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Com ICI, AkzoNobel quer crescer nos emergentes

Depois de passar os últimos oito anos sob intensa reestruturação de seus negócios, a holandesa AkzoNobel concluiu o processo que a permite consolidar sua liderança mundial no segmento de tintas e revestimentos e pegar carona nas previsões de crescimento nos mercados dos países emergentes. Com o portfólio mais enxuto e focado, a empresa também se prepara para digerir a compra da anglo-saxônica ICI, concretizada em janeiro deste ano por £ 8 bilhões (cerca de US$ 16,3 bilhões).

Em meados de 2000, metade do faturamento da AkzoNobel vinha da unidade de negócios de produtos farmacêuticos. De lá para cá, a companhia realizou um programa de desinvestimentos de mais de € 1,7 bilhão, desfez-se de inúmeros negócios, incluindo o de farmacêuticos, e concentrou-se em três grandes áreas: tintas decorativas, revestimentos de alto desempenho e especialidades químicas. Essas mudanças, segundo o chief executive officer da empresa (CEO, ou diretor-executivo), Hans Wijers, foram tomadas deliberadamente com o intuito de criar posições de liderança mundial. Outra direção seguida foi o reforço da atuação em mercados emergentes da Ásia e da América Latina, onde Wijers supõe haver grande potencial de crescimento.

O CEO justificou esse movimento utilizando a clássica comparação entre a demanda por alguns produtos industriais em mercados maduros e emergentes. Segundo ele, nos países desenvolvidos ocidentais, o consumo per capita de tintas, revestimentos industriais e de uso especial, plásticos e papel é de, respectivamente, 8 l, 13 l, 100 kg e 170 kg. Nos países emergentes, caso do Brasil, esses números se reduziriam a menos de 2 l (tintas), menos de 6 l (revestimentos industriais e de uso especial), 20 kg (plástico) e 25 kg (papel). Essas discrepâncias seriam o lastro para o investimento nas economias que estão emergindo para o mundo maduro, mas é possível acrescentar 2 bilhões de consumidores à economia mundial mantendo o criticado padrão de consumo de europeus e americanos? Wijers avalia que sim: “Sou um dos otimistas que crêem que a indústria será capaz de continuar aumentando a qualidade de vida e abrindo o mercado para grandes quantidades de pessoas que ainda não estão participando da economia mundial, ao mesmo tempo em que se torna mais sustentável. Ainda há muito há fazer em termos de reciclagem, redução dos resíduos e do consumo de energia, e utilização de novas fontes de energia”, disse. Os mercados emergentes representam 35% das vendas da companhia holandesa e 39% do lucro antes dos encargos financeiros e impostos (EBIT, na sigla em inglês).

Aquisição cria gigante – Com a aquisição da britânica Imperial Chemical Industries, mais conhecida pelo acrônimo ICI, a AkzoNobel se tornou “de longe” a maior indústria de tintas e revestimentos do planeta, com vendas de € 14,4 bilhões e lucro líquido de € 903 milhões em 2007 (resultado pro forma). A aquisição reforçou especialmente a atuação em tintas decorativas, onde a compradora também galgou a primeira posição mundial. No Brasil, os reflexos da transação serão sentidos com maior ênfase nesse mesmo segmento, em parte por causa do fato da ICI, dona da marca Coral, possuir portfólio local muito mais amplo que o de sua compradora – o negócio da Coral era significativamente maior que o das tintas Ypiranga e Wanda, da AkzoNobel. Por conta desse fato, o segmento de tintas decorativas, que respondia por 20% do faturamento obtido com revestimentos, em 2007, deverá responder por 64% desse valor em 2008.

Wijers afirmou que há uma certa sobreposição entre as marcas de tintas decorativas das empresas, mas que a Coral deverá ser reservada a produtos premium, enquanto as outras marcas não serão descontinuadas, mas focadas em necessidades específicas dos clientes. Os planos para os antigos produtos da ICI, no entanto, ainda não foram completamente definidos.

Com vendas de € 580 milhões em 2007, e perspectiva de € 700 milhões em 2008, o Brasil já é um dos mercados mais importantes para a empresa. Se forem concretizadas as projeções, em 2008 5% do faturamento global será obtido pela operação brasileira.

No país, a AkzoNobel é líder em revestimentos para aplicações marinhas, aeroespaciais e em iates, e “pinta” desde aviões da Embraer a tubulações e plataformas off-shore da Petrobras. Também é uma das líderes em repintura automotiva, e com sua unidade de especialidades químicas lidera o setor de clorato de sódio para a indústria de celulose local.

Márcio Azevedo

 
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