Combustíveis
A pós passar por uma série de modificações, as quais englobaram troca de tubulações, reformas e troca de reatores, a planta de MTBE (metil tércio butil éter) da Companhia Petroquímica do Sul, agora controlada pelo grupo Braskem, foi convertida numa planta de ETBE (etil tércio-butil éter), a primeira do país. Os dois produtos são aditivos colocados nas gasolinas européia e norte-americana, numa taxa média de 5%, para melhorar a combustão e a octanagem. A capacidade é de 155 mil toneladas por ano. Na realidade, a primeira operação da Copesul com ETBE ocorreu em 2005, em caráter experimental, quando ela exportou para a empresa holandesa Vitol uma carga de 2,4 mil toneladas. Na época, a empresa comemorou o fato de o preço obtido na operação ter resultado em ganhos significativos em comparação com o MTBE, tendo em vista o incentivo fiscal aos combustíveis que não são originados totalmente do petróleo na Europa.
Desde o ano passado, agora em escala comercial, a Copesul coloca uma média de 13 mil toneladas por mês de ETBE na Europa e, ao todo, já foram 80 mil toneladas. Como explica o executivo de negócios da Copesul, Paulo Moretti, o MTBE se origina de uma reação do metanol com o isobuteno e o ETBE usa o álcool de origem vegetal na reação. O processo reúne uma seqüência de reatores que a partir do etanol e do isobuteno quebram e modificam as moléculas até produzirem o ETBE. Por isso, o produto pode ser considerado um biocombustível. Por conta da mistura de etanol, o ETBE contempla diversas vantagens no momento. É um produto com larga capacidade de agregar valor, pois o etanol é comprado em usinas de São Paulo. Quando produzia MTBE, até 2006, a Copesul precisava buscar metanol no Chile. Além disso, o álcool derivado de petróleo começa a ficar caro e escasso, por conta da necessidade de produção de mais gás para abastecer a Argentina, país em crise energética, derivada de uma série de medidas canhestras tomadas naquele país, que não ampliou a oferta de fontes em sua matriz energética em descompasso com a sua própria recuperação econômica. Mas o principal aspecto é ambiental. Produtos derivados de metanol estão praticamente banidos na Europa e produzir um substituto com base no etanol fartamente disponível no Brasil se constitui numa vantagem competitiva substancialmente interessante para a Copesul. A logística de entrega do ETBE engloba um sistema de navios fluviais que saem do terminal privativo da Copesul de Santa Clara, em Triunfo-RS com cargas menores de ETBE.

O aditivo chega ao porto oceânico de Rio Grande onde é acumulado em tanques de grandes volumes. As cargas viajam em volumes de dez mil toneladas em embarcações de casco duplo com sistema de armazenagem compartilhada com outros produtos num objetivo claro de garantir competitividade de custos.
Moretti antecipa ainda que em breve o Brasil começará o abastecimento do mercado do Japão, país que deverá substituir o MTBE pelo ETBE até 2009. Em fevereiro ocorreu a exportação de cinco mil toneladas com esse destino. A experiência com o aditivo está sendo feita numa rede de postos de abastecimento de Tóquio.
Para atender à nova demanda, o grupo Braskem, detentor do controle acionário da Copesul, já anunciou uma nova planta de ETBE para Camaçari, Bahia, com capacidade definida em 160 mil toneladas por ano. O investimento demandará R$ 100 milhões e também resultará na conversão de uma planta de MTBE para ETBE. A empresa calcula que além de empregar um recurso natural renovável, a troca do MTBE pelo ETBE irá resultar numa redução de 76% de emissão de CO2. “Os principais mercados para o ETBE produzido pela Braskem são os países europeus e o Japão, que elegeram o produto como o biocombustível que vai elevar a octanagem da sua gasolina. Nos adiantamos a essa tendência mundial e já iniciamos a conversão para fornecer ETBE para esses mercados”, ressalta Manoel Carnaúba, vice-presidente da Unidade de Insumos Básicos da Braskem. Carnaúba adianta que a conversão do processo produtivo nas duas unidades de Camaçari, assim como na da Copesul, exige uma série de modernizações e atualizações tecnológicas. Em novembro último, a Braskem consolidou um acordo milionário com a Petroquisa, o braço petroquímico da Petrobras. Tal iniciativa visa à integração na Braskem, entre os quais a participação majoritária na Copesul anunciada no primeiro semestre de 2007 com a compra compartilhada do extinto grupo gaúcho Ipiranga por um pool formado pela própria Braskem, Petrobras e o grupo Ultra.
Na ótica corporativa do grupo baiano, que detinha o controle da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene), esse movimento representa uma nova e importante etapa no processo de consolidação da petroquímica brasileira com o objetivo de fortalecer o setor por meio de empresas mais integradas e competitivas sob liderança da iniciativa privada, em condições de atender ao crescimento acelerado do mercado brasileiro e exercer um papel relevante no mercado internacional. “A iniciativa posiciona a Braskem como uma competidora destacada na petroquímica global e com forte capacidade de geração de caixa, o que vai permitir acelerar seus projetos de crescimento e de internacionalização”, assinalou na época o Ceo do grupo, José Carlos Grubisich. “Além disso, o acordo com a Petrobras estabelece um novo paradigma de governança corporativa no contexto empresarial brasileiro”, acrescentou o executivo. Para Grubisich, o modelo consolida o princípio do profissionalismo e da representação proporcional dos acionistas relevantes no Conselho de Administração. Com essa operação, a participação conjunta da Petrobras e Petroquisa na Braskem crescerá de 8,1% para 30% do capital votante e de 6,8% para 25% do capital total, confirmando o papel da Petrobras como acionista minoritária relevante na companhia. Pelos termos do acordo, a Braskem integrará até maio de 2008 as participações detidas por Petrobras e Petroquisa indicadas a seguir com base na proporção sobre o capital total: Copesul (37,3%), Ipiranga Petroquímica (40%), Ipiranga Química (40%) e, opcionalmente, Petroquímica Triunfo (até 100%), no Rio Grande do Sul. Será sócia ainda em 40% da Petroquímica Paulínia. Se confirmada a incorporação da Petroquímica Triunfo, a Braskem irá ampliar em 160 mil toneladas anuais sua capacidade de produzir polietileno ao seu portfólio de produtos.w F. C. Castro