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Linde constrói mais uma unidade em Camaçari

A Linde Gases, unidade brasileira do grupo Linde, está prestes a iniciar em Camaçari-BA a construção de sua 11a unidade de produção, a quinta dedicada à fabricação simultânea de oxigênio, nitrogênio e argônio.

Essa unidade, uma fábrica para 100 mil t/ano dos três gases – investimento de R$ 100 milhões –, é a terceira a ser construída pela Linde Gases desde 2000, quando a sueca AGA foi comprada pela alemã Linde AG, incluindo as unidades brasileiras. A segunda das três fábricas pós-2000, também de oxigênio, nitrogênio e argônio, ainda está em fase de montagem, no Rio de Janeiro.

A compra da AGA foi o desfecho de um processo iniciado com a oferta pública do grupo Linde AG pela sueca AGA mundial, negócio aprovado pela Comissão Européia em fevereiro de 2000. No Brasil, a AGA atuava desde 1915, quando iniciou suas atividades com uma fábrica de acetileno no Rio de Janeiro, para suprir o mercado de sinalização náutica.

São também posteriores a 2000 as instalações de duas unidades on site – uma de nitrogênio, no Rio de Janeiro, inaugurada em 2004; outra de oxigênio, em Eunápolis-BA, para suprir a unidade química da EKA, dentro da fábrica de celulose da Veracell.

Mercados – Na Grande Salvador, os principais mercados visados para os três gases são as fábricas de alimentos, as indústrias química e petroquímica, e todas que incluam tratamentos térmicos (nitrogênio); siderúrgicas e fábricas de papel e celulose (oxigênio); indústrias metalomecânica e siderúrgica (argônio). 

O chairman e diretor de Negócios, José Fernando Rodrigues, anuncia que até 2012 ocorrerão construções de fábricas e início de novas operações on site suficientes para dobrar o volume de gases produzido em 2006 e elevar a participação no market share, atualmente “na ordem de 14%”. O faturamento, que hoje “atinge a marca de 200 milhões de euros/ano, deve dobrar em cinco anos”.

José Fernando revela também que a empresa está atenta às oportunidades em todos os estados, principalmente onde há previsões de projetos nos ramos da química e petroquímica; papel e celulose; siderurgia; e alimentos, os que mais demandam gases. “Estamos olhando para o Brasil inteiro, avaliando oportunidades em Pernambuco, Ceará, Maranhão e outros estados, sem esquecer os do Sul e Sudeste.”

Além dos três gases do ar, a Linde produz hidrogênio, dióxido de carbono, acetileno e gases especiais. “Os especiais são gases raros, da mais alta pureza e misturas de elevada precisão, utilizados em aplicações muito exigentes por uma ampla variedade de setores industriais.”

Rodrigues: meta é dobrar a produção até 2012

O executivo explica que a construção de “fábricas modernas” é fundamental para reduzir o consumo de energia elétrica, a matéria-prima que move os compressores. “Nos últimos trinta anos o nosso consumo específico deve ter sido reduzido em até 50%”, ressalta.

Assegura que a mesma ênfase no desenvolvimento tecnológico é extensiva ao cliente. “Não é só entregar, entramos um pouco no processo do cliente, vamos atrás da melhor logística, do volume adequado e da forma de usar o gás para proporcionar o maior valor agregado.” E arremata: “É o nosso diferencial competitivo.”

As 5 etapas para gerar os gases

Este é o processo passo a passo que resulta na destilação dos três gases atmosféricos que serão produzidos na Bahia – nitrogênio (N2), oxigênio (O2) e argônio (Ar).

1. O ar é aspirado do ambiente, filtrado para remoção das partículas sólidas e contaminantes; 2. É comprimido a cerca de seis vezes a pressão atmosférica; 3. Passa para a unidade de refrigeração, onde atinge menos 5 graus centígrados (quando a maior parte da umidade se condensa e é removida); 4. Passa então pela peneira molecular, que absorve CO2, hidrocarbonetos, outros contaminantes e o restante da umidade; 5. Assim purificado é refrigerado por expansão a aproximadamente -170 graus centígrados; 6. Entra na coluna de retificação, quando são então destilados por separação criogênica:  o N2 a -196oC; o O2 a -183°C e o Ar a -186ºC.

Nova identidade – No mundo, desde 2006, ano em que fez nova aquisição global, a da britânica BOC, o grupo Linde se apresenta como líder mundial do setor de gases industriais e hospitalares.

No Brasil, desde dezembro de 2006, quando a marca Linde foi adotada em substituição à da AGA, as unidades comerciais, produtivas e a frota de distribuição vão recebendo a nova identidade visual, “de acordo com um planejamento estabelecido para os próximos anos”.

José Valverde

 

 
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