EMPRESA Carbono amplia linha de produtos ‘verdes’ A diretora-presidente da Carbono Química, Vera Gabriel, gosta de evocar a imagem de um organismo vivo para ilustrar a forma como acompanhou de perto todas as etapas de crescimento da empresa, nos últimos trinta anos. Da infância à adolescência até atingir a idade adulta, a Carbono alterou periodicamente seus conceitos mercadológicos, à medida da diversificação de suas atividades e crescimento na linha do tempo. Segundo Vera Gabriel, hoje a Carbono dispõe do cadastro de aproximadamente 2,9 mil clientes que, em 2007, lhe proporcionaram o faturamento de R$ 167 milhões nos segmentos abrangidos pelos fabricantes de solventes, colas, tintas, resinas, vernizes, adesivos, borrachas e defensivos agrícolas. A pequena empresa monoprodutora, especializada em tratar e comercializar querosene, que entrou no mercado desde 1978 – sob a direção do empresário de transportes Alfredo Miraglia, pai de Vera Gabriel – se ampliou ao absorver a experiência das distribuidoras incorporadas, dentro de uma política de aquisições das revendas e prestadoras de serviços no segmento de derivados de petróleo, entre elas a Dipel, a Nitrocel e a Gestão Máxima. Nesse primeiro período, até o final da década de 1980, o foco de projeção da empresa buscava transmitir sua imagem como a melhor opção no mercado para a fatia de distribuição confiável de produtos químicos e petroquímicos. Tempos depois, já em 2005, o conceito da Carbono como a melhor e mais confiável opção se desdobrou e a essa idéia foi agregada um novo valor referencial, com o objetivo de promover a empresa também como formuladora de soluções, com capacidade executiva para superar desafios. Essa é a marca da imagem que permanece atualmente. Para justificar o tom ousado na sua proposta de vencer desafios, como tomar a iniciativa da fabricação própria de alguns produtos há três anos – de acordo com Vera Gabriel. Ou, mais recentemente, estar entre as distribuidoras responsáveis pelo pioneirismo no ingresso do mercado nacional no novo ciclo dos produtos ecologicamente corretos. Após consolidar um intercâmbio comercial com a empresa francesa BioSynt Biocombustíveis para a distribuição de produtos de origem vegetal, em setembro deste ano foi lançada no mercado brasileiro uma linha composta por desengripantes, graxas e fluidos de corte à base de substratos vegetais totalmente biodegradáveis, que custaram 25 anos de pesquisas para ser desenvolvidos. A preferência pelos chamados solventes sustentáveis aumenta na mesma proporção das leis internacionais restritivas aos aromáticos que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) deverá acompanhar no país, segundo prevê a diretora-presidente da Carbono Química.
a idéia central é operar as questões ambientalistas sob os princípios da responsabilidade social e da sustentabilidade com produtos ecologicamente equilibrados da chamada química verde – quarta geração de solventes em substituição aos clorados (em 1920), hidrocarbonetos (1940) e solventes oxigenados (1960). Vera Gabriel disse que os mecanismos desenvolvidos pela empresa para o armazenamento e transporte seguro de produtos químicos, como forma de prevenção de danos ao meio ambiente, é oferecido como plus em seus serviços aos clientes – enquanto as certificações do Programa de Distribuição Responsável (Prodir) e ISO respaldam as ações ambientais pela cadeia produtiva da empresa. Esse amadurecimento da companhia nos aspectos da sustentabilidade e da responsabilidade social é acompanhado por uma série de providências em sua estrutura: “A Carbono ainda pode ser considerada uma empresa familiar, mas estamos caminhando a passos largos para a profissionalização”, informa a presidente. O filho de Vera, Rodrigo João Gabriel, disse que a Carbono já avançou na preparação para a profissionalização. Segundo ele, em sua origem esse processo começou a se desenvolver com a contratação de uma consultoria externa, visando o crescimento da governança corporativa da empresa – seja por meio do trabalho da família ou de profissionais – com a clara separação entre a propriedade da empresa e o capital da família. “Essa separação é tanto física, quanto de percepção de trabalho dos sócios da empresa”, esclareceu Rodrigo. “Agora estamos criando outras ferramentas, como o conselho de administração, as limitações, regras e pré-requisitos para um familiar ser admitido como funcionário na empresa”, completou. Ele disse ainda que o resultado de todo esse processo em termos de conhecimento ficará depositado em um novo empreendimento do grupo, uma ramificação para desenvolver novas tecnologias e prestar serviços para o grupo e seus clientes: a Carbono Engenharia, que deverá entrar em operação até o final de 2008. Hilton Libos |
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