Feira apresenta novidades em
ativos cosméticos que comprovam
 em testes a sua
eficácia e segurança


Texto de Rose de Moraes
e fotos de Cuca Jorge

Considerada a maior feira de negócios e base de lançamentos da América Latina, a 13ª FCE Cosmetique, exposição internacional de tecnologia para a indústria cosmética, realizada de 27 a 29 de maio, no Transamérica Expo Center, em São Paulo, pela Nielsen Business Media, revelou mais uma vez como são profícuos e responsáveis os estudos e pesquisas voltados à saúde, ao embelezamento e ao prolongamento da juventude, com testes realizados in vivo e in vitro comprovando os efeitos das substâncias naturais, boa parte delas originárias da flora brasileira. O predomínio da química “verde” segue a tendência de vegetalização dos cosméticos, iniciada há anos.

A exposição deste ano contou com mais de 23 mil profissionais, bateu recorde de visitação, e apresentou amplo leque de inovações para a indústria cosmética brasileira, responsável por gerar faturamento da ordem de US$ 22 bilhões ao ano e movimentar volume de 1,4 milhão de toneladas em produtos, representando, assim, o terceiro maior mercado em consumo de cosméticos do mundo, com chances de vir a ocupar o segundo lugar no ranking mundial nos próximos anos, ultrapassando o mercado japonês, apenas superado pelos Estados Unidos.

Uma das grandes inovações foi apresentada pela Beraca. A empresa brasileira, com mais de cinqüenta anos de atuação na oferta de ingredientes naturais e orgânicos, lançou o sistema ativo BBA (Biobehenic Active System), rico em ácido behênico, extraído das sementes da Pentaclethara macroloba Willd, popularmente conhecida como pracaxi. A planta, típica da Amazônia, tem seu óleo há muitos anos utilizado pelas populações nativas para tratamentos corporais e dos cabelos e, com suas propriedades condicionantes naturais, promove maciez, brilho e penteabilidade.

Outra grande inovação foi encontrada no estande da Ipiranga Química. Trata-se do primeiro emulsificante derivado do óleo de oliva, o Olivem 1000. Desenvolvido pela empresa italiana B&T, Biologia & Tecnologia, esse ingrediente age como ativo reestruturante biomimético da pele, proporcionando ação antienvelhecimento, ao promover hidratação fisiológica profunda e atuar como barreira protetora contra agressões ambientais.

Para tratamentos dermocosméticos, um ativo resultante de extrato hidroglicólico padronizado em polissacarídeos totais de Piptadenia colubrina, árvore brasileira conhecida como angico branco, também comprovou ser eficaz em testes clínicos e in-vitro na hidratação celular da pele, produzindo efeitos imediatos e progressivos. Trata-se de Aquasense, um ativo desenvolvido pela Chemyunion, que pode ser empregado em diferentes linhas de tratamento dermocosmético graças à sua eficaz ação hidratante.

Representando nova opção para aumentar as defesas celulares contra o estresse causado pelas radiações ultravioleta e os danos ao DNA, um ativo cosmético da linha Vincience (GP4G), extraído do plâncton Artemia salina, e apresentado ao público pela ISP, comprovou efeitos energizantes e regeneradores da pele.

Do mar, a alga vermelha Plamaria palmata propiciou um clareador natural (Whitonyl), apresentado pela Galena, comprovando eficácia ao limitar a pigmentação e reduzir manchas de todos os tipos de pele. O interessante é que seu mecanismo de ação, além de controlar a atividade dos melanócitos, também limita o transporte de melanossomas e reduz a hiperpigmentação induzida pelos raios ultravioleta.

Das flores Tiare e Gardênia do Taiti, um óleo embebido em óleo de coco (Monoi De Tahiti, Cocos nucifera-Gardenia tahitensis) constituiu inovação da francesa Pacifique, apresentada ao mercado brasileiro pela Sarfam, comprovando capacidade para hidratar e propiciar firmeza à pele, além de acelerar o bronzeamento. Seus efeitos benéficos também se estendem aos cabelos, sendo capaz de reparar fios ressecados e atuar como ingrediente anticaspa. Outra novidade destacada pela Sarfam é o Regu-Stretch. Trata-se de uma combinação de peptídeos, vitamina e extrato orgânico de marrubio, planta originária dos alpes suíços, com ação protetora, preventiva e reparadora de estrias.

Um sal de banho, desenvolvido pela Makeni Chemicals, com pigmento perolado dourado (mica revestida de óxido de ferro), fabricado pela Merck, também integrou o rol de novidades formuladas para produzir efeito dourado sobre a pele.

Conceitos voltam à cena – A hidratação retomou importância no cenário cosmético mundial e está em plena ascensão. Isso ocorre, segundo Valéria Câmara, gerente de novos negócios da Chemyunion, porque a manutenção do equilíbrio hídrico da pele é considerada fundamental para que as respostas aos tratamentos sejam mais eficazes.

Nesse sentido, o ativo Aquasense, segundo Valéria, representa inovação das mais importantes porque estimula as proteínas do envelope córneo (filagrina e involucrina) e das aquaporinas (canais de água), aumentando os níveis de glicerol, substância envolvida na síntese de lipídeos da pele e que tem a capacidade de captar água do meio ambiente, promovendo a mais profunda hidratação do estrato córneo.

Outro desenvolvimento de peso, realizado na França pela ISP, resultou na molécula GP4G. Derivada de plâncton Artemia Salina encontrado em mares de alta salinidade, comprovou ser capaz de proteger o DNA celular da pele contra o estresse ambiental, e estimular a regeneração, apresentando função muito importante em ativos antienvelhecimento, protetores solares e produtos revitalizantes e energizantes para a pele.

A descoberta, segundo Nelson Perassinoto, gerente técnico para o Brasil da área de Personal Care da International Specialty Products (ISP), partiu da observação do próprio mecanismo de defesa dos plânctons encontrados nos mares dessas regiões, que entram em uma espécie de estado de hibernação, produzindo a


Parassinoto: plâncton protege o DNA celular

GP4G, molécula que protege seu material genético e que, sob condições ambientais mais propícias, se transforma na molécula energética ATP (trifosfato de adenosina), comum a todos os seres vivos.

Um ativo derivado de extrato de arroz (Orsirtine GL), tecnologia antienvelhecimento baseada nas sirtuinas, cuja presença na pele indica a sua capacidade de longevidade, também foi destacado pela ISP, para aplicações em cremes e loções antiage.

Para reduzir manchas senis, bem como aquelas causadas em peles jovens muito expostas aos raios UV, a ISP também apresentou Achromaxyl, um extrato botânico extraído de Brassicaceae (Crucíferas). Essas plantas, encontradas na França, após serem submetidas à fermentação controlada, produziram um extrato validado pelo selo Ecocert, destinado às aplicações em despigmentantes, clareadores e redutores de manchas.

Em conjunto com vários parceiros, a Beraca também apresentou na exposição sugestões de formulações para maquiagens, produzidas com minerais e pigmentos inorgânicos, presentes na natureza. “A linha de maquiagens inclui sombras, batons e blushes produzidos com ingredientes como argila branca e passiflora em pó, formuladas em óleo e em gel, apresentando várias combinações de minerais e pigmentos inorgânicos”, informou Angelica Cassemiro, assistente técnica da Beraca.


Angelica mostrou maquiagens...

...feitas com insumos naturais

Ácido oléico biofermentado – Várias inovações integraram os destaques da Croda do Brasil nessa FCE Cosmetique. Entre elas, um complexo revitalizador para peles hipermaduras, composto de cálcio hidroximetionina e homotaurina, denominado Essenskin, revelou ser capaz de suprir as deficiências nutricionais, estimular o metabolismo celular e as sínteses protéicas, reduzindo rugas e combatendo a flacidez e a aspereza.

Outra novidade da empresa para a composição de cremes e loções para a pele é um ativo à base de glaucina, capaz de remodelar todo o contorno facial e combater o “queixo duplo”, inibindo a formação de adipócitos e favorecendo a reversão do tecido adiposo para um tecido livre do acúmulo de gorduras. Para combate ao envelhecimento, a empresa lançou potente clareador composto de ácido octadecenodióico, obtido com a biofermentação de ácido oléico de origem vegetal, capaz de reduzir a síntese da enzima tirosinase e diminuir a quantidade de melanina produzida pela pele.

Para aplicações em protetores solares, a Croda apresentou três novidades: Tioveil 50 Fin, Spectraveil Fin e Arlasolve DMI-PC. Tioveil 50 Fin, segundo Nadja Paul Scali, gerente de produtos da Croda do Brasil, trata-se de uma dispersão de dióxido de titânio revestido de alumina e estearato de alumínio, sinérgica com filtros solares orgânicos e que oferece alta suavidade, sendo especialmente indicada para filtros solares de uso infantil. Já Spectraveil Fin constitui dispersão com teor de 57% de óxido de zinco ativo, que oferece amplo espectro de proteção UVA e UVB, com longa duração. Arlasolve DMI-PC, por sua vez, “é capaz de melhorar a performance de autobronzeadores, aumentando a polaridade do estrato córneo e facilitando o nível de penetração do Diidroxiacetona (DHA) na pele”, informou Nadja.

Boa parte dos novos desenvolvimentos da Croda também contemplou ativos e ingredientes para xampus e condicionadores para cabelos. Crodazosoft SCQ, por exemplo, trata-se de um quaternário multifuncional, derivado vegetal, especialmente indicado para aplicações em xampus condicionantes. Já Cropeptide W é um biopolímero do trigo, de alto poder condicionante, que promove a hidratação especialmente de cabelos quimicamente danificados. Em testes realizados, outro ingrediente, o Crodamazon Castanha do Brasil CF, comprovou proteger a cor de cabelos tingidos.

Para desodorantes, várias especialidades foram destacadas como Brij 72 e Brij 721, Arlamol E, Arlasilk Phospholipid PTM, OptaSense RMA50 e Melaslow J. Brij 72 e Brij 721 são emulsificantes não-iônicos que formam emulsões em óleo/água e estabilizam emulsões antiperspirantes baseadas em sais de alumínio, especialmente recomendados para roll-ons. Arlamol E é um agente emoliente não-oclusivo, também ideal para formulações em roll-ons, com propriedades solventes e lubrificantes. Arlasilk Phospholipid PTM é um fosfolipídeo multifuncional, derivado do óleo de coco, compatível com os lipídeos naturais da pele, e que também atua, segundo lembrou Nadja, como adjuvante antimicrobiano com um amplo espectro de ação desodorizadora. Já OptaSense RMA50 é um espessante aniônico líquido, que facilita a estabilidade das emulsões em óleo/água, bem como a suspensão de sólidos ou ativos em desodorantes. Por último, Melaslow J é um ativo natural que comprovou eficácia no clareamento da hiperpigmentação da pele na área das axilas e que age, segundo Nadja, por modulação da atividade da tirosinase, regularizando a produção da melanina e a distribuição de pigmentos melâninicos.

Derivados da tapioca – Polímeros naturais com certificação orgânica, derivados de tapioca (mandioca), também entraram no rol das inovações apresentadas pela Sarfam. Desenvolvidos pela National Starch, trata-se, segundo Magda Cristina Feltrin, supervisora de marketing da Sarfam, de um modificador estético para melhorar a espalhabilidade de pós, maquiagens, loções, pomadas, cremes, antiperspirantes, desodorantes, talcos líquidos, entre outros cosméticos, além de promover maior suavidade e melhorar o sensorial de emulsões, pomadas e pós.

Também proveniente das fibras naturais da tapioca, outro ingrediente lançado pela Galena promove a esfoliação cutânea e acelera a renovação celular. Indicado para fórmulas de sabonetes líquidos, em barra, gel ou creme, foi denominado Farmal Fiber T1, e atende aos padrões de qualidade físico-químicas e microbiológicas tanto das indústrias farmacêuticas como cosméticas.

Um sistema à base de glicerina vegetal (Glyceryl Caprate-Ethylhexylglycerin) também foi destaque na apresentação da Cosmotec. Fabricado pela Nikkol, empresa pertencente ao grupo japonês Nikko Chemicals, trata-se de Nikkoguard 88, uma combinação de


Magda: tapioca melhora propriedades
de cosméticos

polióis e surfactantes com propriedades antibactericidas e antifungicidas para o preparo de fórmulas avançadas e isentas de parabenos, classificadas como “preservatives-free”, destinadas a cosméticos para tratamento da pele e dos cabelos como xampus, cremes e loções. “Trata-se de uma grande inovação em matéria de fórmulas verdes com alto teor de matérias-primas naturais”, afirmou Tatiana Francine C. Roque, gerente de comunicação de mercado da Cosmotec.

 

 

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