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Cuca Jorge |
Aceitação dos insumos
naturais obtidos no Brasil
é maior no exterior
Rose de Moraes |
Nos
últimos cinco anos, grande parte das exportações de cosméticos produzidos no
país, muitos deles formulados com ativos e insumos provenientes da região
amazônica, alcançou crescimento acumulado de 165%, correspondendo à soma de
US$ 537,5 milhões. Tal resultado confere ao Brasil a fama de grande
fornecedor de cosméticos de origem natural em mais de 130 países, segundo
levantamento realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene
Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).
Valorizados nas aplicações cosméticas, sob muitos aspectos, os insumos
“verdes” brasileiros agradam ao mundo, mas, em alguns casos, parecem ainda
não estar suficientemente reconhecidos em seu próprio território, tanto no
que diz respeito à grande disponibilidade de oferta local quanto à eficácia
nos produtos para rejuvenescimento e outros tratamentos cosméticos.
As sementes do cupuaçu podem ser tomadas como um dos melhores exemplos.
Ricas em triglicerídeos de ácidos graxos como esteárico, oléico e araquídico,
que dão origem a manteigas com alto poder de umectação e hidratação, ainda
são pouco utilizadas na produção cosmética local, podendo produzir efeitos
altamente benéficos sobre a pele, porém seus ativos são quase que
integralmente direcionados (95%) aos mercados internacionais.
A bem da verdade, descartando as motivações relativas a custos, a
permanência dessa situação é intrigante. Técnicos e especialistas que atuam
em grandes companhias provedoras do setor ainda não conseguiram avaliar
muito bem por que em lugar de fazer uso intenso da manteiga de cupuaçu, o
Brasil vai buscar lá fora, na África, a manteiga de karitê para formular
aplicações cosméticas nacionais com propriedades semelhantes e, em alguns
casos, até de mais baixa eficácia em comparação com as propriedades
oferecidas pela manteiga de cupuaçu brasileira.
“As aplicações cosméticas de ativos da linha Amazoncarechemicals da Cognis,
como a manteiga de cupuaçu, poderiam crescer bem mais no Brasil”, reconhece
o doutor em química Henrique Jorge Sales, gerente regional de tecnologia da
Cognis Brasil, empresa do grupo Cognis, líder mundial na produção de insumos
cosméticos.
Ao compartilhar da mesma opinião, Tânia Fazzi, gerente de assistência
técnica da Beraca, afirma que a manteiga de cupuaçu pode substituir com
vantagens a manteiga de karitê, “e também apresenta capacidade de absorção
de água e hidratação muito superior à da lanolina, podendo ser empregada em
concentrações desde 4% até 10% em produtos para a pele e cabelos”, afirmou.
Os benefícios oferecidos pelas manteigas de cupuaçu vão além. Dados
divulgados pela Abihpec atestam o poder de hidratação superior do cupuaçu e
que seu uso também favorece, comprovadamente, a proteção das fibras
capilares.
Segundo Sales, da Cognis, os fitoesteróis presentes na manteiga de cupuaçu
são importantes repositores da barreira lipídica da pele, e agem minimizando
o ressecamento e a desidratação cutânea, além de absorverem as radiações UVB
e UVC e ter alta capacidade de absorção de água, correspondendo a até 240%
em peso. Essa privilegiada matéria-prima para uso cosmético ainda contém
substâncias como esqualeno e tocoferóis, compostos de grande importância na
prevenção do envelhecimento cutâneo.
Desde 1999, produzida pela Cognis na fábrica de Jacareí-SP, a manteiga de
cupuaçu (Cegesoft TGB) é recomendada em pequenas proporções, entre 0,5% até
1%, em se tratando de xampus, e mesmo assim possibilita significativa
hidratação das fibras capilares. Em concentrações um pouco maiores, desde
0,5% até 10%, encontra aplicações em formulações de condicionadores, cremes
e loções hidratantes, sabonetes, batons e até desodorantes.
Balão-de-ensaio – A manteiga de cupuaçu, sob o ponto de vista do
consumo brasileiro, representa atualmente uma espécie de balão-de-ensaio,
para que os provedores e fornecedores possam avaliar até que ponto a
tendência internacional de abraçar o verde e incrementar a vegetalização das
fórmulas vai realmente frutificar nas indústrias cosméticas instaladas na
região.
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Precursora
no processo de vegetalização dos cosméticos, como a fonte de maior
benefício e bem-estar para os usuários, a Natura parece não ter dúvida
há vários anos quanto aos caminhos já trilhados e a percorrer ainda
nessa direção. Outros fabricantes renomados como O Boticário e Avon,
ao fazer uso de fontes naturais renováveis para produzir cosméticos,
de certa forma também estão influenciando seguidores como a Nativa
Spa, do Rio de Janeiro, a Art-Bel Cosméticos, de São Paulo, e a
Armazém Amazônico Store, entre outros, que têm recorrido às fontes
naturais para preparar cosméticos com óleos, manteigas e extratos de
plantas.
Aliás, a Armazém Amazônico Store, marca que utiliza matérias-primas da
biodiversidade da Amazônia, para elaborar ampla linha |
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Linha de produtos fabricada com óleos naturais brasileiros |
de cosméticos
preparados com ativos extraídos do maracujá, copaíba, andiroba,
castanha-do-pará, guaraná, murumuru e buriti, será uma das empresas a
representar o Brasil na próxima edição da Cosmoprof Worldwide, a ser
realizada em Bologna, na Itália, de 10 a 14 de abril, cuja preocupação maior
tem sido aliar inovações tecnológicas em ativos da natureza a práticas
sustentáveis de produção.
“A evolução das tendências internacionais no Brasil, contudo, ainda está
sendo melhor avaliada e aquilatada com o propósito de se definir mais
exatamente quanto as empresas deverão investir em novas pesquisas e
desenvolvimentos de ativos e insumos naturais daqui para a frente, seguindo
o foco da cosmetologia internacional”, considerou Sales, da Cognis.
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Sob vários
pontos de vista, os ativos da natureza carregam a vantagem de
interagir de forma bioquímica com os componentes do corpo humano, como
a pele, mucosas, cabelos e unhas.
Muitos insumos de origem natural já ultrapassaram a fase de pesquisas
e estão sendo utilizados comercialmente. É o caso dos tensoativos e
emulsificantes produzidos a partir do milho e de álcoois graxos, como
os alquilpoliglicosídeos; dos emolientes produzidos com diversos
ácidos graxos e óleos vegetais; e de alguns surfactantes provenientes
das mesmas fontes. Porém, outros insumos ainda impõem grandes desafios
técnicos até que se possa formulá-los em bases vegetais. “É muito
difícil formular em bases economicamente viáveis e de alta eficácia
filtros solares 100% vegetais, isso se repete nos espessantes, agentes
condicionantes e conservantes como os terpenos, extraídos da seiva de
árvores, que requerem altas concentrações de uso para se tornarem
altamente eficazes”, explicou Sales.
Afora mais de vinte ativos, a Cognis fabrica em Jacareí-SP cerca de
360 insumos, abrangendo praticamente todas as categorias de
surfactantes, emulsionantes, opacificantes, agentes de reologia etc.,
contribuindo para a composição de um portfólio com mais de 5 mil itens
no mundo todo. |
Cuca Jorge
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Sales: fábrica de Jacareí lida com diversas matérias-primas |
Mercado
privilegiado – A fábrica de Jacareí da Cognis é considerada a mais
complexa da companhia no mundo, porque aqui é produzida a maior diversidade
de matérias-primas entre todas as demais unidades, em volumes relativamente
pequenos, com itens envolvendo produções desde 500 toneladas/mês até 5 mil
toneladas/mês. Isso, especialmente para atender à diversificada demanda do
mercado brasileiro.
Embora pareça simples, essa produção diversificada representa grande
complexidade logística. “É preciso administrar compras e estoques, e requer
muito trabalho para controlar e gerenciar a produção, diferente do grau de
complexidade encontrado em fábricas do grupo dedicadas à produção de
vitamina E, como a de Chicago, nos Estados Unidos, ou de ácidos e álcoois
graxos, da Indonésia e da Alemanha”, explicou Sales.
Apesar da complexidade, a ampla gama de ativos e insumos fabricada no país
oferece inúmeros benefícios aos mercados local e regional com a produção de
manteigas de cupuaçu convencionais e hidrofilizadas, manteigas de murumuru e
óleos de andiroba, castanhas do Brasil, também conhecidas como
castanhas-do-pará, em versões convencionais e hidrofilizadas, incluindo
óleos de copaíba, entre outros, sem contar a produção de insumos básicos.
Um dos processos que mais beneficiam a produção cosmética local é a
hidrofilização química das manteigas e óleos, realizada, segundo Sales, para
conferir maior hidrofilidade aos produtos e facilitar sua incorporação e
aplicação em bases tensoativas, como xampus, sabonetes líquidos, géis, entre
outros, conferindo maior compatibilidade e estabilidade aos produtos finais.
Produzidas com amêndoas de palmeiras nativas da região amazônica, as
manteigas de murumuru são ricas em ácidos láurico, mirístico e oléico, e
proporcionam nutrição, emoliência e hidratação à pele e aos cabelos, sendo
utilizadas em pequenas proporções, de 0,5% até 1% em xampus e de 0,5% até 8%
para formulações de condicionadores, cremes e loções hidratantes, sabonetes,
batons e desodorantes.
Já os óleos de castanha-do-pará, recomendados para uso em xampus,
condicionadores, óleos corporais, loções, cremes hidratantes, sabonetes em
barra e formulações de filtros solares, ricos em ácidos graxos insaturados,
principalmente oléico e linoléico, são considerados por Sales como
nutrientes essenciais nos processos bioquímicos de formação dos tecidos
epiteliais.
“O óleo de castanha-do-pará também apresenta tocoferóis, importantes
antioxidantes e anti-radicais livres, com efetiva ação contra o
envelhecimento cutâneo, além de fitoesteróis e esqualeno, repositores da
barreira lipídica da pele, incluindo diversos minerais e oligoelementos como
cálcio, ferro, zinco, sódio, potássio e selênio, este último um dos mais
importantes alvos de recentes pesquisas voltadas a comprovar a sua
capacidade de prevenção do câncer”, informou Sales.
Por vários séculos utilizadas por tribos indígenas do Brasil e por
populações ribeirinhas do rio Amazonas e de seus afluentes, as castanhas do
Brasil são consideradas um dos mais importantes componentes da dieta
alimentar daquela região. Também costumam ser muito utilizadas no preparo de
pastas brancas, conhecidas como “leite” de castanha, valiosa fonte de
calorias, lipídeos e proteínas. Na Região Norte do país, costuma-se aplicar
os óleos das castanhas diretamente nos cabelos para aumentar o brilho. Até
suas cascas costumam ser aproveitadas no preparo de chás para tratar males
do fígado e do estômago.
Outro óleo extraído das amêndoas de árvores amazônicas da família das
meliáceas e beneficiado pela Cognis do Brasil é o de andiroba. Suas
comprovadas propriedades anti-sépticas, antiinflamatórias, antiparasíticas,
emolientes, cicatrizantes e inseticidas abrem caminho para aplicações em
formulações de xampus, condicionadores, óleos corporais, loções, cremes
hidratantes e sabonetes em barra. Sua porção insaponificável, entre 0,6% até
2%, segundo ressalta o especialista, é formada por triterpenos e limonóides,
agentes biologicamente responsáveis por sua ação antiinflamatória, cujo
maior destaque é contar com a presença da andirobina.
“O óleo de andiroba (Cegesoft CGO) quando aplicado em cremes e loções
proporciona suavidade à pele e promove a regeneração cutânea. Em xampus e
condicionadores, aumenta a maciez dos cabelos, comprovada por avaliações das
propriedades viscoelásticas das fibras capilares, nas condições nas quais os
cabelos são expostos a grandes esforços de penteabilidade”, informou Sales.
As mais de 25 espécies de copaíba, árvore encontrada em praticamente toda a
região amazônica, dão origem a um óleo-resina que, após ser beneficiado,
purificado e destilado a vapor, sob pressão, resulta no Cegesoft CMO. O
insumo produzido pela Cognis é utilizado como agente antiinflamatório e
antimicrobiano em xampus e condicionadores, nas proporções de 0,5% até 1%, e
em óleos corporais, loções hidratantes e sabonetes em barra, em proporções
maiores, entre 0,5% até 4%.
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