Uma pesquisa preliminar circulando em duas Câmaras Setoriais da Abimaq mostra diversos itens nos quais não há isonomia de tratamento entre fornecedores locais e estrangeiros. De acordo com essa pesquisa, os fornecedores brasileiros seriam obrigados a comprovar milhares de horas de operação para qualquer novo equipamento, o que seria “burlado” pelos estrangeiros por meio de contratações por EPCistas; o fabricante local seria obrigado a fornecer informações sobre folgas medidas e finais no equipamento, enquanto os concorrentes de fora cobram por esses data books, ou simplesmente não se submetem a esse tipo de exigência; no Brasil, as vistorias são feitas por dois inspetores, um da Petrobras e outro, do EPCista, mas no exterior uma empresa de inspeção libera os equipamentos com base na “confiança” do fabricante. A lista é longa, e aponta diversos constrangimentos aos quais os fornecedores internacionais simplesmente não estariam sujeitos, como alterações em desenhos de projetos fora de condições contratuais, exigência de compra de materiais conforme normas ASTM, sem aceitação de certificações equivalentes em norma DIN ou ISO, auditorias periódicas, multas por motivos variados, exigência de garantia a partir do prazo de entrega (quando os estrangeiros garantem o equipamento a partir do início da operação, com eventual revisão às expensas do comprador), entre outros.

As reivindicações também se estendem às avaliações de preço da empresa petroleira, que não consideram custos de acompanhamento e fornecimento no exterior, em comparação ao fornecimento local, nem quantificam a facilidade criada por técnicos falando português à disposição para atendimento imediato, pela qual os fornecedores brasileiros julgam justo o estabelecimento de um prêmio.

A nova diretoria da CSBM resolveu discutir essa questão com a Petrobras e, dentro da comissão de óleo e gás, montou recentemente uma comissão mista, formada por membros da Abimaq e da estatal para tentar chegar a uma situação mais isonômica.

Essa iniciativa, no entanto, ainda está verde. A comissão recém-formada ainda não tem cronograma de trabalho, mas a sensibilização da alta diretoria da Petrobras, aceitando analisar essa demanda, já dá algum alento à indústria nacional.

Comemorando, por hora – No momento, porém, as notícias são boas. A KSB, importante fabricante mundial de bombas centrífugas de origem alemã, com fábrica em Várzea Paulista-SP, é uma das líderes do mercado brasileiro de bombas. Dividida em diversas áreas de negócios, a empresa atua em

praticamente todos os segmentos que utilizam bombas, como saneamento, sistemas de pintura na indústria automobilística, papel e celulose, siderurgia, açúcar e álcool, petroquímica, petróleo e gás, entre outros.

“Olhando o mercado de uma forma macro, ele foi bastante forte em 2007, e a demanda deve continuar aquecida em 2008”, afirma Frederico Wongtschowski, diretor de vendas da subsidiária brasileira. O comportamento do mercado suscitou até investimentos na fábrica brasileira da KSB, com o aumento da capacidade de produção, a nova capacidade para fundir ligas especiais, como duplex e superduplex, a elevação da capacidade de usinagem e a ampliação do banco de provas, agora apto a testar bombas maiores, com até 5 MW, 13 mil volts e 20 mil m3/h, tudo de olho no fortalecimento da demanda interna. Petroquímica, petróleo e gás, siderurgia e mineração foram alguns dos segmentos importantes para o desempenho da empresa em 2007 – e continuam fortes em 2008.

Cuca Jorge

Wongtschowski: mercado ativo animou a investir

A KSB produz quase a totalidade das bombas que vende no Brasil em sua fábrica paulista, importando da matriz apenas bombas especiais utilizadas em alguns nichos de mercado cujo volume não é suficiente para justificar a produção local.

Aliás, parece consumado o fato de que a produção brasileira de bombas está apta a atender às necessidades locais. “Os fabricantes brasileiros têm qualidade em nível mundial, tanto que há empresas multinacionais instaladas aqui que produzem bombas para serem exportadas para suas matrizes”, afirma Corrado Vallo, que, além de integrar a atual diretoria da CSBM, da Abimaq, ocupa o cargo de responsável por desenvolvimento da Omel, produtora brasileira instalada em Guarulhos-SP. A empresa é responsável pela produção de diversos tipos de bombas, incluindo as centrífugas, as de vácuo e as dosadoras, além de outros equipamentos industriais, como rotâmetros e válvulas.

Na visão de Vallo, após um 2006 apenas regular, o deslanche de projetos da Petrobras, além de investimentos em papel e mineração, em menor escala, contribuíram para melhorar o mercado interno em 2007. Naquele ano, as vendas da Omel cresceram

Cuca Jorge

Vallo: produtor nacional tem qualidade reconhecida

cerca de 25%, com destaque para as bombas centrífugas de processo para aplicações em petroquímica e petróleo e as bombas de vácuo.

A fabricante dinamarquesa Grundfos, com fábrica em São Bernardo do Campo-SP, também está comemorando o crescimento obtido no ano passado. Embora o segmento como um todo tenha se expandido em torno de 15%, a fabricante, segundo o coordenador de produtos Anderson Cruz, obteve crescimento quase três vezes maior e conseguiu arrebatar um ponto de market share no mercado nacional. “Nesse mercado, que é um dos mais concorridos, é um resultado bastante significativo”, diz Cruz.

A Grundfos opera no Brasil com duas marcas. A própria Grundfos, composta por equipamentos de alto valor agregado, com alto conteúdo tecnológico e uma orientação dos negócios mais voltada à venda de soluções, e a Mark Grundfos (originada da compra da Mark Peerless, antiga produtora local), com produtos mais robustos e voltados a aplicações menos complexas do dia-a-dia. As peças da primeira linha são importadas e os equipamentos montados em São Bernardo, enquanto a segunda é integralmente produzida no país.

A empresa é especializada na confecção de equipamentos em aço inoxidável e, embora também opere com outros materiais, é o inox o seu carro-chefe. O aço inox estampado, em comparação aos ferros fundidos, possui melhor acabamento superficial, o que reduz a perda de carga (perda de pressão) dos fluidos que passam pela bomba, possibilitando que o processo transcorra com maior eficiência e menor consumo de energia elétrica. Embora alguns concorrentes tenham equipamentos em aço inoxidável, Cruz afirma que não são aços estampados, e que não há, no país, fabricantes produzindo bombas inteiras em inox estampado, como a Grundfos faz. Sem atuar no mercado de petróleo e gás, a produtora dinamarquesa tem sua atuação mais voltada, dentro da indústria química, para segmentos como o farmacêutico, indústrias que manipulam produtos inorgânicos, mineração e a dosagem de produtos químicos.

 

 

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