Além dos benefícios oferecidos pelo RDP, chamou a atenção dos presentes a decisão da NACD de ampliar o leque de associados,aceitando a inscrição de empresas de logística, transporte e de serviços conexos à distribuição química. Embora a entidade seja poderosa, representando 250 companhias com vendas somadas de US$ 19,3 bilhões anuais, ou seja, 34% das vendas da indústria química americana (US$ 605 bilhões), ela sente os efeitos das consolidações de mercado. “Em 2007, perdemos quatro empresas associadas como conseqüência de fusões e aquisições”, disse Schechinger. Pelo mesmo motivo, 48 companhias desapareceram dos quadros da NACD durante os últimos catorze anos. O vice-presidente considera que a entidade oferece excelentes serviços e informações que podem ser aproveitados por empresas com interesses afins, caso de transportadores especializados, fornecedores de equipamentos, ou mesmo indústrias químicas. Além disso, ele entende a participação como membro no encontro anual do setor como uma grande oportunidade para oferecer serviços logísticos, financeiros e de seguros, entre outros. “Trata-se de uma reunião com pessoas altamente qualificadas e atuantes em empresas que são consumidoras desses itens”, afirmou. O próximo encontro anual está marcado para 1º a 5 de dezembro, em Scottsdale, Arizona (ver site: www.nacd.com).

Reforçando laços– Um dos objetivos da reunião anual dos distribuidores químicos é a aproximação entre os elos da cadeia produtiva. O bom relacionamento com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), atestado pela presença do presidente do conselho da entidade, Carlos Mariani Bittencourt, tem facilitado a participação de representantes da indústria. A palestra de abertura do EBDQuim foi proferida pelo presidente da Ultrapar, Pedro Wongtschowski. Com base nos resultados divulgados no Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq), em dezembro de 2007, ele analisou a situação atual da produção brasileira de químicos, concluindo que o nível de investimentos segue baixo, inferior à evolução da demanda, por causa da baixa rentabilidade obtida. “Os últimos anos bons em lucros para a indústria química nacional foram 2003 e 2004”, afirmou. Em 2006, o indicador de resultado líquido/patrimônio líquido setorial foi de 9%, contra 25% em 2004. “O setor químico investe defensivamente, apenas para manter sua posição e para aproveitar ao máximo o parque produtivo existente, promovendo desengargalamentos e pequenas ampliações”, analisou. Nos Estados Unidos, segundo ele, a rentabilidade é sempre positiva, por volta de 15% no mesmo indicador, tornando o ambiente mais previsível e adequado para investimentos. Sem mencionar a tributação brasileira, alta e complexa.
“Vivemos uma situação curiosa: as exportações são taxadas, com os créditos de ICMS se acumulando sem perspectiva de devolução, enquanto as importações são incentivadas por meio de isenções e diferimentos de ICMS, como está sendo feito em Pernambuco”, criticou Wongtschowski. Além disso, ele ressaltou que o país não tem vantagens em matérias-primas petroquímicas e nem conta com mão-de-obra de baixo custo (incluindo os encargos), calculado por ele como próximo ao do trabalhador alemão. Nem mesmo os produtos de origem natural, como o etanol, são vistos como alternativa para o crescimento do setor. “O eteno de álcool sai mais caro que o convencional, por isso os seus derivados precisam ser vendidos mais caros, contando com o apelo ecológico”, disse. O crescimento da demanda nacional por produtos petroquímicos será atendido ou com investimentos de companhias brasileiras em outros países que tenham suprimento abundante de matérias-primas ou com o aproveitamento de óleo pesado nacional, via Comperj (a refinaria química que a Petrobras planeja montar no Rio). Ao mesmo tempo, o executivo salientou a necessidade de a cadeia química combater a “quimiofobia” que assola o mundo. “É preciso administrar a imagem do setor, sem negar os fatos negativos, mas salientar os positivos”, recomendou. É o caso de ressaltar o papel dos produtos químicos na desinfecção de água potável, na redução de custo dos itens de vestuário, e o uso das borrachas sintéticas e dos conservantes alimentícios na qualidade de vida atual. Do ponto de vista das operações, além de perseguir a melhoria contínua, Wongtschowski recomenda adotar estratégias de redução de custos por meio de ganhos de escala e por investimentos em tecnologia de operação. O marketing deve se apoiar em pesquisa e desenvolvimento, oferecendo também melhores serviços aos clientes, com os quais é preciso gerar relacionamentos mais amigáveis. Também é fundamental buscar mercados complementares no exterior. A higidez financeira exige acesso aos mercados de capitais e respeito aos limites prudentes de endividamento. Ao mesmo tempo, é preciso investir para desenvolver e reter talentos dentro das companhias químicas.

O mercado químico mundial é maduro, crescendo no ritmo da economia mundial, sendo obrigado a conviver com a escassez de matérias-primas, mesmo no Oriente Médio. “Os óleos disponíveis estão cada vez mais pesados e o etano de gás natural está começando a faltar para novos projetos”, comentou. Com a redução da rentabilidade provocada pelo aumento de custos, as empresas internacionais buscaram a consolidação corporativa (fusões e aquisições) e a especialização por linhas de produtos, passando a atuar com portfólio reduzido e restrito a alguns segmentos de mercado. Ele citou as maiores indústrias químicas em 1990, a ICI e a Hoechst, ambas desaparecidas do cenário ao longo dos anos. Enquanto isso, novos players como Sinopec e Formosa entraram em cena. “Em 1970, seis das cinqüenta maiores empresas do mundo listadas pela revista Fortune eram indústrias químicas; em 2007 não havia nenhum nome do setor nesse ranking”, disse. Atualmente, a maior companhia química do mundo em valor de mercado é a Sabic (Arábia Saudita), seguida pela Reliance (Índia) e Formosa (Taiwan). Em vendas, a maior é a Basf. Além da mudança de cadeiras, o setor também foi transformado na sua composição acionária com o ingresso de fundos de investimento privados em posições de controle, provocando mudanças de atitudes e expectativas. A parte final da apresentação de Wongtschowski foi dedicada a demolir alguns mitos referentes à indústria química. O primeiro deles diz respeito aos limites da associação entre escala e rentabilidade. “Quanto maior, melhor?”, perguntou. A resposta, obtida pela análise de balanços de 400 empresas mundiais entre 2002 e 2007, com foco na margem Ebitda: não há relação direta entre tamanho e rentabilidade, embora as empresas de menor porte tendam a ser mais rentáveis. Outro ponto contesta o senso comum de concentração de mercados. “As top 10 do setor detinham 16% das vendas em 1970, enquanto dominaram apenas 11% em 2006”, afirmou. As cinqüenta maiores companhias químicas mundiais tinham 36% das vendas em 1970, mas caíram para 25% em 2006. A explicação está no fato de as grandes empresas terem reduzido seus portfólios, abrindo espaço para o aparecimento de novos players.
Além disso, ele demonstrou que as petroleiras não estão aumentando sua participação na petroquímica mundial. Pelo contrário. Apenas cinco entre as vinte maiores companhias químicas do mundo são também produtoras de petróleo: Shell, ExxonMobil, Sinopec, Total e Chevron. E a participação das vendas químicas fica ao redor de 10% do total (com exceção da Sinopec, com 21%). “A rentabilidade da exploração e produção de petróleo e gás supera em muito à da indústria química”, explicou. O executivo também tranqüilizou a audiência quanto a uma migração industrial para o Oriente Médio. Segundo ele, 55% do eteno mundial é produzido fora dos Estados Unidos, Europa e Japão. Porém apenas 21% tem origem no Oriente Médio. A Ásia e a China cresceram muito, mas devem passar por um período de estabilização. “Fora o eteno, não há mudança significativa na geografia química, pois 61% do valor da produção segue nos EUA, Europa e Japão”, afirmou. A Oxiteno vai inaugurar até o fim deste semestre uma fábrica para 95 mil t/ano de álcoois graxos em Camaçari-BA. O mesmo site receberá investimentos para ampliar a produção de mais 65 mil t/ano de etanolaminas (chegando a 110 mil t/ano) e de novas 70 mil t/ano de etoxilados (total de 200 mil t/ano) ainda neste ano. O site conta com planos para ampliar de 260 mil para 350 mil t/ano a capacidade produtiva de óxido de eteno até 2009. A fábrica do óxido em Mauá-SP passará de 52 mil para 90 mil t/ano ainda em 2008, tendo recebido o novo reator fabricado pela Jaraguá Equipamentos. Ao todo, esses projetos representam a aplicação de US$ 420 milhões.
Os álcoois graxos serão direcionados para os mercados de domissanitários e cosméticos, grandes consumidores do insumo, hoje importado. A primeira linha de álcoois será feita com base em ácidos graxos retirados do óleo de palmiste, trazido do Sudeste Asiático. Em março, a Oxiteno já estava formando estoques para garantir a continuidade da produção. A nova fábrica e as ampliações redundarão em aumento no volume de vendas da empresa e também por parte da rede de distribuição. Segundo João Benjamin Parolin, diretor-superintendente da Oxiteno, nos últimos três anos o volume negociado por intermédio da distribuição e revenda autorizadas cresceu de 143 mil t (2005) para 174 mil t (2007). “Nossa projeção para 2008 é de transferir para a rede 216 mil t de produtos”, afirmou. Parolin detalhou a política da empresa com relação à sua rede. A companhia mantém sete distribuidores autorizados mediante contratos bienais: Brenntag, GAP, Maringá, Morais de Castro, Nordesquim, Porduquim e Quimimax. “Queremos contar com, no mínimo, dois distribuidores ativos por unidade da federação”, explicou. Os distribuidores devem estar certificados no Prodir (dois deles ainda estão em processo de certificação) e atuam em regiões geográficas determinadas. Os revendedores atuam de forma mais específica, com menos direitos em relação ao fabricante que os distribuidores. A Oxiteno atende diretamente a 400 clientes, enquanto a distribuição mantém um cadastro de dez mil nomes ativos. Essas relações estão sendo permanentemente revistas, segundo critérios volumétricos e de estratégia da companhia. O canal de distribuição e revenda responde por quase 10% das vendas totais da companhia, percentual considerado baixo pelo executivo. Parolin comentou que é freqüente a transferência de clientes para a rede, com o objetivo de reduzir custos para a fabricante e melhorar o atendimento ao destinatário. “São consumidores que precisam de volumes menores, mais adequados ao seu perfil de consumo, e demandantes de entregas mais ágeis”, salientou. A companhia realiza pesquisas sobre a satisfação dos clientes a cada dois anos, dentro de uma amostra de 300 entrevistados. Com isso, ela consegue avaliar o grau de satisfação com os serviços prestados pela rede. “A indústria precisa interagir com a distribuição, trocando informações e apoiando iniciativas e obtendo mais dados sobre as necessidades dos mercados”, considerou.