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EMPRESAS DE ATENDIMENTO CRESCEM COM O MAIOR RIGOR DO TRANSPORTE QUÍMICO

Marcelo Furtado

Há um mercado cujo desempenho satisfatório nos últimos anos pode se tornar revelador da realidade ambiental dos setores produtivos brasileiros. Trata-se daquele formado por empresas especializadas em oferecer serviços e produtos para emergências químicas. Crescendo a olhos vistos, o setor reflete não só o fato de que os acidentes em estradas, ferrovias, rios e mares são uma eterna ameaça como demonstra já ter se tornado praxe entre os embarcadores a exigência de garantias de segurança dos transportadores.

É como se o “universo conspirasse” a favor dessas empresas, tamanhas as situações criadas para estimular a contratação de seus serviços. Quando os clientes não as procuram espontaneamente, para evitar caros e complicados dissabores provenientes de acidentes e vazamentos, há iniciativas compulsórias às transportadoras. Este último caso é ilustrado por determinação do Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade (Sassmaq), da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), voltado para qualificar o transporte químico de suas associadas, que exige dessas prestadoras contratos com empresas especializadas em emergências.

As coincidências positivas que servem de grande estímulo para o desenvolvimento do setor não param por aí e algumas vezes seus detalhes impressionam. É comum, ao se ter contato com o histórico recente das empresas da área, saber de casos de atendimentos em que os contratos haviam sido recém-acordados, mostrando a necessidade latente por esse tipo de serviço. Há mais de um exemplo. Na Suatrans, segundo afirmou seu gerente de desenvolvimento, Ricardo Caleiras, certa vez a equipe estava comemorando a assinatura de contrato em um restaurante quando o mesmo novo cliente ligou para saber se já poderia contar com a operação de emergência. “Acabamos a comemoração ali mesmo e fomos organizar o atendimento”, recorda. Na Ecosorb, outra empresa em ascensão na venda de produtos e serviços para atendimento a emergências, houve também caso significativo de coincidências desse tipo. Em 2004, quando inaugurou sua primeira base emergencial em Santos-SP, criada para atender oito terminais marítimos privados de líquidos, precisou duas semanas depois atender a uma ocorrência de grande gravidade no Porto de Paranaguá-PR. Mais precisamente, segundo revelou o diretor da Ecosorb, Chen Li Cheng, a base foi inaugurada em 1° de novembro e, no dia 15 do mesmo mês, um navio chileno explodiu em um terminal privado, vazando 1,5 milhão de litros de óleo na baía de Paranaguá.

Como a base em Santos havia sido feita para atender a um pool de empresas ligadas à Associação Brasileira de Terminais Líquidos (ABTL), o terminal no Paraná recorreu aos serviços da Ecosorb, que designou equipe, equipamentos e produtos para o local. “Foi um teste de fogo e uma prova de que a melhor política é a prevenção”, explicou Cheng. O diretor se refere ao fato de que, tanto no porto paranaense como no terminal palco do acidente, a Ecosorb precisou improvisar o socorro, por não existir um plano de emergência nem o costume de promover simulados para se antecipar a situações reais. “Por não ter treinado como agir, o que inclui saber que produtos e tecnologias vão ser usados, quais pessoas serão mobilizadas para atuar, a ação foi prejudicada”, explica Cheng. “Só para se ter uma idéia, precisamos fazer demonstração de produtos de absorção de óleo para os técnicos do órgão ambiental no local do acidente, o que só demonstrou o despreparo local”, completou.

Daí que o lugar-comum “é melhor prevenir do que remediar” ganha real importância. Principalmente em locais de alto risco, como portos, com carga e descarga constante de produtos perigosos, inflamáveis e tóxicos. Foi por essa razão que a Ecosorb passou a oferecer e a montar bases iguais à de Santos em outras localidades. Com essa experiência, foram criadas mais dez unidades por todo o país, localizadas em portos e terminais marítimos, mas com estrutura montada para atender às ocorrências rodoviárias e ferroviárias. “Usamos essas bases, a princípio voltadas para o atendimento marítimo, com plataforma para qualquer socorro. E a abrangência de atuação é comunicada aos clientes, para evitar problemas futuros”, disse Cheng.