EQUIPAMENTOS Abimaq quer suprir programa de modernização venezuelano Há uma nova possibilidade de negócios para a indústria nacional de máquinas e equipamentos. Isso porque o governo da Venezuela começa a colocar em prática um projeto de industrialização para dar ao país maior autonomia e domínio tecnológico em setores atualmente muito dependentes de importação. E, como um dos doze países convidados a fazer parte do projeto, participando de várias concorrências, o Brasil será representado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que será a reponsável por pesquisar, selecionar e recrutar as indústrias de bens capital nacionais com capacidade para fornecer o maquinário para as novas unidades fabris venezuelanas. Conforme a Abimaq, uma das prioridades será a área de alimentação, em que o índice de importação supera 80%. Para diminuir a dependência externa, a Venezuela pretende construir 200 fábricas estatais, das quais 61 serão voltadas especificamente para o processamento de alimentos e as restantes, para as áreas de máquinas e equipamentos, vestuário, saúde, transporte, eletroeletrônica, entre outras, totalizando investimentos estimados da ordem de US$ 3 bilhões. A diretoria de mercado externo da Abimaq está há meses preparando seu papel de coordenação, desde quando foi assinado o programa de cooperação industrial entre os governos do Brasil e da Venezuela. Desde março de 2008 até agora, foram realizadas quatro reuniões – três delas no Brasil e uma na Venezuela – entre a delegação venezuelana e os industriais nacionais, já abrindo perspectivas de exportações para breve. Inicialmente, a cooperação brasileira visa a construção de 73 fábricas, sendo que já foram definidos sete tipos de projeto para 11 unidades produtivas voltadas para a fabricação de equipamentos para processamento de alimentos e embalagens de metal. Em uma segunda fase, será a vez de equipamentos para refrigeração industrial, tubos de PVC e siderúrgicas de pequeno porte. Estimativas iniciais prevêem que os investimentos para as fábricas com a participação brasileira somam cerca de US$ 200 milhões. Participa ainda do projeto a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, encarregada de fazer toda a articulação entre o setor privado brasileiro e o governo da Venezuela. Como resultado inicial do trabalho da Abimaq, oito empresas da área de bens de capital brasileiras já iniciaram as negociações com as companhias estatais ligadas ao Ministério da Indústria Leve da Venezuela. A Siminox, fabricante de equipamentos para a indústria alimentícia, apresentou proposta para a implantação de quatro fábricas para processamento de frutas, verduras e legumes. A Indústria de Máquinas Moreno também apresentou proposta técnica detalhada para o fornecimento de três fábricas para produção de latas para acondicionamento de alimentos, e a Toledo, fabricante de balanças, apresentou proposta de equipamentos para várias plantas. Há um clima de otimismo no projeto, por parte dos brasileiros, tendo em vista que o governo venezuelano sinaliza grande interesse na cooperação com o Brasi, em virtude da proximidade física, cultural e lingüística entre os dois países. Marcelo Furtado |
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