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Doping sob controle em Pequim

Nas últimas edições dos Jogos Olímpicos, alguns atletas da elite mundial perderam as medalhas conquistadas por terem sido flagrados nos exames antidoping. O número de vexames proporcionados por ídolos esportivos tem crescido à medida que a tecnologia de combate ao uso de substâncias proibidas aumenta. Na edição dos jogos em Pequim, o desafio de burlar o espírito esportivo será ainda mais difícil do que em competições anteriores. Assim garante a organização da competição, respaldada pela aquisição de equipamentos de última geração para a realização de testes.

A principal fornecedora de instrumentos para os jogos é a multinacional Agilent Technologies, que comercializou 45 aparelhos para o comitê olímpico chinês. Destes, 18 são cromatógrafos líquidos e 19 cromatógrafos gasosos. Esses 37 instrumentos contam com espectômetros de massa acoplados. As características dos demais aparelhos são mantidas em sigilo pela fabricante de equipamentos. A empresa também foi responsável pelo treinamento dos técnicos responsáveis pela realização dos exames. A aquisição movimentou cifra de US$ 6 milhões.

Atletas devem ceder cerca de 4,5 mil amostras para testes

De acordo com André Santos, gerente de análises químicas da Agilent, os instrumentos comercializados têm como objetivos confirmar e quantificar as centenas de substâncias proibidas para os atletas, apontadas pelos cientistas da Agência Mundial Antidoping (WADA). São equipamentos constantemente aperfeiçoados e dotados com engenharia à prova de fraudes.

As substâncias proibidas estão divididas em seis grandes categorias: estimulantes, como anfetaminas e cafeí­na, entre outros, usados para aumentar o grau de alerta e agressividade e para reduzir a fadiga durante competições de esportes como corridas de longa distância e ciclismo, entre outras; esteróides e agentes anabólicos, entre eles testosterona e nandrolona, que aumentam a massa e força muscular e ajudam atletas de todas as modalidades, em especial levantadores de peso e ginastas; narcóticos, como heroína, morfina e metadona, voltados para reduzir a sensibilidade à dor e usados por praticantes de boxe, esportes de contato e outros que exigem rápida recuperação; diuréticos, como dexatrim e manitol, usados em esportes de elevado esforço físico para perder peso ou eliminar outros tipos de droga por meio de diluição na urina; hormônios peptídicos e outras substâncias relacionadas, que colaboram com a resistência ao esforço em esportes variados, entre os quais ciclismo e corridas de longa distância; e as drogas que não são usadas para melhorar o rendimento, como maconha, corticosteróides e anestésicos locais.

Ao todo, durante as duas semanas de duração das Olimpíadas, deverão ser testadas em torno de 4,5 mil amostras. Os exames de urina são os mais utilizados. Em determinados casos, conforme as propriedades da substância a ser avaliada, são feitos testes de sangue. Cada exame se inicia com uma varredura do material analisado, na qual são detectadas as presenças de substâncias proibidas em primeira estância. Nesses casos, são feitos testes de maior profundidade nos equipamentos indicados. Confirmado o resultado positivo, é feita a contraprova em outro material do mesmo atleta, na presença de uma testemunha indicada pelo esportista flagrado e de representantes da WADA.

Espectrômetro Agilent fornecido ao comitê olímpico

“Os exames são feitos em poucos minutos, o que demora mais é a purificação da urina ou do sangue que serão analisados”, explica Santos. “As substâncias mais difíceis de serem detectadas são os hormônios peptídicos e substâncias relacionadas, por se tratarem de compostos produzidos naturalmente pelo corpo humano”, diz Reinaldo Castanheira, diretor de operações da Agilent.

Castanheira explica que os instrumentos utilizados têm funcionamento semelhante ao dos cromatógrafos e espectômetros de massa usados pela indústria. O que os difere é a elevada precisão, capaz de detectar índices mínimos das substâncias, em quantidades muito aquém das recomendadas para os esportistas. “Os instrumentos são capazes de detectar a presença de qualquer substância sem qualquer margem de erro, desde que programados para isso”, informa. O que ocorre, às vezes, é a utilização, por parte do atleta, de uma substância nova, que não se encontra na lista elaborada pela WADA. “Temos duas corridas, uma dos especialistas em criar novas substâncias dopantes e outra dos que combatem as fraudes”, diz o diretor.

A Agilent é uma empresa especializada em medições que apresenta receita anual de US$ 5,4 bilhões, dos quais 60% são gerados fora dos Estados Unidos. Com mais de 19 mil funcionários, ela conta com clientes em mais de 110 países. O Brasil fatura 40% do total dos negócios da empresa na América Latina, cujas cifras não são reveladas. Aqui, os principais clientes da empresa são as indústrias petroquímica, farmacêutica, de cosméticos e bebidas, entre outras. No campo esportivo, a empresa comercializou nove equipamentos para os testes realizados nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Esses instrumentos, instalados na Universidade Federal do Rio de Janeiro, agora são usados para os testes realizados pelos atletas que disputam o Campeonato Brasileiro de Futebol.

José Paulo Sant’Anna

 

 
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