernambuco, onde centralizaria com mais vantagem logística o refino da
produção marginal extraída nas bacias do Maranhão, Rio Grande do Norte
(Potiguar), Alagoas-Sergipe e Bahia (Recôncavo). Para a Bahia, o plano prevê
apenas a instalação de uma ETO.
O executivo revela também que, no começo de 2008, a Petrobras chegou a
sugerir que a Appom construísse sua própria ETO, no município de São
Sebastião do Passé, para tratar o óleo das pequenas petroleiras. Mas,
recentemente, desistiu da ideia. Prometeu, então, que arcaria com o
investimento e o inauguraria em dezembro de 2009. Anabal torce para que a
promessa seja cumprida, mas lamenta que “alguns meses tenham sido perdidos”.
Ele explica que a Appom chegou a aceitar a sugestão da Petrobras e
mobilizou-se para construir a ETO própria, com capacidade inicial de 2 mil
barris/dia operando em três turnos, e com investimento em torno de R$ 5
milhões em tanques, bombas, iluminação, combate a incêndio e infraestrutura.
“O investimento era considerado alto pelas associadas, mas era também a
única possibilidade para resolver a questão definitivamente”, relata. Ele
admite que agora, em razão “desta drástica redução no preço do petróleo”,
seria mais difícil executar o projeto. A tendência é recorrer ao governo da
Bahia em busca de apoio para que seja construída no estado “uma ETO para
atender as pequenas e médias empresas baianas produtoras de petróleo”.
Em virtude desse projeto, a Appom chegou a desenvolver um “inovador” modelo
de compra e venda do óleo, apresentado à Petrobras em julho. A ideia era
entregar à estatal uma blenda de todas as misturas. “Cada produtor
entregaria o seu óleo já precificado, de acordo com o teor de água e o grau
API, e a ETO faria a mistura, seguiria a receita do bolo”, esclarece o
diretor-executivo. No final do mês, a Petrobras pagaria a fatura e a Appom
deduziria as despesas e repassaria o líquido aos produtores.
Caracterização – Outra questão ainda não superada é a caracterização do óleo
dos pequenos produtores, exigida pela Petrobras para fechar negócio,
providência que passa pela análise da curva PC (pressão-volume)
determinadora do grau API. No Brasil, tal procedimento só é feito no
laboratório da própria Petrobras, o Cenpes, que, entretanto, alega falta de
disponibilidade para atender os associados da Appom.
Com isso, os pequenos produtores têm duas opções: recorrer a um laboratório
da Inglaterra, ao custo de US$ 20 mil; ou vender o óleo para a Univen, “que
dispensa a caracterização e fecha o negócio em 24 horas”. A desvantagem é o
frete para São Paulo – do óleo e da água contida.
Campos em falta – O preço altamente remunerador que perdurou até
recentemente responde, presumivelmente, pela determinação da Petrobras de
secar até a última gota os declinantes campos do Recôncavo. Entre os
pequenos empresários supõe-se que se em vez de tão alta, até a queda
ocorrida no último trimestre de 2008, a cotação tivesse permanecido abaixo
de US$ 50 ou US$ 40, centenas de poços já teriam sido tamponados e
devolvidos à Agência Nacional de Petróleo (ANP) para leilão.
A falta de campos está barrando a expansão da pequena atividade de extração,
tocada pelos pequenos capitais que formam entusiasmadas petroleiras para
participar dos leilões da ANP. Em evento organizado em Salvador pelo
Instituto Brasileiro do Petróleo (o Brasil On Shore), o gerente-executivo da
Petrobras para o NO/NE, Cristóvão Penteado, reafirmou, sem detalhes, que a
empresa não tem planos de liberar outros campos.
A chamada “rodadinha”, que estava prevista para dezembro, junto com a 10ª
Rodada de Leilões, foi adiada para abril justamente pela falta do que
oferecer. A oferta estaria reduzida a 18 campos do Recôncavo não arrematados
nos leilões anteriores, todos considerados “raspados”.
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Oficialmente, a ANP
alegou que o adiamento se devia à necessidade de estabelecer melhor
entendimento com o Ibama, a fim de evitar eventuais interrupções quando a
produção fosse restabelecida, por motivos de proteção ao ambiente. “A ANP
não quer implicações ambientais”, comunicou um técnico da agência. “Queremos
que a autoridade ambiental estabeleça antecipadamente quais seriam as
condicionantes e exigências”, arrematou. A plateia fingiu que acreditou.
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| Lima quer convencer governo federal a indenizar a
Petrobras |
Em outra ocasião, na Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), o presidente
da ANP, Haroldo Lima, disse a esta revista que está empenhado em convencer o
governo federal a indenizar a Petrobras, em troca da devolução de campos
declinantes. Ele costuma citar os bons resultados de outros países para
defender a “imprescindibilidade” de impulsionar a incipiente atividade das
pequenas petroleiras.
Lima avalia que 157 campos, com aproximadamente 3 mil poços, poderiam a
princípio ser devolvidos à ANP. Ressalva, entretanto, que cabe à Petrobras
decidir quando um campo realmente se torna subcomercial e, consequentemente,
deve ser tamponado e devolvido, como reza a Lei do Petróleo.
José Valverde
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