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CLORO-SODA
Consumo aparente cresce no
primeiro trimestre
O ano de
2008 começou muito bem para as empresas fabricantes de cloro e soda
cáustica. O consumo aparente de cloro (produção + importações – exportações)
registrou variação positiva de 2,6% no primeiro trimestre deste ano, em
comparação ao mesmo período de 2007. Ao longo do período entre abril de 2007
e março de 2008, o crescimento do consumo aparente foi de 1%. No ano
passado, esse número havia ficado na casa de 0,6% em relação a 2006. Os
dados foram apresentados pela Associação Brasileira da Indústria de Álcalis,
Cloro e Derivados (Abiclor).
Ao todo, a produção nacional de cloro no ano passado superou a marca de 1,2
milhão de toneladas, algo em torno de 0,5% maior do que a de 2006. Do total
produzido, 35% é destinado à produção de dicloroetano, insumo para a
fabricação de PVC. Outros 30% vão para a fabricação de óxido propeno,
intemediário do poliuretano. O restante é dividido na produção de ácido
clorídrico e hipoclorito de sódio, entre outros produtos. As exportações de
cloro, em 2007, ficaram na casa das 148 mil toneladas, contra 159 mil
exportadas em 2006, a maior parte por meio de venda externa de dicloroetano.
O desempenho do mercado de soda cáustica foi bem mais significativo. No
primeiro trimestre, o aumento do consumo aparente foi de 17,3% em comparação
ao mesmo número do ano passado. No período de abril de 2007 a março de 2008,
o crescimento foi de 7,1%. A produção nacional de soda em 2007 ficou próxima
dos 2,1 milhões de toneladas, número 6,7% superior ao de 2006.


Praticamente toda a
produção nacional de soda é comercializada no mercado interno, uma vez que a
oferta do produto por aqui é insuficiente. De janeiro a março de 2008, as
importações atingiram 222,3 mil toneladas, crescimento de 40,3% em relação
ao mesmo período do ano passado. O aumento de demanda segue tendência
mundial, o que tem valorizado bastante o preço da soda. Os grandes
consumidores do produto são as indústrias de papel e celulose (25%),
alumínio (25%), indústrias químicas (25%) e de sabões e detergentes (10%).
Investimentos - O crescimento da produção nacional dos dois produtos
químicos está limitado. No primeiro trimestre, a indústria trabalhou com
índice de 91,2% de capacidade instalada. Vale lembrar que cloro e soda
cáustica são produtos fabricados nas mesmas plantas – para cada tonelada de
cloro fabricada, obtém-se, em média, 1,1 tonelada de soda.
A oferta será ampliada nos próximos meses. A Carbocloro inaugura, no início
do segundo semestre, uma nova planta com capacidade de 100 mil toneladas de
cloro e 112 mil de soda. A Solvay Indupa, por sua vez, oficializa a
inauguração de nova linha de produção no final do ano, com capacidade em
torno de 45 mil toneladas de cloro e 50 mil toneladas de soda cáustica.
Outras duas empresas com grande participação nesse mercado no Brasil são
Braskem e Dow.


As duas inaugurações não
são suficientes para atender ao aumento de demanda interna previsto para os
próximos anos. De acordo com Luiz Pimentel, presidente da Abiclor, as
previsões de aquecimento do consumo são positivas. Estima-se, em 2008, um
aumento no consumo aparente do cloro na casa dos 3,5%. O otimismo deve-se
especialmente à crescente procura pelos insumos do PVC e do poliuretano. “A
construção civil está puxando a utilização do PVC. As montadoras e
indústrias de eletrodomésticos, móveis e de colchões elevam as vendas do
poliuretano”, explica.
No caso da soda, o incremento previsto para 2008 salta para 10%. Contribui
para esse crescimento os fortes investimentos previstos no Brasil nas áreas
de papel e celulose e de alumínio. “O Brasil virou referência mundial na
produção de celulose, aqui os eucaliptos crescem em um prazo de cinco anos,
no exterior as árvores (pinus) demoram 25 anos”, analisa o presidente da
Abiclor.
O cenário otimista faz quem não acompanha de perto esse mercado a supor que
novas plantas devam ser implantadas em breve no Brasil. A decisão de
investimento, no entanto, não é tão simples e nem deve ocorrer em prazos
muito curtos. “Os empresários estão atentos, fazem contas, mas alguns
fatores dão insegurança. Acredito que os investimentos em novas fábricas só
vão sair do papel dentro de três ou quatro anos”, revela. Enquanto isso, no
caso do cloro, a tendência dos fabricantes nacionais é substituir as
exportações pelas vendas ao mercado interno. No da soda, a solução será
ampliar as importações.
O presidente da Abiclor aponta as dificuldades. Uma delas se encontra no
fato de as novas plantas, para trazerem retorno financeiro compensador,
precisarem ter capacidades de produção elevadas, suficientes para atender ao
mercado global. Em outras palavras, fábricas com capacidades entre 400 mil e
500 mil toneladas anuais. “Temos de olhar a indústria mundial na hora de
justificar a expansão”, defende. E o cenário internacional das vendas de
cloro preocupa. “Não adianta a procura por soda estar muito aquecida se não
temos o que fazer com o cloro, ele não pode ser estocado”, justifica.
A possibilidade de recessão no mercado norte-americano é ameaça grave,
baseada na crise do seu mercado de construção civil. É fator que pode inibir
de maneira sensível a procura pelos insumos do PVC. A realização dos jogos
olímpicos na China atrapalha. Preocupados com a repercussão mundial de seus
índices de poluição alarmantes, os chineses devem dar uma trégua no
aquecimento da economia este ano.
Também pesa o valor do investimento necessário para a instalação das
fábricas, que se elevou em cerca de 30% a 40% nos últimos três anos. Hoje,
estima-se que o custo do investimento necessário para implantar uma planta é
de US$ 1 mil por tonelada produzida. “Os furacões que ocorreram nos Estados
Unidos há alguns anos provocaram grande aumento da procura de alguns
produtos. As ligas de zinco, muito usadas pela nossa indústria, tiveram um
aumento de preço absurdo”, diz. Por falar em aumentos de preços absurdos, o
do petróleo, de onde são obtidos insumos importantes para a indústria de
cloro e soda, também não ajuda.
Questões internas oferecem entraves. A valorização do real é o principal.
Com a moeda forte, o custo da energia elétrica disparou quando calculado em
dólar, o que inibe as exportações. “A energia elétrica corresponde a de 45%
a 50% do nosso custo de produção”, informa. Esse, aliás, é um motivo que tem
incentivado a troca das exportações de cloro pelas vendas internas, hoje
mais rentáveis. Outro motivo que dificulta o ato dos empresários colocarem
as mãos nos bolsos para construir novas plantas: “Precisamos ter certeza que
o país terá aumento de capacidade de geração de energia suficiente para
atender a uma demanda superior, o que não acontece”.
Para complicar um pouco mais, uma vantagem que “dificulta” a competitividade
da indústria nacional. “As fábricas nacionais se encontram com padrões entre
os mais avançados do mundo em relação ao respeito ao meio ambiente. É um
fator muito positivo, mas competimos de maneira desigual com os produtores
chineses, que adotam padrões muito menos exigentes”, diz Pimentel.
José
Paulo Sant’Anna |
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