A abrangência, ainda segundo o diretor da Ecosorb, vai do Porto do Rio Grande, no estado gaúcho, até Alagoas. Normalmente, trata-se de bases montadas para atender a clientes específicos, mas o investimento na infra-estrutura, com estoque de produto e gente especializada em emergência de plantão, acaba sendo útil para servir de apoio para outras urgências ocorridas nas proximidades. Este é o caso de quatro novas unidades construídas para a Petrobras, para operação na costa entre Sergipe e Alagoas, para atender possíveis acidentes em torno da Plataforma Piranema, a 50 quilômetros da praia. A operação central fica em Aracaju-SE e ainda há outras no Pontal de Coruripe-AL, Abais-SE e Sítio do Conde, no norte da Bahia.

O projeto para a estatal do petróleo visou à exigência do órgão ambiental, que analisou o impacto da nova plataforma na região de praias com vocação turística e pesqueira. “Eles chegaram à conclusão de que, na ocorrência de um vazamento e na ausência de resposta emergencial, em 24 horas o óleo atingiria as praias”, explicou Cheng. Vencedora de concorrência, a Ecosorb instalou as unidades em novembro de 2007. Além da parte física do projeto, que inclui disponibilizar os produtos, equipamentos, barcos, viaturas e gente especializada no atendimento, há também a necessidade de treinar moradores da localidade para servir de apoio nas emergências. “Fazemos um cadastro, normalmente de pescadores, para acioná-los em casos de acidentes”, disse. Bom ressaltar que nos serviços necessitados há uma remuneração para os apoiadores. Outras bases da Ecosorb também foram montadas para atender as empresas interessadas em se antecipar às ocorrências. Também em novembro de 2007, no Porto de Ubu, no Espírito Santo, foi construída uma base para o terminal líquido da empresa Brazil Supply, prestadora de serviço contratada pela Petrobras. Além disso, há unidades nos portos de Itajaí, Trocadero e Navegantes, em Santa Catarina, e no de Paranaguá-PR (com plano de área para quatro empresas de terminais líquidos). No Rio de Janeiro, está em andamento uma negociação para formar unidade e plano de emergência para o sindicato dos operadores portuários.

Mais recentemente, a Ecosorb preparou uma unidade no Porto do Rio Grande, no Rio Grande do Sul, inaugurada em 26 de fevereiro. Aí, segundo Chen Li Cheng, trata-se de iniciativa diferenciada, por ser uma operação dedicada para todo o porto e não apenas para um terminal. E ainda conta com a vantagem de se encontrar próximo a um entroncamento ferroviário da América Latina Logística (ALL), para quem a empresa também presta o serviço de atendimento de emergência, e de rodovias importantes para o escoamento da produção do pólo petroquímico de Triunfo-RS. “O tempo de resposta ficou bem rápido. Tanto é que nesse curto período já atendemos dois acidentes ferroviários de maneira bastante ágil”, disse. O serviço em Rio Grande é um acordo operacional, com termo de permissão de uso de área do porto. Por ser pertencente ao estado gaúcho, mais para frente o diretor da Ecosorb prevê uma licitação para a oficialização da prestação de serviço.

Serviços ampliados – Operar na prevenção e no atendimento a emergências de forma intermodal, suportando acidentes rodoviários, ferroviários e aquáticos, é um objetivo não só da Ecosorb, que até o momento se tornou mais conhecida por suas operações marítimas, mas das demais empresas do segmento. Trata-se de um caminho natural, tanto para atender à demanda de intermodalidade entre as empresas de transporte e a indústria como para aumentar os próprios negócios, que podem se tornar meio limitados se voltados muito para um tipo apenas de cliente.

O motivo para a ampliação dos serviços vai além da intermodalidade. Tem muito a ver também com a necessidade dos clientes de contar com um mesmo fornecedor para várias de suas demandas, muitas delas originadas das operações de emergência, como o gerenciamento dos resíduos gerados pelas ocorrências, negociações com órgãos ambientais e recuperação e remediação das áreas degradadas. Dessa forma, as empresas da área tendem a se qualificar como prestadoras de soluções ambientais.

Este é o caso, por exemplo, da Suatrans. Originária da antiga divisão de atendimento a emergências do grupo de transporte Borlenghi (proprietário da Cesari), posteriormente desmembrada para socorrer acidentes de terceiros, a Suatrans hoje é estruturada para suportar o que seu gerente, Ricardo Caleiras, chama de ciclo de gerenciamento ambiental. A concepção de trabalho criou quatro unidades de negócios: emergência, resíduos, produtos e treinamento.

“No começo, atendíamos apenas a emergências, mas como os clientes normalmente pediam que encontrássemos soluções para os resíduos gerados e, outras vezes, remediássemos a área, começamos a ampliar os negócios”, explicou Caleiras. Os resíduos coletados, a maior parte deles absorvida por seus produtos de emergência (turfas e absorventes de tecido de polipropileno), passaram a ser preparados para descarte nas diversas tecnologias de destinação, como aterros, co-processamento e incineração. Com a experiência em emergências, a Suatrans criou ações mais proativas para gerenciar resíduos, como a coleta de panos e outros materiais contaminados com óleos, em postos e depósitos de combustíveis e de concessionárias de automóveis, em seguida enviados para a correta destinação, co-processamento ou reciclagem. Além disso, oferece serviços de rescaldo de incêndio, limpeza de tanques industriais, transferência de borras e coordena trabalhos de remediação de área contaminada. Nessa etapa, a empresa faz isolamento e contenção das plumas de contaminação e subcontrata, quando necessário, especialistas para realizar projetos mais complexos de descontaminação. “Criamos uma divisão de remediação, principalmente porque sempre que atendemos a uma emergência o órgão ambiental nos questiona se os contaminantes atingiram o lençol freático. Não tínhamos como saber e agora já podemos dar uma primeira resposta”, disse Caleiras.