atualidades  

GASES
Linde centraliza toda a operação das fábricas

A Linde investiu R$ 3 milhões para inaugurar, em agosto, um centro de operações integrado na cidade de Jundiaí-SP. Com os computadores instalados nessa central, cinqüenta especialistas da companhia poderão operar as 47 fábricas próprias e unidades de geração de gases dedicadas a clientes de grande porte em toda a América do Sul, além de gerenciar as atividades logísticas correspondentes.

“Queremos aprimorar nossos serviços, buscando a máxima eficiência operacional”, afirmou Clemis Miki, presidente da Linde América do Sul. A companhia de origem alemã adquiriu a AGA (2000) e a BOC (2006), assumindo suas unidades produtivas e participação de mercado. Miki explicou que a forma convencional de operação descentralizada é incapaz de justificar investimentos maiores na qualificação profissional, uma vez que os operadores de campo ficam restritos a uma única fábrica. Também seria inviável implantar os sofisticados softwares de controle avançado e otimização em cada um dos sites.

Ao centralizar a operação das suas fábricas, foi possível reunir uma equipe de operadores experientes e capacitados para conduzir os processos nos pontos ótimos de eficiência operacional, com menores custos, especialmente de eletricidade, o item de maior peso nas despesas. Essa equipe de operadores é apoiada por técnicos altamente

Divulgação

Miki: operação centralizada usa softwares de controle avançado

especializados, que estudam cada processo para localizar pontos de melhoria. Sugestões podem ser colocadas em um simulador, permitindo antecipar problemas e alternativas.

Miki salientou que o pessoal de campo terá preservada a sua importância, porém dedicará mais tempo para intervenções de manutenção (a maioria das quais determinada pelas ferramentas de diagnóstico disponíveis no sistema central) e para operações logísticas. Além disso, esse pessoal pode assumir o comando das plantas em situações de emergência.

A centralização operacional terá efeitos diretos nas grandes separadoras de ar criogênicas, produtoras de nitrogênio, oxigênio e argônio. “Essas unidades são as que demandam controle avançado de processos”, comentou. As geradoras on site pedem monitoramento fino de operação, enquanto as geradoras de hidrogênio de pequeno porte operam no sistema de liga e desliga, acompanhando a demanda dos clientes. Na região, a Linde conta com dezenove plantas criogênicas, oito de CO2, catorze on site para nitrogênio ou oxigênio (Ecovar), seis produtoras de hidrogênio e uma de monóxido de carbono. Esse parque suporta vendas anuais na casa dos 508 milhões de euros realizadas com cerca de 10 mil clientes.

Tendo em vista a garantia da confiabilidade do sistema, os dados trafegam entre a central e as plantas pela rede telefônica, mediante um contrato especial, sempre usando fibras ópticas. Além disso, foi montada uma rede de transmissão por ondas para uso em caso de falha na rede principal.

Interessante saber que a companhia conta com sistemas operacionais de várias procedências, até pelo fato de ter adquirido várias fábricas de antigos concorrentes. “Os sistemas não foram padronizados neste momento, mas há uma interface que permite a comunicação entre eles e a central”, disse Miki. “No futuro, deveremos investir na padronização.” A região deverá adotar até 2011 o sistema SAP de ERP (enterprise resource planning, plataforma de gestão empresarial integrada, interligando a alta administração aos setores operacionais e comerciais) para a integração total das atividades. Até lá, os pedidos dos clientes ainda serão encaminhados off line da área de vendas para a central. Atualmente, porém, todos os dados gerados pelas fábricas são imediatamente armazenados nos servidores da Linde na Alemanha, possibilitando avaliações imediatas e estudos de longo prazo.

“Quando alguma coisa dá errado em qualquer fábrica da Linde no mundo, um alarme dispara na minha sala na Alemanha”, disse Ralf Speth, diretor global de operações. Ele comentou que a centralização regional é uma tendência mundial, já aplicada na Europa e em outras regiões com sucesso. O software de controle avançado permite visualizar imediatamente qualquer variação na eficiência do processo e na produtividade de cada fábrica, por meio de curvas com dados instantâneos e análises de tendência. Essas informações permitem adotar manobras corretivas e programar intervenções de manutenção nos momentos mais adequados.

No entanto, o desenvolvimento desses softwares, realizado pela companhia, exigiu pesados investimentos que só oferecem resultados interessantes quando operados por pessoal qualificado e muito bem treinado. Mesmo os técnicos trazidos das próprias fábricas da Linde – dez dos cinqüenta

Divulgação

Speth: sistema reduz consumo de energia e aumenta a segurança

funcionários da central de Jundiaí – passaram por meses de adaptação aos programas. “Como usamos os mesmos softwares em todo o mundo, esses profissionais passaram a contar com a possibilidade de desenvolver uma carreira internacional na própria companhia”, afirmou Speth.

Além das vantagens operacionais e econômicas, o diretor global salientou que o sistema oferece melhorias no aspecto ambiental, pela redução do consumo de energia que propicia, além de introduzir padrões mais elevados de segurança. Aliás, a central opera 24 horas por dia, em regime de turnos.

M. Fairbanks

 
  <<< Anterior
Próxima >>>