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Mesmo quando se
avaliam as diferenças climáticas regionais dentro do país, as variações são
grandes. Os tipos de micróbios presentes variam também. Leite comenta que as
casas da Região Sul ficam mais tempo fechadas para evitar o frio, provocando
a condensação interna de vapor. Isso cria um ambiente favorável para a
proliferação de fungos. No Nordeste, as casas tendem a ser mais arejadas,
porém o ar é mais úmido, e as paredes externas são submetidas a ciclos
agressivos de calor e alta umidade. “Quando formulamos biocidas para filme
seco, buscamos oferecer uma proteção eficiente para todas essas situações,
variando apenas a dosagem e forma de aplicação”, explicou.
Com baixa solubilidade, que significa pequena perda por lixiviação, e uso em
baixa dosagem, o carbendazim é dominante, mas a Ipel oferece outros ativos e
misturas com até cinco diferentes moléculas. A combinação com a
n-octil-isotiazolinona (OIT) oferece resultados superiores. “Um ativo
isolado nunca controla todos os microorganismos, abrindo a possibilidade de
selecionar resistentes”, disse. As misturas oferecidas pela Ipel são
avaliadas por um trabalho de coleta de películas em vários locais do país,
com o estudo dos microorganismos encontrados. Com esse trabalho ao longo dos
anos, pode-se constatar a eficácia das misturas.
A Ipel prepara o lançamento de fungicidas em emulsão como alternativa para
substituir as vendas do material na forma de particulados sólidos, sem
recorrer a solventes orgânicos. “Teremos vantagens em custos, na forma de
incorporação e no aspecto ambiental, sem prejuízo do desempenho”, explicou.
Fora das linhas convencionais, a empresa desenvolve soluções inovadoras, em
trabalhos com institutos de pesquisas. “Ainda é prematuro falar em
resultados desses estudos”, disse.
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Gerson
Agostini ressalta a situação atual do mercado, no qual os clientes em
geral demandam combinados para proteção in can e também contra fungos
no filme seco. A disputa pelos clientes acaba sendo resolvida pelo
preço final desse combinado. Com os mesmos princípios que nortearam a
revisão dos bactericidas, a Miracema-Nuodex também estudou a situação
de seus fungicidas, resultando no Coryna 2008, mistura de carbendazim
com outros carbamatos, visando a substituição da OIT, sem prejuízo da
inibição de síntese protéica e da divisão celular, mecanismos de
contenção do crescimento dos fungos. “A OIT tem alta lixiviação,
contribui para VOC, não é muito resistente, nem tem amplo espectro de
atuação”, apontou. Ela é usada para compensar uma deficiência do
carbendazim: o controle da Alternaria. |
Jean Sereni/Divulgação
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Agostini mostra as câmaras climáticas usadas na avaliação dos novos
fungicidas |
Ele também
comentou que a concentração mínima inibitória da OIT é alta, ou seja, não
seria possível reduzir sua dosagem, como foi feito com os semi-acetais. Em
lugar da OIT foram aplicados outros dois ativos fungicidas, fruto de extensa
pesquisa. “Ainda há o requerimento de algumas companhias internacionais que
baniram o carbendazim de suas formulações”, comentou.
O desenvolvimento de novos fungicidas prioriza produtos sólidos, de baixa
lixiviação e resistentes ao ataque da radiação ultravioleta (UV). A marcha
começa na câmara de UV. Resistindo a essa agressão sem se decompor, o
produto vai para a câmara tropical, com o objetivo de comprovar a
resistência à umidade e ao calor. Aprovado nessa etapa, o biocida promissor
vai para os testes de campo, até a aprovação final. Depois é só convencer os
clientes a testar e homologar a novidade. “Estamos desenvolvendo a linha
Intelligentia, uma família de produtos para atender às situações específicas
de tintas de alto PVC [volume de pigmentos e cargas em relação ao de
ligantes], uso em banheiros, acabamentos foscos e outras situações
especiais”, adiantou.
“Os consumidores percebem a diferença de durabilidade das pinturas e, como
têm mais poder de compra, já escolhem tintas de melhor qualidade”, avaliou
Marcelo Junho, Segundo afirmou, a venda das linhas econômicas, uma febre no
início do Plano Real, está estável, mas as indústrias de tintas conseguem
ampliar as vendas dos produtos diferenciados. Esse quadro é bom para a venda
de biocidas, inclusive com alguma procura por antialgas.
A Rohm and Haas reforça a divulgação da dicloro-octil-isotiazolinona (DCOIT,
nome comercial Rozone 2000) para a proteção de filmes contra a ação de
fungos, algas e bactérias. “Essa molécula poderia ser usada também nas
latas, talvez no futuro seja incorporada a alguma formulação”, comentou.
Além do amplo espectro de atuação, a DCOIT apresenta baixa solubilidade em
água, estimada em um décimo da apresentada pelo principal produto usado no
mercado, garantido sua persistência na película seca. A resistência à
radiação UV é elevada, assegurando sua durabilidade mesmo em pinturas
externas. Além disso, existem produtos como o Rocima 200 que podem ser
usados em tintas de baixa emissão de VOCs.
A DCOIT não é exatamente uma novidade, tendo sido apresentada há oito anos.
Entretanto, sua adaptação ao segmento de tintas decorativas só foi feita em
2007, com a oferta de várias alternativas como as microemulsões. Junho
recomenda compatibilizar o biocida com a formulação dos clientes. “O ideal é
que a DCOIT seja o último ingrediente a ser adicionado”, explicou. Na
maioria dos casos, ele pode ser aplicado como os demais biocidas, porém, a
melhor expressão de suas propriedades seria obtida com algumas alterações no
processo. O Rozone pode entrar em formulações com solvente ou com base água.
Esse ingrediente já está devidamente registrado na BPD européia e também
conta com a aprovação do Ministério da Saúde do Japão para controle de
bactérias patogênicas. “O protocolo de avaliação japonês foi adaptado por
nós para uso na América Latina”, explicou. Isso permite afirmar que o insumo
pode ser usado para formular tintas nas quais o desenvolvimento de
microorganismos seja pouco favorável. “Nenhuma tinta pode garantir
esterilidade, ainda mais em ambientes hospitalares”, disse.
A Miracema-Nuodex, informa Agostini, tem um produto desenvolvido para uso
em tintas capazes de resistir às freqüentes lavagens das salas cirúrgicas
com produtos esterilizantes (como o hipoclorito de sódio), por exemplo, e
ainda proporcionar um ambiente desfavorável para o desenvolvimento de
microorganismos que venham a entrar em contato com a película. “Faltaria
fazer testes com microorganismo patogênicos para os quais não estamos
preparados”, avaliou.
Junho informa que a Rohm and Haas conta com outras moléculas em sua linha,
para venda isolada ou em formulações. Além da DCOIT e da OIT, há o
carbendazim, o iodopropinil-butilcarbamato (IPBC) e o piritionato de zinco (ZPT).
“Nenhum ativo é perfeito, daí a necessidade de buscar sinergias em
formulações antes de partir para o simples aumento da dosagem de um ativo
isolado”, considerou. O aumento de doses, além da possibilidade de
apresentar mais custo que benefício, pode gerar problemas com a cor da tinta
ou desestabilizar as formulações pela presença de metais. Alterações
reológicas também podem ser esperadas.
Na proteção dos filmes, a liberação controlada dos ativos ganha importância.
“Para disponilibilizar o ativo na hora certa e na quantidade certa, podemos
usar a nanotecnologia ou o encapsulamento”, comentou Junho. Como a
nanotecnologia implica custos ainda elevados, a empresa oferece a
possibilidade de encapsular biocidas para melhores resultados a longo prazo.
Na prática, a alternativa tecnológica funciona melhor com um ativo isolado,
sendo usada também para evitar incompatibilidades com outros ingredientes da
tinta. “O mais importante é verificar o comportamento a longo prazo, pois
muitas vezes aquilo que funciona bem no laboratório desanda dentro das latas
estocadas por meses”, alertou.
Ele explicou que os fungicidas são aplicados em dosagem bem acima da
concentração mínima inibitória com o objetivo de garantir a presença de
ativos por longo tempo na dosagem adequada. Com o encapsulamento e a
liberação controlada, é possível garantir a proteção eficaz do filme pelo
mesmo período com dose muito menor de biocida. Ou proteger por mais tempo,
usando a mesma dosagem.
A Rohm and Haas pode fazer o encapsulamento no Brasil ou no exterior,
dependendo das condições de mercado. “Essa operação é usada em medicamentos
como a moderna aspirina vendida nas farmácias”, salientou.
Luiz Wilson Pereira Leite, da Ipel, afirma que o encapsulamento pode ser
feito para abranger moléculas isoladas ou em formulação, dependendo da
necessidade do cliente. “Mais importante que isso é determinar qual será o
fator desencadeante do desencapsulamento”, considerou. Esses revestimentos
podem ser sensíveis às variações de temperatura, ou à umidade, às mudanças
de pH ou serem rompidos por atrito. Isso precisa ser determinado para que a
liberação dos ativos ocorra no momento desejado.
A Lanxess oferece aos clientes a proteção embasada em combinações de
carbendazim e OIT, testadas em condições de lixiviação. “Os ingredientes já
são bem insolúveis e não afetam as propriedades das tintas”, afirmou Ligere.
Embora os produtos sejam sobejamente conhecidos, os especialistas da Lanxess
aconselham aos usuários aplicar as doses recomendadas para cada situação.
“Alguns usam uma subdosagem só para estampar na lata que se trata de um
produto antimofo”, criticou Griebel.
A Lanxess brasileira é suprida de biocidas formulados na fábrica da
Argentina, que usa ingredientes importados de outras unidades da companhia
internacional. “Ainda estamos estudando a possibilidade de formular biocidas
no Brasil”, comentou o gerente de vendas.
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No campo dos
fungicidas para tintas, ele acredita ser possível introduzir novas
moléculas no portfólio, principalmente algumas hoje usadas em
agroquímicos. “O tebuconazole veio do setor agrícola e atua contra
fungos do aprodrecimento da madeira, tendo bom potencial para uso em
tintas, mas é preciso de aprovação na BPD”, considerou Griebel. Tintas
antifouling contam com alternativas orgânicas específicas.
O uso de algicidas tem sido mais comum em algumas regiões do Nordeste,
nas quais o problema se verifica com alguma freqüência. “O diuron, um
herbicida de origem agrícola, atua bem contra as algas, tem custo
aceitável e pode ser combinado com a OIT e o carbendazim”, ponderou.
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Paulo Igarashi
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Griebel: Nordeste lidera consumo de algicidas |
“O diruon é muito
bom, quando não se considera a lixiviação”, advertiu Agostini. Ele prefere
recomendar algicidas menos lixiviáveis, combinando carbendazim, OIT e um
terceiro ativo.
“Oferecemos formulações algicidas com e sem diruon, ingrediente que, embora
seja o mais usado, sofre restrições em alguns clientes”, comentou Leite, da
Ipel. As formulações são estabilizadas para evitar interferências na cor.
Ele confirma que a demanda por algicidas está crescendo, possivelmente por
causa das mudanças climáticas.
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