Programa setorial avalia toda a cadeia produtiva
e aprimora a gestão para gerar ganhos ambientais
e também econômicos

Hilton Libos / Fotos Cuca Jorge

Para que as cores do mundo se mantenham vivas, a indústria de tintas incorporou em todos os prolongamentos de sua atividade uma seqüência de procedimentos de responsabilidade ambiental inovadores na gestão de produção. O alinhamento da indústria de tintas como um dos suportes no esforço conjunto do parque fabril químico para a proteção ambiental surgiu quase naturalmente durante os últimos dez anos, em grande parte como decorrência das exigências de cidadania e do mercado. O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), Dílson Ferreira, porém, ressalva que não seriam apenas essas imposições pelas circunstâncias imediatas que  motivam a adesão de uma empresa a um processo de adequações para torná-la sustentável em toda a sua linha de formulação.

A dimensão da empresa ou a sua rentabilidade e tempo de existência no negócio também influenciariam somente até certo ponto na tomada de decisão da indústria ao assimilar em seus processos um programa específico de preservação ecológica, como é o Responsabilidade em Tintas (Coatings Care), que em 2008 completa dez anos de criação pelo Conselho Internacional de Tintas (International Paint and Printing Ink Council - IPPIC) nos Estados Unidos e cinco anos de implantação na indústria brasileira de tintas. O presidente da Abrafati afirma não exagerar quando classifica o Responsabilidade em Tintas como “o mais importante programa de conscientização e compromisso que os agentes de toda a cadeia produtiva da indústria de tintas podem assumir em âmbito mundial pela saúde, segurança e não-agressão ao meio ambiente”.

Compromisso ético-ambiental – Dílson Ferreira observou nesses primeiros cinco anos de execução do programa que os fatores determinantes de seu sucesso nas indústrias dos países industrializados se repetiram aqui. “Em primeiro lugar, a aplicação bem-sucedida do Responsabilidade em Tintas depende do nível individual de consciência cívica do administrador principal da empresa, com a sua quota de responsabilidade na herança ambiental a ser legada às futuras gerações.” Em outras palavras: isso significa uma adesão voluntária, requerendo também o comprometimento e o empenho da direção da indústria na efetiva aplicação das práticas gerenciais previstas pelo programa Responsabilidade em Tintas em cada empresa.

Em segundo lugar, outra motivação das indústrias à adoção do programa é a expectativa do ganho financeiro com as economias de sua aplicação em curto, médio e longo prazos, alicerçando as chances de manter a presença competitiva da indústria no mercado futuramente. “O programa leva à formação de economias que garantem a cobertura dos investimentos de sua aplicação com larga margem”, diz Ferreira.

Ferreira: compromisso da alta direção é essencial

O presidente da Abrafati diz que, nesse momento, a entidade está mais organizada e preparada para apoiar seus associados nos cuidados com o ambiente. De acordo com Ferreira, desde sempre as questões que envolvem agressões ao meio ambiente pela indústria de tintas são tema obrigatório nas ações de representação associativa e congressos da Abrafati: “A questão ambiental é objeto de constante atenção em nossos seminários, cursos e treinamentos profissionais desde a fundação da associação. O programa Responsabilidade em Tintas, mais recentemente, com seu novo conjunto de atividades e metodologias veio complementar essas iniciativas do setor de tintas.”

Essa atualização, segundo Ferreira, além de tudo oferece à indústria de tintas uma ferramenta para ajudá-la no cumprimento e no acompanhamento das exigências legais em relação às questões do ambiente – que são variadas e amplas. O programa também permite, em sua forma de desenvolvimento contínuo, que os coordenadores de produção coloquem em prática métodos e procedimentos à frente das decisões de governo, antecipando-se às determinações legais em relação aos processos de formulação industrial, controle da geração e emissão de efluentes e detritos, reutilização ou reciclagem de resíduos.

Benefícios privados e sociais – Basi­camente, como esclarece Ferreira, o programa Responsabilidade em Tintas pode ser apresentado como um conjunto estratégico de normas, posturas e condutas econômicas, ambientais e técnicas, implementadas com o objetivo final de encontrar alternativas para as questões ambientais, de segurança e saúde ocupacional que envolvem as necessidades específicas da indústria de tintas, similar ao Responsible Care para toda a indústria química, anteriormente introduzido no país pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

Concebido originalmente pelo IP­PIC, que representa internacionalmente as associações dos fabricantes de tintas, o programa começou a ser usado nas fábricas dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Ho­lan­da, Dinamarca, Japão, Austrália, Por­­tugal, México e Filipinas. O gerenciamento do programa no Brasil – onde seu título, Coatings Care, foi traduzido para Responsabilidade em Tintas – ficou por conta da Abrafati. O programa foi projetado para aperfeiçoar as práticas de gerência e promover o desenvolvimento de novas tecnologias para, conseqüentemente, elevar os níveis de desempenho e segurança dos produtos. A estrutura e os recursos para o programa empregam metodologias para ajustar as operações e, simultaneamente, trabalhando a abertura de canais em busca do apoio crítico dos clientes, sócios de negócio e comunidade, percorrendo toda a cadeia produtiva da indústria de tintas até o estoque e distribuição.

Na teoria, as linhas mestras da estratégia delineada no Responsabilidade em Tintas se estendem por toda a metodologia fundamental dos processos de produção, produtos e serviços – influenciando na meta final da indústria de tintas na atualidade, ou seja: o maior grau de eficiência e economia na utilização de matérias-primas, insumos, água e energia, reutilização de recursos e redução dos dejetos industriais. Na prática, o coordenador nacional do programa de Responsabilidade em Tintas da Abrafati, Ivan Rigoletto, diz que é exatamente isso o que ocorre. “Em uma escala que vai do individual ao social, do regional ao nacional até o planetário, os dividendos finais em conseqüência dessas práticas ecologicamente corretas do Responsabilidade em Tintas podem ser recebidos e divididos praticamente entre todos os setores interessados.”

No centro da conjunção de beneficiários diretos e indiretos, nos 11 países onde o programa está sendo operado, os seus benefícios mais expressivos são percebidos pela própria indústria de tintas, ao avançar dentro de um planejamento que ajuda a enxergar com mais nitidez um quadro com a permanência competitiva da empresa no mercado futuro. Além da economia com os custos de produção e a sensível redução da margem de risco de acidentes ambientais, segundo Rigoletto o programa produz resultados como o aumento de produtividade e eficiência funcional, a prevenção da saúde ocupacional e o fortalecimento da imagem positiva da empresa nas esferas do poder público e privado.

“A maior proximidade e aumento da qualidade nas relações com os organismos ambientais, fornecedores, comunidade e consumidor final são outros ganhos indiretos ao longo do tempo”, garante o dirigente da Abrafati. Porque, segundo ele, o programa oferece os elementos que viabilizam a perspectiva de cenários futuros positivos, aprimorando as etapas de expansão e ampliação do negócio. Ao mesmo tempo, se obtêm benefícios ambientais e econômicos na gestão dos processos. “É um programa seguro para sustentar os prognósticos de rentabilidade e, assim, assegurar a permanência lucrativa da empresa no mercado”, destaca Rigoletto. Na somatória de todas essas vantagens, a resultante se dirige para a expansão da indústria de tintas sustentável nas suas formas de atuação no mercado interno e externo, além do aumento das facilidades de acesso a linhas de financiamento público e privado.

 

 

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