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Suape reduzirá déficit do diesel

A refinaria Abreu e Lima, que será erguida no Complexo Industrial Portuário de Suape, Pernambuco, é singular entre as unidades de refino do país. É a primeira projetada para processar, sem mistura, o óleo pesado, em 16º API, típico da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Por conta desta característica, a unidade, como relata Ricardo Barreto, gerente do Empreendimento Refinaria do Nordeste da Petrobras, possui um papel estratégico para a petroleira brasileira e mesmo para o país. O executivo aponta ainda dois outros pontos que pesaram significativamente na decisão da Petrobras de construir a nova refinaria.
 

O primeiro é que as 11 refinarias da Petrobras atualmente em atividade no país já se encontram no limite de sua capacidade operacional. O segundo ponto de importância da nova refinaria, informa Barreto, é o fato de ela ser prioritariamente voltada à produção de diesel. No Brasil, aliás, essa produção é deficitária. No ano passado, o país importou aproximadamente 3 bilhões dos 40 bilhões de litros que consumiu. A refinaria terá uma capacidade de produção de 22 mil m³ de diesel por dia, respondendo por 65% do petróleo processado. Quantia que não será suficiente para tornar o país auto-suficiente em diesel, mas representará uma economia de importações calculadas em US$ 2 bilhões anuais.

A refinaria poderá processar 200 mil barris/dia de petróleo, e também produzirá GLP, 1.600 m³ diários; nafta petroquímica, 2.300 m³/dia; 950 toneladas diárias de óleo combustível para navios e 5.500 toneladas por dia de coque. A refinaria, portanto, não produzirá gasolina. O diesel que será produzido em Abreu e Lima terá baixo teor de enxofre, enquadrando-se nos padrões europeus. “O foco da produção em Pernambuco será

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Barreto: a primeira refinaria a processar óleo sem mistura

atender o mercado interno, principalmente no Norte e Nordeste, onde a demanda é crescente. Mas teremos qualidade para, se for o caso, exportar”, afirma Barreto.

O GLP produzido será totalmente voltado ao mercado nordestino, dentro de uma área de influência da refinaria que possa ser atendida por via de transporte terrestre. Já o destino provável da nafta é o Pólo Petroquímico da Bahia, o mais próximo. Para o coque estão previstas três possibilidades. Uma parte do coque será queimada na própria caldeiraria da refinaria, como fonte energética. Outra parte será comercializada com siderúrgicas e cimenteiras. O terceiro uso do coque depende ainda do acerto com um processador disposto a realizar a calcinação do coque e transformá-lo em anodo para aplicação na indústria de alumínio. Negociações nesse sentido já estão em curso com a norte-americana Oxbow Carbon. A empresa assinou um protocolo de intenções com a Petrobras, e poderá vir a instalar uma planta de processamento de coque no Complexo de Suape.

A refinaria Abreu e Lima será composta por três unidades principais: destilação, coqueamento e hidrotratamento. Como informa Barreto, primeiramente o óleo pesado será destilado. Como o objetivo não é produzir óleo combustível industrial, cujo consumo encontra-se em declínio, mas sim óleo diesel, mais leve, é necessário um processo de coqueamento, onde as frações são transformadas quimicamente de óleo combustível para óleo diesel e nafta. Para isso, será necessária uma planta de tratamento dessas frações capaz de reduzir as impurezas e adequar a quantidade de enxofre. O sistema adotado será o de hidrotratamento, o que exigirá uma unidade de geração de hidrogênio. As tecnologias para esse processo de hidrotratamento serão adquiridas da empresa dinamarquesa Haldor Topsoe e da norte-americana UOP.

As unidades de apoio da refinaria serão compostas por uma casa de força, que gerará energia pela queima de coque e óleo combustível, produzido localmente. “Será uma usina totalmente autônoma em energia. A rede local só será acionada para atender os casos de emergência, ou durante a realização de manutenção na casa de força”, diz o executivo. Também haverá unidades de tratamento de água e efluentes. O projeto prevê o reaproveitamento da maior parte da água utilizada no processo. Já o efluente líquido da refinaria, após tratamento, será água salgada, com teor de sal menor que a água do mar e será lançado no oceano por meio de um emissário com dois quilômetros de extensão no trecho submarino.

A planta de tratamento de gases das chaminés e caldeirarias adotará uma tecnologia de oxidação e redução catalítica. A principal preocupação é com os compostos de enxofre e nitrogênio (SOx e NOx). A meta é ser a refinaria da Petrobras com as menores taxas de emissões atmosféricas.

A refinaria Abreu e Lima deverá ser uma joint venture entre a Petrobras, com 60% do capital, e a estatal venezuelana PDVSA, 40%. O petróleo processado deverá ter origem na Bacia de Campos, 100 mil barris/dia e os outros 100 mil barris diários deverão ser provenientes da região do Orinoco, na Venezuela. A refinaria também poderá contemplar um processo de produção H-Bio, que prevê a geração de óleo diesel com 10% de óleo vegetal em sua formulação.

A associação entre Petrobras e PDVSA, porém, ainda não está formalizada. Por enquanto, as obras, que se encontram em estágio de terraplanagem, ocorrem em decorrência de investimentos da Petrobras. No total, deverão ser empreendidos US$ 4,05 bilhões. A previsão é de que a unidade entre em operação no segundo semestre de 2010. A empresa deverá empregar por volta de 1.500 trabalhadores.

D. Zapparolli

 
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