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TECNOLOGIA
Senai desenvolve medidor de água ultrapura

Um projeto inovador irá beneficiar diretamente as produções de medicamentos, alimentos, bebidas e rações que utilizam água pura e ultrapura em seus processos industriais. O novo dispositivo permitirá a medição da condutividade eletrolítica e também a rastreabilidade em nível de 10 microsiemens por centímetro. O aparelho irá possibilitar ganhos de produtividade, confiabilidade metrológica e segurança do consumidor ao adquirir esses produtos com maior qualidade.

O projeto é um sistema constituído por uma célula primária acoplada a uma secundária, para medir a baixa condutividade em linha, com garantia de rastreabilidade na faixa abaixo de 10 microsiemens por centímetro. Está sendo desenvolvido pela Escola Senai Suíço-Brasileira e pela empresa Visomés, de São Paulo, após ser classificado na 4ª edição do Programa Senai de Inovação Tecnológica, realizado pelo Senai Nacional.

A medição de condutividade da água ultrapura é utilizada principalmente na indústria farmacêutica. O procedimento é um dos parâmetros de monitoração estabelecidos por normas internacionais. O objetivo é alcançar uma padronização analítica, evitando desvios de resultados entre os diversos aparelhos.

Estima-se que atualmente mais de 20 mil empresas ligadas à produção de medicamentos, alimentos, rações e bebidas sejam as maiores usuárias de água de alta pureza. No entanto, o conhecimento tecnológico disponível trabalha com valores de solução bem superiores ao proposto pelo projeto, além de manipular e transportar amostras em pequenos volumes e em recipientes abertos, expostos como imãs às impurezas. Assim, não há rastreabilidade para esta faixa de medição, o que gera problemas de confiabilidade metrológica, afetando a segurança do consumidor e a qualidade da produção nos diversos setores da indústria brasileira.
 

Rodoval Raimundo Filho, diretor da Visomés, afirma que “o novo dispositivo vai aumentar a eficácia da produção ao otimizar as paradas com o tempo de calibração, que será menor do que o praticado atualmente”. A construção da célula primária em linha com a secundária não só vai permitir a medição diretamente nas linhas de água pura e ultrapura, com rastreabilidade na faixa inferior a 10 microsiemens por centímetro, como também contribuirá para melhorar a qualidade na calibração de medidores de condutividade eletrolítica. O sistema vai ganhar níveis cada vez mais baixos para a incerteza de medição.

Para se ter uma idéia dos valores de solução praticados hoje no mercado, ele afirma:

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Rodoval: empresa coopera com pesquisa

“Nosso laboratório, acreditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), na área química, para calibração de medidores de condutividade eletrolítica e medidores de Ph, tem como menor valor de solução até 25,41 micro siemens.”

Por outro lado, a maioria das soluções certificadas são importadas da Alemanha, França e Estados Unidos. A produção interna de solução tampão de referência, com rastreabilidade para o mercado nacional e internacional, abre espaço para empregá-la como barreira técnica, auxiliando para a exportação de produtos industrializados.

Outro aspecto importante do sistema é que pela sua característica, célula primária e secundária em linha, será possível eliminar a contaminação das soluções e determinar a rastreabilidade nas medições inferiores a 10 microsiemens por centímetro, ainda não existente.

Na ponta do lápis – O novo processo de medição pode trazer impactos positivos para a capacidade produtiva da empresa e do país. Estudos elaborados pelos autores do projeto mostram que, hoje, as linhas de produção ficam paradas em média 120 mil horas por ano para o serviço de calibração da linha. Com o novo dispositivo, o tempo diminui para 80 mil horas por ano, um ganho equivalente a 33% no tempo, que pode gerar futuras ampliações na capacidade produtiva da empresa.

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O sistema opera com duas células em linha

Outro aspecto aponta a redução dos custos e um provável aumento de flexibilidade de produção da empresa. O sistema atual depende de um profissional com qualificação específica em engenharia química ou técnico em química, o que pode ser dispensado pela nova proposta. Em relação ao custo de um processo de calibração, em torno de mil e quinhentos reais, cairá para cerca de quinhentos reais, com uma economia de 66% no serviço de calibração. Calcula-se que sejam realizadas 12 mil calibrações por ano nas linhas de água pura e ultrapura, o que pode projetar um ganho de 120 milhões de reais.

A manutenção dos filtros na linha de produção também será afetada. O novo sistema apontará com maior exatidão a real necessidade de substituição dos filtros. A estimativa é de que esses custos diminuam de 20 milhões de reais para 16 milhões de reais por ano, um ganho de 20%.

Com a nacionalização da produção de soluções tampão, a redução de custos com a aquisição de soluções importadas deve cair a um terço do valor praticado. A indústria paga pela solução importada R$ 150,00 em média. A nacional custará aproximadamente R$ 50,00. Para um universo de 20 mil empresas levantado pelo estudo, considerando apenas um consumo de dois litros por ano, a economia pode chegar a 2 milhões de reais. Sem contar a adequação do produto e do processo às regulamentações do país e do mercado externo, que podem resultar em barreiras técnicas e auxiliar na exportação de produtos industrializados.

Na ponta da linha, se a indústria ganha aumento da confiabilidade e da qualidade do processo, o consumidor passa a ter produtos com muito mais segurança, sobretudo quando se trata de medicamentos, alimentos e bebidas e, de forma indireta, da produção de rações.
O projeto deverá estar pronto até dezembro deste ano.

Helena Fonseca

 
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