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Já instalada e em
fase de comissionamento, a unidade de ultrafiltração, com vazão para 1.600
m3/hora, foi fornecida pela holandesa Norit e emprega membranas tipo
espaguete de fibra oca, com fluxo de dentro para fora. A escolha por essa
membrana, segundo Nogueira, se deveu a seu menor gasto energético, em
comparação com outras membranas com fluxo de fora para dentro.
Quando começar a funcionar para valer, entre final de abril e maio, o
efluente tratado pela estação passará a ser avaliado para adequação de seu
reúso em etapas produtivas da Klabin. “Cada efluente possui suas
peculiaridades, por isso ainda não temos certeza onde ele poderá ser usado”,
explica. Enquanto não definem, o filtrado, de boa qualidade por sinal, será
descartado no rio Tibagi.
De acordo com Nogueira, a modernização da ETE que culminou com a
ultrafiltração atende à necessidade da produção da nova máquina de
papel-cartão, que faz a planta demandar capacidade hidráulica de tratamento
de 4 mil m3/h, contra os 3 mil m3/h anteriores. Com a unidade de
ultrafiltração, a sua previsão é de, dentro de cinco anos, passar a
recuperar com as membranas todos os atuais 3.600 m3/h de efluentes hoje
gerados. “A unidade foi montada com espaço para módulos extras”, diz.
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Mudança
geral – Segundo o gerente, a ultrafiltração foi apenas o ponto
mais evidente do investimento total de R$ 70 milhões na estação, cerca
de 20% do aporte, mas está longe de ser o único. Na verdade, as fases
anteriores foram aprimoradas uma a uma. “Precisávamos partir para o
tratamento terciário e melhorar todo o sistema, porque a carga de DBO
e DQO, com a nova máquina, aumentou muito”, afirmou. Para começar,
após a calha Parshall foi acrescentado um novo gradeamento,
automatizado e com espaçamento de 6 mm de abertura (contra 100 mm do
anterior). Na seqüência, a caixa de areia ganhou um novo sistema de
limpeza.
Na etapa seguinte, ao clarificador primário foi acrescentado mais um
decantador de 50 metros de diâmetro, que passou a alimentar
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Divulgação
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Nogueira: R$ 70 milhões para modernizar ETE e adotar ultrafiltração |
com mais
eficiência e capacidade a caixa de mistura do sistema anterior. Por ser um
efluente com temperatura alta (55ºC) por causa do processo, há depois da
clarificação torres de resfriamento para reduzi-la para 40ºC. No sistema
anterior, havia apenas duas células, na modernização foi instalada mais uma.
Depois disso, o fluxograma contemplava apenas um sistema biológico
denominado moving bed biorreactor (MBBR), um lodo ativado com enchimentos
plásticos (espécies de bóbis de cabelo mergulhados no tanque) que aumentam a
área de contato dos microrganismos. A este sistema, modernizado, foi
incluído um seletor aeróbico, o qual passou a dividir o fluxo com o MBBR.

O biológico
melhorado realiza pré-seleção das colônias mais eficientes e passou a
alimentar o sistema de lodos ativados também reformulado. Antes havia apenas
um para tratar 13 mil m3/h e na modernização foi acrescentado outro com
capacidade para 26 mil m3/h. Outra modificação foi poder deixar de lado o
oxigênio puro anteriormente empregado e passar a usar ar difuso. “Como o
residual orgânico passou a ser menor, não precisa operar com o mais caro
oxigênio”, explicou Nogueira.
Para finalizar, a Klabin agregou um novo decantador secundário de 70 metros
de diâmetro, em paralelo com o existente de 60 metros. Com o aumento na
área, foi possível reduzir a taxa hidráulica e assim melhorar a separação.
Segundo explica o gerente da Klabin, o efluente tratado do novo decantador
seguirá então para a unidade de ultrafiltração. E depois disso se juntará
com o filtrado do decantador antigo para descarte no rio. “Vamos começar
então a estudar o efluente resultante da ultra para depois começar a usá-lo
e, futuramente, ampliar a estação para fechar o ciclo da fábrica”, explicou.
No longo prazo, a meta será difundir o conceito do reúso para as outras 16
unidades brasileiras da Klabin (há uma na Argentina), que juntas consomem
por ano 70 milhões de m3 de água. Se não em todas, pelo menos nas outras
três fábricas integradas de celulose e papel, em Angatuba-SP e nas cidades
catarinenses de Correia Pinto e Otacílio Costa, cujo consumo é mais crítico
para a produção.
Tecnologia limpa – Não ter adotado com firmeza ainda as tecnologias
de reúso de efluentes não significa que o setor de papel e celulose tenha
deixado de se empenhar em racionalizar o uso de água em suas unidades.
Compartilha dessa opinião o engenheiro Nei Lima, da ABTCP, profissional
experiente na área e com passagem por empresas do setor, como a Riocell, de
Guaíba-RS.
Para Lima, o principal movimento das empresas foi nas modificações no
processo para recuperar água e matérias-primas durante as várias etapas. Um
exemplo importante citado pelo engenheiro diz respeito à etapa de
branqueamento da celulose, especificamente na pré-deslignificação. Segundo
explica, muitas empresas, a começar pelas grandes produtoras, passaram a
empregar oxigênio puro nessa etapa. O principal mérito de substituir
oxidantes clorados foi a diminuição na carga dos efluentes por causa da
possibilidade de reúso da água em contracorrente na mesma etapa. “Isso sem
falar que diminui a toxicidade do efluente, por ter menos cloretos para
tratar”, disse.
Outra prática que se tornou comum foi a clarificação do chamado licor verde
(carbonato de sódio), resultado da queima do licor negro da caldeira, para
recuperar cal e soda. Nesse processo, o licor verde vai para um apagador de
cal, onde é misturado com cal para gerar hidróxido de cálcio e então reagir
com carbonato de sódio. O carbonato de cálcio, que precipita da solução de
hidróxido de sódio (soda cáustica), é separado por clarificador ou filtro
para queima e seguinte calcificação e reaproveitamento. “Essa técnica não
gera uma gota de efluente”, ressaltou o coordenador técnico da ABTCP.
Na visão de Nei Lima, práticas de tecnologia limpa nas indústrias de
celulose e papel resultaram em ganhos consideráveis relativos ao consumo de
água. E isso principalmente em grandes indústrias de celulose como Veracel,
Aracruz e Bahia Pulp, que contam com sócios estrangeiros com mentalidade
“ambientalista”. Da média normal de consumo de até 35 m3 por tonelada de
produto, muitas empresas de grande porte chegaram ao nível de 15 m3/t de
celulose. Patamares que podem ser ainda ultrapassados quando o reúso começar
a ser de fato implantado nas unidades.
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