“Os galões também são críticos para alcançar a certificação”, admite Azevedo. Como conta com eletrossolda moderna, o problema estaria localizado nas tampas, que deveriam ser mais difíceis de abrir. Daí surge um paradoxo: é possível fazer tampas extremamente resistentes, porém, os usuários sofreriam para abri-las e não poderiam fechá-las depois, porque ficariam danificadas.

Segurança visível –
A relação entre fabricantes de tintas e de embalagens segue linhas diferentes, adequadas ao porte das empresas. Os grandes e médios produtores de tintas normalmente contratam grandes volumes de embalagens com seus fornecedores, solicitando remessas semanais para envasar a produção, evitando lidar com uma quantidade imensa de latas vazias nas fábricas. Pequenos fabricantes, em geral, contratam lotes fechados de embalagens, renegociando preços e volumes em cada caso.

Comum a todas as linhas de tintas e vernizes destinadas ao varejo, além do formato, é o investimento na qualidade da impressão (por litografia), tanto para diferenciar o produto nas prateleiras das lojas quanto para a proteção contra fraudes vulgares, representadas pela venda de tinta inferior em embalagem com apresentação muito semelhante, quando não idêntica. “Os clientes colocam detalhes como fotos e desenhos complexos que só podem ser impressos por empresas qualificadas, dificultando a cópia”, afirmou Granço.

Outra iniciativa, essa para evitar problemas com latas originais reenchidas com produtos falsos, é o uso de tampas que ficam marcadas ao serem abertas. “Nos galões e seus submúltiplos temos as linhas Plus e Biplus com tampas patenteadas com essa proteção, além de apresentarem facilidade de fechamento por ligeira pressão”, disse o diretor da divisão química. Essas linhas contam com anel superior e tampa com desenhos especiais, com encaixe perfeito, ao contrário das tampas convencionais que fecham por atrito, exigindo uma “pancada” para fixação. A linha Biplus conta com um disco interno transparente feito de material

Cuca Jorge

Sistema Plus e Biplus evita falsificação

plástico adequado, o que permite ver a tinta embalada sem a necessidade de abrir a lata, sendo muito usada em produtos formulados em sistemas tintométricos (mix machines). “O melhor é que essas tampas são mais baratas que as convencionais, daí a grande receptividade”, explicou.

Os galões homologados da Brasilata contam com anel superior e tampa reforçados, sendo dotados de frisos nas extremidades do corpo, com o intuito de absorver melhor os choques e evitar o rompimento da embalagem.

A Prada desenvolveu latas para um galão e ¼ de galão sem argola e com lacre plástico. “Trata-se de latas expandidas, com abertura fácil e retampável, com número menor que o usual de peças construtivas, fato que se reflete no custo”, explicou Giorgini. Esses novos produtos poderão ser lançados futuramente no setor de tintas, dependendo da sua aceitação pelos clientes, sendo de certificação possível nas normas oficiais. Segundo o vice-presidente, essas latas são de fácil empilhamento, até mesmo sobre as latas tradicionais de mesma capacidade volumétrica.

A facilidade de empilhamento, ao contrário do que se imagina, não é uma característica muito importante nas latas de 18 litros. “No caso das embalagens maiores isso acaba sendo um problema, porque os lojistas querem formar pirâmides de produtos, desenho mais fácil de se obter quando fundo e tampa não se encaixam”, explicou. Como as tintas têm densidade

Cuca Jorge

Giorgini sugere mudanças no formato das embalagens

superior à da água, uma lata de 18 litros pode pesar mais de 30 kg ou mais de 40 kg, quando ocupadas por massas, desaconselhando formar pilhas muito altas.

A péssima ergonomia desse tipo de lata quadrada e sem alças sempre foi motivo de críticas. “Ouço falar que a lata de 18 litros sairá de linha há mais de vinte anos”, comentou Giorgini. Ele informou que essa lata é usada em muitos países, sendo mais conhecida como lata de cinco galões, com algumas diferenças. Segundo comentou, quando essas latas apareceram, elas tinham tampa e fundo soldados com liga de estanho/chumbo, hoje substituída por vedantes.

“Muitas vezes as equipes de marketing dos fabricantes de tintas nos pedem formatos revolucionários para novos produtos, mas desistem quando vêem os custos de produção”, comentou Eiras, da Prada. Granço, da Brasilata, relata experiências semelhantes. “Podemos fazer qualquer formato que o cliente queira, mas isso representará um investimento que terá de ser remunerado”, aduziu. “Caso o volume requerido dessa embalagem seja muito grande, dá para pensar em produzir.”

Giorgini aponta alguns protótipos de embalagens, com vantagens de transporte ou de uso pelo cliente final. “Infelizmente, por ter mão-de-obra barata, o Brasil não adotou ainda a idéia do ‘faça você mesmo’ que poderia abrir caminho para outros tipos de produtos mais amigáveis ao pintor leigo”, comentou.

Granço identifica algumas tendências no mercado de embalagens metálicas para tintas, a começar pela facilidade de abertura e fechamento das tampas pelo usuário (com a devida marcação de segurança), resistência contra quedas e intempéries. A facilidade de impressão dispensa a aposição de rótulos e também surge como vantagem contra as linhas plásticas. “Os baldes plásticos podem melhorar a impressão usando técnicas de in mold labeling, mas isso implica usar um segundo material, fato que dificulta a reciclagem posterior”, explicou.

Atenta ao crescimento da indústria de tintas, a Brasilata está ampliando em 40% sua capacidade produtiva de galões na fábrica de São Paulo, e iniciando a primeira linha de galões na fábrica de Goiás.

Identificação – A certificação de embalagens é o resultado de um processo relativamente longo, prevendo etapas de identificação do produtor, descrição do produto e a aprovação em ensaios realizados por entidades credenciadas (ou acreditadas) por órgãos oficiais. Uma relação dos órgãos acreditados pode ser encontrada no site do Inmetro (www.inmetro.gov.br).

Uma vez satisfeitos todos os requisitos previstos na regulamentação, as embalagens recebem um certificado de aprovação, cujo número deverá ser impresso na lateral das mesmas, junto com o número de classificação da ONU. Interessados em conhecer os fabricantes e seus produtos homologados de embalagens para produtos perigosos podem consultar o site do Inmetro.

“A responsabilidade pela conformidade da embalagem com o produto embalado e o sistema de transporte recai no embarcador”, informou Couto, da Concepta. Nos casos de vazamento de produtos por deficiência da embalagem, é ele que arca com a punição. Cabe, portanto, ao embarcador determinar o tipo de embalagem adequada para o transporte de produtos perigosos.

Aos mais desatentos, Couto informa que os fiscais do Inmetro e do Ipen já foram devidamente treinados no final do ano passado e estão aptos a identificar problemas ligados à embalagem de produtos perigosos nos meios de transporte terrestre no Brasil. “Quem apostou que a regulamentação não iria pegar perdeu a aposta”, disse.

Feitintas já ocupou 70% da área útil

A ocupação total dos mais de 18 mil metros quadrados do Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, por expositores de todos os elos da cadeia produtiva de tintas e vernizes, programada pelo Sitivesp para 17 a 20 de setembro deste ano, confirma o caráter integrador da Feira da Indústria de Tintas (Feitintas). “Cerca de 70% dos espaços foram vendidos no lançamento da feira e agora restam poucos metros disponíveis para expositores”, disse o presidente do sindicato, Roberto Ferraioulo.

A Feitintas nasceu em 1998, ocupando dois mil metros quadrados. A expectativa atual de mais de 30 mil visitantes para este ano, com volume de negócios crescente a cada edição, atesta o grau de aglutinação setorial. O momento de negócios exige tal grau de coesão. Segundo Ferraioulo, a guerra fiscal está reduzindo a participação do Estado de São Paulo na produção de tintas e vernizes do país. “Não podemos admitir que a produtividade setorial seja substituída por incentivos fiscais”, criticou.

O Sitivesp concluiu um estudo de três anos sobre a participação relativa dos produtores paulistas nos resultados totais do setor,

Cuca Jorge

Ferraioulo: SP perdeu na guerra fiscal do setor

com base nos levantamentos estatísticos do IBGE realizados entre 1996 e 2005. “Nesse período, São Paulo perdeu 18,29% de participação relativa no número de estabelecimentos e reduziu em 7,14% seu peso em pessoal ocupado no setor”, afirmou. “E essa tendência vem se agravando nos últimos anos.”

As razões dessas variações se apóiam não apenas no desenvolvimento das economias regionais, mas principalmente na concessão de vantagens tributárias. Para combater o problema, o Sitivesp solicitou ao governo do Estado de São Paulo a equalização do ICMS cobrado das tintas e vernizes em 12%, em lugar dos atuais 18%. “Essa medida estancaria a guerra fiscal no setor”, defendeu. Segundo o levantamento da entidade sindical, a indústria paulista de tintas e vernizes representou 37,70% de toda a produção nacional em 2005. Em 1996, essa participação era de 46,15%.

Além dessa bandeira, o Sitivesp atua de forma articulada com outros setores representados na Fiesp para acompanhar a evolução dos preços dos principais insumos de interesse para o setor, como eletricidade, derivados de petróleo, aço, plásticos e minérios. “Fizemos e ainda fazemos um esforço para tornar viáveis alternativas de suprimentos, usando canais como o Mercosul e a Aladi”, explicou o presidente.

 

 

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