Outro serviço ofertado pela Suatrans chama a atenção pelo ineditismo. Trata-se da auditoria invisível, voltada para fiscalizar secretamente a conduta de motoristas de caminhões de transporte de carga perigosa. “Uma equipe nossa segue o caminhão durante um trajeto e vai filmando, tirando fotos e, por fim, produz um relatório sobre a conduta do motorista”, explica o gerente da Suatrans. Segundo ele, o serviço, normalmente encomendado por indústrias químicas, já revelou uma série de barbaridades e contravenções. A “espionagem” valeu punições e até quebras de contrato entre embarcadores e transportadores. “A auditoria invisível é um check-list mais verdadeiro, porque avalia o caminhão em toda a sua viagem, na prática, e não apenas quando ele está para sair da fábrica”, completa o gerente.

Esse trabalho de auditoria tem o perfil de um propósito da Suatrans de tentar fechar mais contratos com a indústria, em detrimento dos feitos com as transportadoras. “Como a co-responsabilidade da indústria é muito grande, sempre será melhor ela se preocupar mais com os atendimentos e não deixar tudo na mão do transportador”, explicou Caleiras. Além de esses contratos serem mais rentáveis para a Suatrans, eles possibilitam trabalhar na prevenção e planejar operações com melhor qualidade. Conforme o gerente, grandes grupos, como Braskem, Vale, Basf e Petrobras, já possuem essa preocupação de contratar direto os operadores de emergência.

A estrutura da Suatrans, segundo Caleiras, conta com 56 bases de operação pelo Brasil para atender a uma carteira de clientes formada por mais de 200 transportadoras rodoviárias, 100% das ferrovias (MRS, ALL, Vale) e algumas indústrias. A central de operações, em São Paulo, que funciona 24 horas, está em fase de ampliação e visa a atender a um plano ambicioso de crescimento da Suatrans, em fase de planejamento para socorrer também emergências marítimas.

Produtos – Além dos serviços, que a cada dia se ampliam mais para fechar o ciclo de gerenciamento ambiental, as empresas de atendimento a emergências também fabricam ou representam os produtos empregados nas ocorrências. De modo comum, cada empresa possui sua divisão de produtos, responsáveis pelo fornecimento cativo ou para terceiros de commodities como as turfas naturais, mantas e barreiras de contenção e absorção de contaminantes, skimmers, bóias de contenção e kits de emergência com um pouco de cada tecnologia. Aliás, boa parte do fornecimento se baseia em normas e padrões internacionais para atendimento a emergências. As chamadas barreiras verdes são mantas dispostas em espécies de colchões arredondados, travesseiros e cordões, feitas em várias formas e tamanhos com tecidos absorventes de polipropileno, cuja cor verde serve para padronizar sua ação contra vazamentos e acidentes com líquidos agressivos ácidos ou básicos. A barreira branca, também com concepções similares, é para agir na contenção e absorção de vazamentos de hidrocarbonetos. E há ainda a barreira cinza, para líquidos menos agressivos, solúveis em água.

Faz parte também do portfólio das empresas o uso e a venda de turfas naturais, produto de origem vegetal com a capacidade de absorver não só hidrocarbonetos como solventes orgânicos, organoclorados, benzeno, fenol e vários outros químicos. Seu uso é muito apreciado por ser natural e, muitas vezes, dependendo da extensão dos vazamentos em cursos d´água, não há a necessidade sequer de removê-las do local contaminado. Mas, quando removido, a turfa com óleo absorvido se torna resíduo classe 1, com necessidade de destinação seguindo esses cuidados.

A turfa, para o uso de absorção de hidrocarbonetos, foi invenção do tipo “Eureka”. Durante um dos piores vazamentos de óleo da história, no Alasca, em 1989, provocado pelo navio Exxon Valdez, os responsáveis pelo atendimento do desastre ambiental perceberam que a vegetação marinha do local conseguia absorver e encapsular o óleo. Daí pesquisadores canadenses passaram a

estudar a vegetação e identificaram a turfa Sphagnum peat moss, que possui duas propriedades singulares: ao mesmo tempo em que contam com alta capacidade de absorção de químicos, elas resistem à absorção de água. Para aprimorarem seu uso como produto de descontaminação, as turfas são submetidas a um processo de tripla filtragem, que elimina as impurezas, e de desidratação, para potencializar a capacidade de absorção. Um quilo do produto pode absorver de 5 a 8 litros de químicos, encapsulando-os em sua estrutura porosa até a completa decomposição, biodegradando-se posteriormente. A pioneira na sua introdução no mercado brasileiro foi a Ecosorb, que passou a importar do Canadá o Sphag Sorb no meio da década de 90. Aprovado pela agência norte-americana de proteção ambiental, a EPA, e pelo Ministério da Agricultura do Brasil, o produto pode ser utilizado tanto para limpeza de derramamentos de óleo na água como do solo e até mesmo para limpeza da vegetação e de animais. A introdução da turfa, aliás, representou o início das operações da Ecosorb, depois ampliadas para o serviço de atendimento a emergências.

Com o passar do tempo, a Ecosorb, segundo explicou seu diretor Chen Li Cheng, precisou criar alternativas para baratear o custo da importação, nacionalizando etapas da produção da turfa. Isso porque o mercado brasileiro começou a ofertar similares mais baratos, como a turfa nacional Ambclean, da Suatrans (fruto de pesquisa de uma universidade brasileira que a empresa prefere omitir o nome) e até concorrências mais grosseiras com o pó de serragem. Segundo Cheng, para reduzir o custo a empresa passou a importar a turfa em estágio molhado, com secagem e acondicionamento em embalagem na fábrica da Ecosorb em Itatiba-SP.

Ocorrências no mar seguem padrões de socorro

Conheça a seguir os procedimentos que podem ser tomados para limpar o mar quando ocorre um derramamento de petróleo, segundo informações do livro Preserve os Oceanos, de John Baines:

Se o derramamento acontecer longe da costa, muitas vezes é melhor não fazer nada, para que a mancha de petróleo se desfaça naturalmente. Provavelmente, ela desaparecerá, embora alguns resíduos possam voltar às costas, tempos depois, em forma de bola de piche.

Detergentes fortes podem ser espalhados sobre a mancha para que ela se dissolva mais rapidamente. Eles não devem, porém, ser empregados próximo a terra, pois são venenosos e podem contaminar ou matar animais e plantas marinhos.

O petróleo bóia na superfície da água, mas pode ser afundado espalhando-se pó de giz sobre ele: o pó fica encharcado e afunda. Se, por um lado, a superfície da água fica limpa, por outro, o fundo do mar é afetado por causa do petróleo que se deposita nele, prejudicando plantas e animais.

Muitos materiais, como por exemplo a palha, a turfa e o poliestireno, absorvem o petróleo quando espalhados sobre ele. A mistura oleosa pode, então, ser recolhida e eliminada com segurança. Esse processo é bom, porque remove o petróleo, mas só pode ser usado com mar calmo e quando o derramamento não é muito extenso.

Barreiras flutuantes podem ser colocadas na água, evitando que a mancha se espalhe, principalmente em praias muito freqüentadas ou em reservas de vida silvestre. Se o derramamento não foi muito grande, bóias podem ser colocadas ao redor de toda a mancha, para que um petroleiro aspire o petróleo da superfície. Também é preciso que o mar esteja calmo para que se obtenha sucesso.

    Divulgação/Alpina
  • Barreira flutuante dá segurança em carga  e desgarga
  • Barreira flutuante dá segurança em carga e desgarga

Remover o petróleo do mar é a melhor opção, do ponto de vista ambiental, mas nem sempre isso é possível logo de imediato. Então, é necessário contê-lo rapidamente, do contrário ele se espalhará por grandes distâncias antes que alguma ação efetiva possa ser tomada.

Há também outros casos de empresas que começaram a trabalhar no mercado de atendimento a emergências como fornecedora de produtos e equipamentos. A Alpina Ambiental, que desde 1983 produzia sistemas e equipamentos para o controle ambiental, entre eles bóias de contenção e recolhedores de óleo, a partir de 2000, para atender à demanda do vazamento de óleo na Baía de Guanabara, passou a ofertar o serviço, hoje representado pelo acordo com a escocesa Briggs, formando a empresa Alpina Briggs. Segundo o diretor da empresa, Marco Formicola, hoje o grupo trabalha com um mix de operações, que inclui profissionais próprios ou dos clientes treinados, também em instalações próprias ou dos clientes. Especializada em atendimento marítimo, conta como cliente principal a Petrobras, em plataformas e refinarias, e para a Transpetro, empresa do grupo petroleiro responsável por dutos, terminais e navegação de cabotagem. Segundo Formicola, a Alpina atende também as ocorrências terrestres, em 42 bases no Brasil, de sua propriedade ou de terceiros contratados.