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R e m e d i a ç ã o d e S o l o s |
O rebaixamento do aqüífero freático, decorrente do bombeamento, possibilita
remoção facilitada de fase livre móvel de LNAPLs, que fluirá para o interior
da trincheira interceptante por gravidade. Para a extração de fase gasosa
contaminada, assim como para a exaustão do sistema, são instalados poços na
zona vadosa como parte da remediação.
A configuração segmentada, com sistemas específicos para a remoção da
contaminação em suas diferentes fases (livre, gasosa e dissolvida), facilita
o reúso de água de sistemas de remediação, evitando os sistemas de separação
de fases na superfície. “Fazer o tratamento depois da extração é caro e
ambientalmente inadequado, pois gera efluentes em demasia”, afirma Maia
Nobre. Aliás, a engenharia da extração dos efluentes das trincheiras é a
responsável pela possibilidade maior do reúso da água. Ela pode ser pelo
método passivo (fluxo gravitacional da fase livre de LNAPLs) ou ativo (uso
de bombas para induzir o fluxo de fases livre e dissolvida de LNAPLs).

O primeiro método
é utilizado, geralmente, para a remoção de fase livre em sítios onde a
profundidade do aqüífero freático seja inferior a 6 metros ou em solos de
baixa permeabilidade, em condições nas quais o bombeamento de água não
aumenta significativamente as taxas de extração. Nesses casos, a fase livre
deve ser removida periodicamente, de forma manual (por bailers) ou com o uso
de bombas/skimmers de separação in-situ. Já na operação com sistema ativo, o
rebaixamento do lençol promove maiores taxas de remoção de fase livre
associada ao controle concomitante da dissolvida.
Quando a recuperação de fase livre de LNAPLs é o objetivo principal,
sistemas ativos podem ser projetados para evitar a emulsificação (mistura da
fase livre de LNAPLs com água). “Isso ajuda a reduzir a possibilidade de
smearing (incremento da zona contaminada com fase residual) e diminui a
quantidade de efluente gerado a ser tratado”, afirma Maia Nobre. Para o
bombeamento e rebaixamento do lençol, podem ser utilizados drenos
horizontais ao longo da trincheira assim como poços verticais em pontos
específicos. A definição depende, além da existência ou não de fase livre,
do rebaixamento necessário, e também da configuração da trincheira e
metodologia construtiva adotada.
Apesar das vantagens, Maia Nobre acrescenta que a tecnologia não é
recomendada para contaminações em grandes profundidades (acima de 18
metros), em razão da elevação dos custos da execução e da necessidade de
remoção de grande volume de solo escavado, parte dele contaminado. Além
disso, ainda é limitante sua eficiência em solos de permeabilidade muito
reduzida (K < 10-5cm/s) e sítios com edificações existentes, sobretudo
instalações subterrâneas. A concepção do projeto, aliás, não foge da boa
preparação de uma remediação: estudo do deslocamento de plumas dissolvidas
ao longo de caminhos preferenciais de fluxo, boa configuração da obra e das
vazões de extração e fundamentação das heterogeneidades geológicas
existentes.
Crescimento não pára – A despeito dos problemas relativos à
imaturidade do mercado, as empresas mais conhecidas da área continuam a
ampliar os negócios e a ficar atentas às novas oportunidades. Demonstram
satisfação com o desempenho comercial atual e não perdem tempo de anunciar
planos de expansão, lançando modalidades novas de serviços e produtos. De
forma unânime, estão convencidas de que, mesmo sofrendo com as novas
concorrências de empresas menores com custos igualmente diminutos, as taxas
de crescimento do mercado continuarão a ser consideradas bem altas. E
motivos para o otimismo não faltam: o recente interesse e necessidade da
indústria de mineração e siderurgia em dar cabo a projetos de remediação
(fenômeno capitaneado principalmente pela Vale, empresa em globalização e
por isso mais comprometida com boas condutas ambientais) e o crescimento do
mercado de brownfields (ocupação imobiliária de áreas contaminadas em
centros urbanos) são dois movimentos de destaque nesse campo.
A Essencis Remediação, para começar, tem planos de expansão por todo o país,
segundo revelou a gerente Giovanna Galante. Muito focada como empresa de
destinação de resíduos, administrando e operando aterros, incinerador e
unidades de co-processamento, o grupo pretende fechar a oferta
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como
provedor de solução ambiental para a indústria, cuidando também de
seus passivos mais complicados em solos e águas subterrâneas.
Depois de algumas tentativas não muito bem-sucedidas de se expandir
nessa seara, a Essencis organizou três escritórios exclusivos para a
remediação, em Belo Horizonte-MG, São Paulo e Porto Alegre-RS,
contratou gente especializada e passou a ter ação mais ativa
comercialmente, aproveitando a carteira de 4 mil clientes da área de
resíduos para ofertar projetos de descontaminação. “A remediação
passou a ser estratégica”, ressaltou Giovanna, geóloga com experiência
em outras empresas de remediação (Geoklock e Servmar). |
Cuca Jorge
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Giovanna: Essencis considera estratégica a remediação |
Outra empresa com
perfil parecido com o da Essencis, por ser originária da área de
gerenciamento e tratamento de resíduos, a Cetrel Lumina, do grupo Odebrecht,
conta também com planos ambiciosos de crescimento. Segundo explicou o
coordenador técnico de remediação da empresa, Marcelo Alarsa, depois de três
anos consolidada como prestadora de serviços ambientais (após fusão da
Lumina, da área de gerenciamento ambiental da Construtora Norberto
Odebrecht, com a central de tratamento de efluentes e resíduos do pólo de
Camaçari-BA, da Braskem), a intenção é buscar novas frentes para explorar
negócios com a remediação.
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A principal
dessas novas frentes, em cujo planejamento Alarsa se envolve
atualmente, é criar uma modalidade de serviço ambiental denominada de
forma preliminar como “bolsa de solo”. O princípio é o mais simples
possível e tem público bem definido: empreendedores imobiliários de
grandes centros urbanos. Trata-se de uma oferta que abrange a remoção
completa de solo contaminado e a sua troca por outro limpo, ou seja,
livre de poluentes. O tratamento pode parecer elementar demais, mas
para o perfil da operação a que se presta, isto é, a ocupação de áreas
contaminadas para novos usos, comerciais ou residenciais, as chances
de se mostrar eficaz são muito grandes, na opinião do coordenador da
Cetrel Lumina.
“O empreendimento imobiliário, na maioria das vezes, não tem tempo
para esperar uma remediação |
Cuca Jorge
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Alarsa estuda lançar a "bolsa do solo" |
in-situ, que pode
levar vários anos para ser concluída. Além disso, faz parte das
atratividades do produto imobiliário o respeito a um cronograma
predeterminado de entrega das chaves”, explica Alarsa. Encontrar uma saída
rápida para a remediação, além de facilitar a comercialização dos terrenos e
imóveis, também atrairia empreendedores ainda receosos em ocupar áreas
industriais contaminadas. Nesses casos, o coordenador imagina que as
soluções tecnológicas possam envolver operações on-site (com o solo
contaminado removido, mas tratado no mesmo terreno, com soluções térmicas
portáteis ou em biopilhas, por exemplo) ou ex-situ (quando se transporta o
solo para tratamento externo).
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