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PROCESSO
Bayer usa oleoquímica para produzir polióis

A Bayer MaterialScience desenvolveu um novo método de produção de polióis com base em óleos naturais (natural oil polyols, ou NOPs). O processo, designado para a produção de NOPs a serem utilizados na síntese de espumas rígidas de PU, possibilita a obtenção de polióis com elevado teor de componentes derivados de óleos vegetais.

Substâncias naturais como açúcar, glicerina e sorbitol já são empregadas na obtenção de polióis – junto com os isocianatos, as duas matérias-primas básicas necessárias à polimerização de PUs. Também existe grande interesse da indústria na pesquisa de polióis derivados de óleos vegetais, uma vez que possuem superior conteúdo de matérias-primas obtidas de fontes renováveis, em comparação a polióis petroquímicos de origem fóssil.

As opções “verdes” até então disponíveis no mercado, entretanto, apresentavam algumas desvantagens que limitavam seu uso na síntese de PUs. De acordo com o cientista sênior dr. Klaus Lorenz, do Departamento de Desenvolvimento de Processo da Bayer MaterialScience, o processo que a companhia criou combina duas reações químicas diferentes (alcoxilação e transesterificação) em um único estágio e resulta em polióis com a mesma faixa de propriedades e diversidade estrutural dos convencionais petroquímicos. Usando diversos agentes expansores comuns no mercado, as espumas rígidas obtidas dos novos NOPs apresentaram características que, em alguns casos, até superam as das tradicionais.

A compatibilidade excepcional com polióis petroquímicos também permite que a quantidade de NOPs especificada em formulações seja elevada. Desse modo, as novas espumas satisfazem facilmente a diretriz de aquisições do governo dos Estados Unidos que acorda tratamento preferencial a produtos feitos de matérias-primas renováveis. A diretriz, baseada em uma proposta do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA), instrui instituições públicas em busca de produtos, incluindo materiais de construção que, para serem classificados como “biopreferidos”, devem conter um teor mínimo de substâncias obtidas de fontes renováveis. No caso de isolantes térmicos para a construção civil (a principal aplicação de espumas rígidas de PU), a espuma rígida necessita de, no mínimo, 8% de conteúdo renovável para atender a essa exigência.

Enquanto poliéter polióis baseados em açúcar podem conter até 30% de conteúdo renovável, a nova tecnologia criada pela Bayer MaterialScience leva a NOPs com teores entre 40% e 70%, e a espumas rígidas que contêm entre 10% e 15% de matéria renovável, superando com folga a exigência norte-americana. “A nova tecnologia nos dá uma vantagem significativa no mercado-chave de materiais renováveis usados na manufatura de PUs”, explica o dr. Peter Seifert, da Gerência Global de Produtos de Poliéter da Bayer MaterialScience.

O desenvolvimento de formulações contendo NOPs está sendo realizado na região do NAFTA, com foco em aplicações de espumas rígidas de PUR (poliuretano reativo) e PIR (poliisocianurato) na indústria de construção. A conclusão dos trabalhos nessa área e a implementação inicial estão previstas para o segundo semestre de 2008.

Márcio Azevedo

 
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