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PETROQUÍMICA

Pernambuco atrai cadeia do poliéster

Dois investimentos de porte realizados em parceria pela Petrobras Química S.A. (Petroquisa) e a Companhia Integrada Têxtil do Nordeste (Citene), formada pelas indústrias têxteis Vicunha e Filament Tecnology, deverão dar um novo alento à cadeia produtiva do poliéster no Brasil. A parceria será responsável pela PetroquímicaSuape, que demandará investimentos de US$ 632 milhões, e pela construção da fábrica de polímeros e filamentos de poliéster Citepe, onde serão investidos US$ 350 milhões.

A PetroquímicaSuape será uma fornecedora de ácido tereftálico purificado (PTA), o principal insumo empregado na fabricação do poliéster utilizado pela indústria têxtil e na produção de resina PET. Com o poliéster também são pro­duzidos insumos para pneus, equipamentos elétricos e filmes plásticos para embalagem. No momento, não há geração de PTA no Brasil.

A única fábrica, situada em Paulínia, São Paulo, pertencente ao grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G), está fechada, como comunicado por fato relevante em agosto de 2007. No ano passado, o Brasil importou, a um custo de US$ 340 milhões, 350 mil toneladas de PTA.

A PetroquímicaSuape, que deverá entrar em operação em 2010, foi projetada para produzir 640 mil toneladas anuais do insumo. Mas, como relata o CEO da empresa, Richard Ward, a meta é encontrar mecanismos que gerem ganhos de produtividade e permitam à petroquímica iniciar suas atividades com uma produção próxima a 700 mil toneladas anuais. “Apenas a demanda local já está prevista em 679 mil toneladas/ano e ainda está em nossos planos exportar para a Argentina, um mercado de 175 mil toneladas anuais, hoje atendido por importações”, diz o executivo.

A petroquímica pernambucana atuará de forma integrada com a fábrica da Citepe, empresa também programada para entrar em operação em 2010 e que demandará 213 mil toneladas anuais de PTA. O mercado da PetroquímicaSuape ainda deverá ser formado por uma série de outros compradores

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Ward: meta é produzir até 700 mil t/ano de PTA

concentrados em Suape. Lá está instalada a fábrica de resinas PET da italiana Mossi & Ghisolfi (M&G), a principal consumidora nacional de PTA, com uma demanda de 392 mil toneladas anuais. A M&G PET, como é chamada, inaugurada em março de 2007, é a maior produtora mundial da resina, com uma capacidade instalada de 450 mil toneladas anuais.

Também em Suape está a fábrica de fibras sintéticas do grupo italiano, a M&G Fibras, que consome 52 mil toneladas por ano de PTA, e a Terphane, fabricante de filmes plásticos para embalagem com uma demanda anual de 22 mil toneladas do insumo. “O consumo brasileiro de PTA está se concentrando em Suape e nossa vinda para cá será um fator de economia e produtividade para nossos futuros clientes”, afirma Ward.

O executivo relata que o PTA apresenta um custo médio de mil dólares a tonelada. Mas os consumidores brasileiros do insumo, que hoje dependem principalmente de fornecedores asiáticos, têm este custo elevado em mais de 10% apenas com as despesas logísticas.

Outra alternativa, porém restrita por causa da pouca oferta, é a importação de PTA do México, onde há a possibilidade de contratar frete de retorno, aproveitando os navios que voltam vazios ao Brasil, uma vez que o país é superavitário com aquele país. Nesta hipótese, o custo logístico acaba apresentando um impacto de apenas 4% no preço do insumo. “Mas é uma situação de oportunidade”, diz o executivo.

O PTA é obtido do derivado de petróleo paraxileno (PX). A produção de PTA em Suape demanda-
rá entre 420 mil e 460 mil toneladas anuais de paraxileno, que tem um custo também estimado em mil dólares a tonelada. Uma tonelada de PTA, informa Ward, consome por volta de 700 kg de PX. Apesar de ocupar terrenos vizinhos em Suape, a petroquímica pernambucana não terá seus insumos de petróleo fornecidos pela refinaria Abreu e Lima, que também deverá entrar em operação em 2010 após investimentos de US$ 4,05 bilhões e destinará 65% de seu refino à produção de diesel.

O PX da PetroquímicaSuape será fornecido pelo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), quando este entrar em operação em 2013. O complexo, que está sendo erguido nos municípios fluminenses de Itaboraí e São Gonçalo, terá capacidade de produção de aproximadamente 700 mil toneladas anuais de PX. O transporte do insumo será feito por cabotagem a partir do Rio de Janeiro e está estimado em US$ 30,00 a tonelada. Mas também está no planejamento futuro do Comperj a produção do PTA em uma quantia estimada em 500 mil toneladas/ano.

Enquanto o Comperj não entrar em produção, a petroquímica pernambucana deverá comprar parte de suas necessidades do insumo da Braskem, o único produtor brasileiro de PX, com uma produção na Bahia de 190 mil toneladas anuais, hoje totalmente destinada ao mercado externo. As negociações nesse sentido, informa Ward, ainda não foram realizadas. O insumo também deverá ser importado, de forma complementar.

A tecnologia da planta da Pe­tro­químicaSuape será fornecida pela inglesa Invista e o conjunto compressor será fornecido pela Siemens a um custo de US$ 40 milhões. A previsão é de que a obra de construção do empreendimento gere 3 mil empregos diretos e a operação da petroquímica outros 500, entre trabalhadores próprios e terceirizados.

Citepe - A PetroquímicaSuape e a Citepe, que ocuparão terrenos contíguos em Suape, vão trabalhar em sinergia. Como relata Valdemar Takuma Sato, diretor-superintendente da Citepe, o PTA será fornecido diretamente da petroquímica por um duto de aproximadamente 300 metros de comprimento, por onde deverão ser escoadas 566 toneladas diárias de PTA. “Trabalharemos com um custo de logística baixo e não precisaremos empatar capital em estoques”, informa o executivo.

O outro insumo importante para a Citepe é o monoetilenoglicol (MEG), produzido no Brasil pela Oxiteno, mas que também pode ser importado. A proximidade do porto facilita a operação. PTA e MEG representam entre 60% e 70% do custo da produção da fibra sintética.

A sinergia da Citepe com a PetroquímicaSuape também se estende a outros setores. As empresas planejam compartilhar a infra-estrutura nas estações de tratamento de água e na subestação de energia. Além do trabalho integrado com a petroquímica, a direção da empresa já negocia com fornecedores estratégicos interessados em instalar unidades operacionais em sua vizinhança, permitindo novas economias em logística. O principal alvo, no momento, é atrair uma fornecedora de tubos de papelão, utilizados para enrolar os fios. A estimativa é de que a Citepe deva consumir cerca de 46.500 destes tubos por dia.

A meta traçada para a Citepe é ambiciosa. A empresa terá como missão fornecer fibras sintéticas a um custo que permita à indústria têxtil nacional fazer frente aos competidores asiáticos. Não é uma tarefa simples, principalmente quando se tem em vista que a balança comercial da cadeia têxtil nacional, superavitária até 2005, apresentou déficit nos últimos dois anos, tendo um saldo negativo de US$ 644 milhões em 2007.

A estratégia para alcançar este objetivo, relata Takuma Sato, já está delineada. No primeiro trimestre de 2010, quando está previsto o início das operações comerciais, a Citepe deverá estar equipada com o que há de mais moderno em tecnologia de polimerização e texturização. O trabalho de fiação, por exemplo, será feito de forma robotizada. Além disso, a empresa aposta na escala produtiva. A planta trabalhará em três turnos, 24 horas diárias, sem interrupção e terá capacidade para produzir 240 mil toneladas por ano de polímeros e filamentos de poliéster, o que deve lhe garantir o posto de maior planta integrada com fiação direta do ocidente. “Vamos produzir em dois dias o equivalente à produção mensal da maior fábrica nacional da atualidade”, diz o executivo.

A Citepe produzirá quatro tipos de produtos. Ela terá capacidade anual para produzir 55 mil toneladas de polímeros de poliéster granulado, também conhecidos como chips e 185 mil toneladas de filamentos, sendo 86 mil toneladas anuais de

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Sato: produção de filamentos para diminuir a importação

filamentos contínuos de poliéster (POY), 85 mil toneladas de filamentos texturizados e 14 mil toneladas de filamentos lisos (FDY).

Os polímeros e filamentos de poliéster são utilizados em diversos segmentos da indústria têxtil, como na produção de tecidos e malhas para confecção. Os produtos também são empregados na produção de fios industriais, lonas de pneus e cordas.

Atualmente, a produção nacional de filamentos de poliéster é de 90 mil toneladas anuais e o Brasil ainda importou, em 2007, outras 254 mil toneladas. Takuma Sato avalia que, com a entrada em operação da Citepe, os demais fabricantes nacionais tenderão a se posicionar para atender a nichos de mercado, como o de fios tingidos. “Nosso objetivo não é deslocar a indústria nacional, mas reduzir a importação”, diz o executivo.

Hoje, os principais clientes potenciais da Citepe estão em São Paulo, Minas Gerais, Rio, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na avaliação de Takuma Sato, o Nordeste, importante produtor de algodão, reunirá, com a fábrica da Citepe, condições excelentes para atrair grandes empreendimentos têxteis, uma vez que contará com os insumos necessários e um mercado consumidor crescente. O executivo relata que está nos planos da empresa atrair pelo menos duas grandes malharias e duas tecelagens para a região. “Se estes investimentos se concretizarem, como imaginamos, partiremos para a segunda fase do nosso projeto, que representará a ampliação da capacidade produtiva”, afirma Sato.

D. Z.

 
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