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Aderir ou falir
- No início do ano, os dirigentes da Abrafati participaram da reunião
anual do IPPIC em Paris (França) para avaliar o andamento do programa em
diversos países. “A conclusão foi de que é vital para uma indústria de
tintas desenvolver e integrar os conceitos de responsabilidade ambiental
sobre seus processos de gestão e produção. Caso contrário, ela estará
definitivamente destinada à superação e ao desaparecimento”, advertiu
Rigoletto.
Para a indústria de tintas em países do Hemisfério Norte, onde o projeto do
IPPIC foi adotado imediatamente após seu lançamento, já se propôs o
desdobramento para uma segunda geração, o Coatings Care 2.0, transcendendo
seus objetivos para além dos portões das unidades de produção. “Por exemplo,
durante os trabalhos de avaliação foram levantadas questões sobre como
reduzir a participação de materiais tóxicos e voláteis na formulação dos
produtos”, relata Rigoletto – o que, conforme o coordenador do programa da
Abrafati, seria a base de planejamento do futuro de qualquer programa de
auto-regulamentação. “Isso significa mais que simplesmente controlar a
atividade da empresa. É evoluir para um patamar adicional e interferir
diretamente na qualidade de vida da sociedade, por meio do usuário”,
acrescenta.
O objetivo dessas últimas discussões do IPPIC na França foi justamente
avaliar a introdução de novos conceitos no programa e as formas de
viabilizá-los praticamente, dentro de uma perspectiva global. Segundo
Rigoletto, o núcleo dessa proposta está na premissa de que, se o Coatings
Care funcionou e deu resultados como modelo convencional por dez anos, agora
seria possível confiar no seu incremento qualitativo por meio de um salto
conceitual que permita ajustar ainda novas melhorias nos processos e
práticas gerenciais na empresa, aumentando sua influência na qualidade de
vida como um todo.
Sustentabilidade de resultados – No Brasil, entre as 24 indústrias
associadas à Abrafati, 13 delas (sete de capital nacional) já responderam
aos questionários de avaliação do Responsabilidade em Tintas, os primeiros
passos no processo de adesão ao programa, em um ritual de compromisso que
determina a assinatura de uma declaração de princípios. Das 21 indústrias
que deverão se comprometer com o programa em 2008, 12 são de capital
nacional. “Para essas empresas, deter uma ferramenta como o Responsabilidade
em Tintas é importante, porque o programa possibilita a qualificação de
aspectos que somente podiam ser quantificáveis”, diz Rigoletto – que, além
de coordenador do programa na Abrafati, assumiu a tarefa de implantá-lo na
PPG, onde é gerente de meio ambiente, saúde e segurança para a América
Latina.
Segundo informou, nas unidades de produção da PPG em vários países é
incentivada a participação no programa Responsabilidade em Tintas desde o
seu lançamento. “Como empresa que possui cultura global em relação às
questões de impacto ambiental da sua produção, na PPG todos os aspectos do
programa em relação à manufatura já estavam absorvidos. O resultado mais
significativo com o programa na fábrica brasileira foi no que diz respeito à
gestão responsável de produto.”
Na média geral, os dirigentes de indústrias que adotaram pioneiramente o
programa Responsabilidade em Tintas concordam com o fato de que a aplicação
das 63 práticas de gestão do programa – divididas entre os grupos de
Produção, Transporte-Distribuição, Produto e Gestão Comunitária –
proporciona a operação da fábrica com maior economia de insumos e
matérias-primas, além dos aperfeiçoamentos na depuração, redução, reciclagem
ou eliminação dos efluentes e resíduos sólidos para evitar a contaminação
ambiental.
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Para o
coordenador de implantação do Responsabilidade em Tintas na Montana,
Márcio de Oliveira, realmente o programa gerou resultados concretos em
termos de economia, como, por exemplo, a grande redução do consumo de
água por tonelada produzida. “O valor médio de nosso consumo de 2001
para cá foi reduzido em 25%”, diz Oliveira. Segundo ele, essa economia
é um benefício para a empresa, sim. “Mas, por outro lado, também se
reflete nos esforços para economia de recursos naturais, na qualidade
de vida do consumidor final e de toda a sociedade.”
Como afirma Oliveira, depois que a variável sustentabilidade passou a
fazer parte do processo de desenvolvimento de produtos da Montana, o
maior ou menor impacto ambiental provocado por uma e outra molécula é
sempre levado em consideração com um cuidado muito maior. “Afinal,
escolhemos sempre a molécula que agride menos o ambiente”, diz
Oliveira. Segundo ele, a preocupação ambiental está presente em todas
as etapas de processamento do produto, até a escolha e destino final
da embalagem, com alto potencial de biodegradabilidade ou reciclagem.
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Márcio
de Oliveira: redução de 25% no gasto com água |
Essas inovações na
empresa constituem algo absolutamente impensável até dois anos atrás, quando
inexistiam quaisquer determinações voltadas para a questão ambiental. “Hoje
temos um programa de treinamento anual para o pessoal da indústria e já
abrimos as portas para a comunidade. Nossa iniciativa mais ambiciosa
atualmente é reunirmos todas as fábricas na nossa vizinhança para, em
conjunto, enfrentarmos as questões de poluição”, adianta o coordenador do
Responsabilidade em Tintas da Montana.
A empresa fabrica catalisadores para produtos poliuretânicos, que têm baixo
índice de monômeros livres, agressivos ao ambiente. Estabelecido o valor de
tolerância dos indicadores de monômeros livres em atendimento às diretrizes
comerciais da Comunidade Européia, os catalisadores da Montana passaram a
ser exportados para os países de lá, informa Oliveira.
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Comunicação e mudanças – O programa Responsabilidade em Tintas
leva a uma série de transformações técnicas e operacionais, mas para
ser bem-sucedido depende também de mudanças culturais que exigem
ajustes nos sistemas de comunicação para se difundirem e se
incorporarem na rotina de trabalho dos colaboradores. “A criação dessa
dinâmica de comunicação é um desafio, porque todos têm que estar
conscientes de que o programa Responsabilidade em Tintas começa no
chão da fábrica, mas vai interferir também na área comercial, no
marketing e em outras áreas da empresa. Ele é aplicável a todas as
etapas que compõem o ciclo de vida dos produtos”, diz Nivaldo
Oliveira, coordenador do Responsabilidade em Tintas na ICI Packaging,
uma das empresas pioneiras na adesão ao programa. A direção da empresa
acreditou na proposta gerencial dentro da linha de aprimoramento
contínuo na relação das questões ambientais com a produção como
fundamento para o sucesso do negócio, diz Oliveira: “A tal ponto que
essa vinculação constitui um compromisso moral da direção da empresa
com os seus funcionários, familiares, clientes, fornecedores e a
comunidade.” |
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Nivaldo Oliveira: adesão implica mudança cultural |
O coordenador do
programa na ICI Packaging considera importante ressaltar que os propósitos
do Responsabilidade em Tintas são compatíveis com outros procedimentos na
política de segurança, saúde e meio ambiente adotados em outros tempos pela
empresa. Conforme Oliveira, quando o programa da Abrafati foi implantado, a
ICI Packaging desenvolvia um gerenciamento forte na relação produção/área
ambiental, porque contava com uma estrutura bem montada e definida. “Este
fato somado com a introdução gradativa dos quatro códigos de gestão
previstos pelo novo programa, permitiu que o seu processo de implantação
ocorresse de forma mais natural.”
Crescimento com lucratividade – O parque industrial de tintas em
outros países ecoa as vantagens e benefícios propagados pelo setor de tintas
sobre o programa. A divisão de engenharia de produção da australiana
Barlowold, por exemplo, com a ajuda do programa identificou áreas que
poderiam ser melhoradas em toda a sua linha de produção. Por meio de
ferramentas, o pacote do programa também forneceu à direção da indústria o
recurso específico de um sistema baseado em princípios internacionais, que
concedeu maior entendimento e direção dos procedimentos para as auditorias
externas.
Pragmática na observação dos resultados, a indústria norte-americana de
tintas Raabe, depois da implantação do programa constatou a melhora de todos
os processos, além de obter um desempenho mais eficiente para,
conseqüentemente, criaram maiores possibilidades de crescer com o aumento da
lucratividade.
Concorrente da Raabe no mercado dos Estados Unidos, a Ellis Paint Company se
respaldou nas operações críticas previstas no programa, a fim de assegurar a
eficiência no uso dos sistemas de gerência baseando-se nos princípios
proporcionados pelo programa: redução drástica do consumo de energia,
conservação dos seus recursos e identificação dos pontos de desperdício –
simultaneamente à execução do controle das condições ambientais, de saúde,
segurança e aumento de produtividade no trabalho. Os resultados em termos de
economia geral na operação da Ellis por meio do Coatings Care possibilitam a
projeção de cenários futuros positivos nos balanços finais.
Como se pode constatar, a prática do programa Responsabilidade em Tintas
mantém a uniformidade de resultados nas indústrias dos diversos países em
que é adotado. Melhora as operações e dinamiza a comunicação interna,
reduzindo a margem de erro nos processos de decisão. Quando essas decisões
de gerência são plenamente divulgadas e todos os envolvidos informados, a
direção pode contar com os contínuos esforços pró-ativos de seus
funcionários na busca de melhores práticas. Para os proprietários de
negócio, o programa facilita o acesso às informações sobre os novos
regulamentos governamentais, aspectos de segurança, treinamento e manutenção
em diversas áreas do negócio.
Com a rotina de conferência diária dos itens que cobrem áreas como segurança
contra incêndios e local, prevenção de derramamento de substâncias
perigosas, inspeções de desperdício e emissões, armazenamento e embalagem,
as instalações ganham em segurança. Na área ambiental e de saúde, o
gerenciamento conforme o programa pode empreender auditorias internas para
concentrar e manter os esforços para encontrar e suprir as necessidades
dentro de um fluxograma de metas para o crescimento progressivo da empresa.
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