atualidades  

TINTAS
Novo conselho da Abrafati reitera as diretrizes

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abra­fati) apresentou, em junho, o novo presidente do Conselho Diretivo, Fernando Val y Val Peres. Eleito em 24 de abril para o biênio 2008-2010, o executivo pretende dar continuidade às ações da gestão anterior, ou seja, sua atuação terá como base os quatro pilares estabelecidos pela entidade: proteção ambiental, capacitação profissional, competitividade e desenvolvimento tecnológico.

Peres focou o meio ambiente como uma das prioridades. Entre as atividades de maior relevância, destacou o projeto de auto-regulamentação dos VOCs (compostos orgânicos voláteis), com o qual ficou determinado o limite aceitável para as tintas imobiliárias. A segunda etapa contemplará a normatização, sendo seguida pela criação de um projeto de lei. “O VOC destrói a camada de ozônio, precisamos restringir sua emissão”, argumenta Peres. Ele também aponta o chumbo como inimigo. Neste caso, a Abrafati já elaborou um projeto de lei para proibir a utilização desse metal pesado no mercado de tintas imobiliárias. Só falta passar pela votação no Senado.

Outra prova do interesse da associação na proteção ambiental se dá com o Programa Coatings Care. Peres comemora a adesão de 22 empresas-participantes nesse programa de atuação responsável em tintas, o qual tem estimulado o setor a promover melhorias de processos, sistematização de técnicas

Divulgação

Peres recomenda restringir a emissão de orgânicos voláteis

e avanços, capazes de facilitar a obediência às exigências de legislação e de normas ambientais, além da redução de custos, sobretudo de energia e geração de resíduos. Peres ressalta que apesar dos participantes serem todos associados, o programa é aberto a qualquer interessado, pois a Abrafati busca contribuir com o mercado como um todo.

No quesito competitividade, a postura do conselho se reflete no Programa Setorial de Qualidade – Tintas Imobiliárias. “Esse ponto nada mais é do que fazer a regra igual para todo mundo”, afirma Peres. Na prática, uma das ações diz respeito à publicação da norma técnica NBR 15079, a qual torna obrigatória na embalagem das tintas látex a informação sobre a categoria do produto; se é Econômica, Standard ou Premium. Para o novo presidente do conselho, com a medida, o consumidor passou a ter como escolher qual a melhor tinta para a aplicação desejada. O programa inclui mais trinta normas, relacionadas ao aprimoramento das tintas existentes no setor.

Estimativa da Abrafati dá conta de que mais de 80% das tintas imobiliárias vendidas no Brasil atendem aos requisitos mínimos de qualidade. A quantidade de empresas que aderiram ao programa também cresceu. Atualmente, são dezesseis fabricantes e outros seis estão em fase de credenciamento. De acordo com Peres, a Abrafati tem dado passos significativos no sentido de eliminar as tintas não-conformes do mercado. Ainda para aumentar a competitividade do setor, a associação também pleiteia a redução de impostos, como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) de 18% para 12%.

A capacitação profissional é outra preocupação do conselho. Peres admitiu que a Abrafati fez pouco por essa questão, até o momento. Entretanto, se comprometeu a intensificar a atuação, especialmente com parcerias com instituições, como o Senai – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. A idéia é tratar a deficiência na qualificação profissional do setor. Conforme o presidente-executivo da Abrafati, Dílson Ferreira, com o crescimento do volume de produção, tornou-se ainda mais necessário melhorar a qualidade da aplicação do produto.

As atividades da gestão anterior não são totalmente novas para Peres, pois ele fazia parte da diretoria anterior, na qual era conselheiro. O executivo também é diretor-comercial da Sherwin-Williams, onde está há onze anos. Atuou ainda na Dow Química e no Grupo Ultra. Ele substitui Rui Goerck, da Basf, hoje no cargo de segundo vice-presidente. Ao conselho diretivo agregam-se o primeiro presidente, Antonio Carlos de Oliveira, da DuPont do Brasil, além de nove conselheiros.

Mercado – O consumo de tintas registrado nos primeiros meses do ano é bom indício de que o setor irá confirmar a previsão de crescer 7%, feita no ano passado, e até mesmo superá-la. De acordo com dados da Abrafati, as vendas aumentaram entre 7% e 10% este ano, em comparação com o mesmo período de 2007. Um dos principais responsáveis pelo desempenho positivo é o segmento de tintas imobiliárias. A área responde por 60% do consumo total de tintas do mercado; o restante se divide entre tinta automotiva (15%) e industrial (25%). Para Peres, são diversos os fatores que favorecem o setor de tintas imobiliárias, como os recursos para o financiamento de imóveis habitacionais e os incentivos do governo para a construção civil. A indústria automotiva também alavancou o setor. O comércio de tintas para esse ramo deve manter crescimento superior a 10%, neste ano.

No entanto, alguns percalços ainda prejudicam a expansão do setor. A alta dos preços das matérias-primas tem pressionado, negativamente, essa indústria. “Você não consegue repassar todo o aumento”, comenta Peres. O repasse, desde o começo do ano, foi de 2%, porém, o mínimo desejável seria de 10%. O solvente e o petróleo elevaram seus custos na ordem de 30%, por exemplo. Esse cenário obrigou os fabricantes a trabalharem com margens reduzidas, cada vez mais apertadas.

Renata Pachione

 
  <<< Anterior
Próxima >>>