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Cuca Jorge

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Celulose e papel
economiza água
com produção
limpa e reúso
Marcelo Furtado
ETE da fábrica
integrada da Klabin
em Telêmaco Borba
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Um
dos setores industriais de maior consumo de água, o mercado de celulose e
papel se empenha para minimizar a geração de efluentes, com alterações
inteligentes nas diversas seções produtivas, e começa lentamente a adotar
tecnologias avançadas para reusar suas correntes, tendência que conta com
pelo menos um caso já em implantação, em unidade da Klabin. Todas as
iniciativas visam a gerenciar melhor o consumo elevado de recursos hídricos
em processo de escassez e encarecimento, que no caso da produção de celulose
chega a uma média de 30 a 35 m3 de água por tonelada produzida e na de papel
de 15 a 17 m3 por tonelada.
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“O caminho
inevitável para o setor é o reúso de efluentes. Além de consumir
muito, as empresas sabem que em breve vão incluir o custo dos planos
de cobrança de água na conta da captação”, afirmou Nei Lima,
coordenador da comissão técnica de meio ambiente da Associação
Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP). Segundo ele, por
enquanto apenas os gastos com energia para a captação dos grandes
volumes hídricos de rios e poços não é suficiente para justificar a
compra de sistemas terciários mais sofisticados, como as membranas.
“Mas quando começar de fato a cobrança, o retorno de investimento vai
ser mais favorável com este gasto incluído”, completou Lima, também
consultor e proprietário da empresa especializada Ecoáguas, de
Guaíba-RS. |
Divulgação
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Lima: com cobrança, reúso fica mais viável |
Aliás, o cenário
imaginado pelo consultor pode ser considerado em formação, ao se levar em
conta o que ocorre na atualidade na maior fábrica integrada de papel e
celulose da América Latina, a unidade Monte Alegre da Klabin, em Telêmaco
Borba-PR. Para suportar expansão na produção de papel-cartão, que passará de
uma capacidade total de 700 mil t/ano para 1,1 milhão de t até o final de
abril, a unidade precisou também ampliar sua estação de tratamento de
efluentes. Já pensando em um cenário futuro de problemas com a
disponibilidade de água, entre eles a cobrança pela captação no estado do
Paraná ainda em 2008, a Klabin ousou adotar na ETE um sistema terciário com
base em membranas de ultrafiltração, que removem sólidos em suspensão,
bactérias e vários outros micropoluentes, com dimensões de poros de até
0,025 micrômetros.
Modelo na Klabin – O projeto na papeleira ganha importância especial
por ser o primeiro do gênero no Brasil e na América Latina, podendo servir
de modelo para uma possível adoção em cascata pelo setor daqui para frente.
“Está todo mundo de olhos atentos ao que ocorrerá na Klabin”, confirma Nei
Lima. Tendo em vista a riqueza do mercado, formado por grandes grupos
exportadores de celulose e por empresas com investimentos em papel em
ascensão, há grandes chances de adoção em massa dessas tecnologias.
De acordo com o gerente corporativo de meio ambiente da Klabin, Júlio César
Nogueira, o investimento na ETE se baseou na política da empresa de manter a
mesma carga de DBO e DQO que opera na atualidade, independentemente do
aumento na produção. “Para isso, precisávamos obrigatoriamente melhorar a
tecnologia do tratamento”, explicou. Continuar com o mesmo padrão de abate
de DBO e DQO do efluente significa para a Klabin Monte Alegre operar em
níveis abaixo do limite da legislação paranaense. No primeiro parâmetro, a
empresa opera com padrão de 2 toneladas por dia, inferior às 3,6 t/dia da
lei, e no segundo, com 12 t/dia, abaixo do limite de 15 t/dia.
Para conseguir a façanha, continuou o gerente, a Klabin chegou a pensar de
início em instalar um tratamento físico-químico, com base em precipitação e
sedimentação com floculantes, nos moldes de instalação na unidade da Riocell,
em Guaíba-RS. “Mas logo descartamos a idéia, porque iríamos solucionar um
problema e criar outro, ou seja, passaríamos a ter mais lodo para tratar e
descartar, além de uma quantidade extra e indesejável de produtos químicos
para manipular”, disse Nogueira.
A partir dessa conclusão, a opção por membranas, isentas de químicos e com
aplicação contínua automatizada, foi se tornando factível. Mas essa decisão
também foi fruto de comparações e avaliações entre sistemas disponíveis. O
confronto aí ocorreu basicamente entre a tecnologia de biorreatores a
membrana (MBR), que emprega membranas de micro ou ultrafiltração submersas
ou em paralelo a reatores biológicos dedicados, e as unidades independentes
de ultrafiltração, como sistema de polimento do tratamento.
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A opção pela
ultrafiltração, decidida “aos 48 minutos do segundo tempo”, segundo
brincou o gerente da Klabin, tem fundamentos técnico-operacionais. No
seu entendimento, a escolha se deveu por causa da maior flexibilidade
operacional que a ultrafiltração ofereceria à unidade industrial. “Se
um dia o MBR precisasse parar por algum motivo, correríamos o risco de
interromper a produção”, disse Nogueira. Com a decisão pela
ultrafiltração, o risco deixa de existir, de acordo com o parecer da
equipe técnica da Klabin. Isso porque a opção pelas membranas de ultra
demandou investimentos em melhorias nas fases anteriores do
tratamento, com aumento de capacidade e de |
Divulgação
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Ultrafiltração na Klabin: módulos prevêem ampliação |
qualidade das
etapas biológicas, garantindo a operação dentro das metas da empresa, mesmo
se a ultrafiltração deixa de operar.
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