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A Companhia Metalúrgica Prada, controlada pelo grupo CSN desde 2006, tendo
recebido desde então investimentos da ordem de R$ 200 milhões na
modernização de processos e instalações, já teve certificados dois tipos de
baldes (com tampa fixa e removível) nas novas normas e agora parte para
certificar sua lata de 18 litros, com desenho revisado e construída com
chapa mais grossa. Além disso, também conta com sete tipos homologados para
transporte marítimo (para aerossóis, solventes e latas de cinco litros
retangulares). “Da nossa parte, estamos prontos para atender às normas, mas
o sistema de transportes deveria ser homogêneo em suas exigências, não
apenas nas embalagens”, afirmou Enrique Manuel Eiras Mayo, vice-presidente
de negócios da Prada. “Há elos nessa cadeia cujas necessidades não foram
atendidas, a começar pela qualidade das estradas.”
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No caso dos baldes, a espessura da chapa metálica passou de 0,36 mm
para 0,40 mm. “Lidar com chapa mais grossa exige mudar todo o
processo”, explicou Valdeir Giorgini, vice-presidente de tecnologia da
Prada. É óbvio que a chapa mais pesada representa um custo adicional
por unidade produzida. Além disso, ele comentou que esse tipo de
espessura de chapa é considerado fora do padrão pela siderúrgica, que
cobra mais para produzi-la, geralmente em lotes pequenos. Caso o
mercado adote de fato a opção, é possível que a chapa grossa se torne
um novo padrão e deixe de pagar a mais por isso. Eiras salientou que a
Prada, embora pertença ao grupo, é apenas mais um cliente da CSN, sem
nenhum tipo de favorecimento.
Fenômeno perceptível foi o banimento dos baldes com tampa removível
dotada de abas dobráveis, o chamado “balde aranha”. “Esse formato foi
substituído pelas tampas removíveis dotadas de cinta metálica com
fecho rápido, que passaram sem problemas pelos ensaios de
homologação”, comentou Giorgini. Esses baldes são muito utilizados em
tintas industriais. |
Cuca Jorge
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Mayo: lacre de plástico torna mais fácil abrir e fechar as latas |
A lata de dezoito litros, padrão nas tintas imobiliárias de base aquosa, são
as que mais preocupam o setor. “O fundo quadrado é problemático, porque cada
canto é um ponto crítico para o recravamento”, explicou Giorgini. Os fundos
redondos apresentam recravamento uniforme, mais resistentes, e sua produção
é mais rápida, fato refletido no custo de produção. A Prada já tem um
protótipo de lata no formato convencional de 18 litros certificável, usando
chapa de aço mais grossa, soldas adaptadas à nova espessura e recravação
especial.
A melhor proposta da Prada é outra. Uma lata de tampa e fundo redondos e
corpo quadrado, obtida por expansão mecânica, consegue suportar as
exigências oficiais – entre elas, queda a 1,2 m de altura, com impacto
concentrado nas bordas recravadas – com a vantagem de usar chapa de
espessura convencional, de 0,27 mm. “Já que é para mudar, o melhor seria
adotar essas latas que chamamos de Four Face”, disse Giorgini.
Embora saliente os benefícios do formato inovador, que será adotado nos
próximos meses, em tamanhos pequenos, para embalar produtos alimentícios na
forma de sólidos, Eiras entende que o setor de tintas dificilmente o
adotará. “Os clientes não querem ficar presos à marca registrada de um único
fornecedor”, afirmou. Quanto a isso, porém, ele é incisivo: “Queremos
fortalecer o setor e, para isso, estamos dispostos a liberar o formato para
que os concorrentes também possam produzi-lo”, salientou.
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“A solução para as embalagens de produtos perigosos existe, mas custa
caro e demora um pouco para ajustar a oferta”, afirmou José Maria
Granço, diretor da divisão química da Brasilata. Ele explicou que a
empresa já fornece embalagens metálicas que satisfazem requisitos
ainda mais rigorosos de segurança, indicadas para defensivos agrícolas
ou para linhas de exportação. “Desde 2001, temos uma embalagem para um
galão homologada nos Estados Unidos para produtos perigosos”,
comentou. Esse desenvolvimento absorveu recursos da ordem de US$ 500
mil e seria destinado para tintas vendidas pela internet.
Embora não tenha obtido os resultados de mercado previstos nos EUA,
essa embalagem poderia atender com folga aos requisitos da ANTT. “A
Brasilata pode atender às exigências técnicas, mas não existe lata
certificada barata para embalar produto barato, esse é o problema”,
considerou. Atender à norma exige trocar a chapa de 0,28 mm por outra
de 0,34 mm, com todas as mudanças necessárias de equipamentos para
dobra e recravação, além dos ajustes de solda. |
Cuca Jorge
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Granço: latas para produtos perigosos são mais caras |
Como as linhas base água não foram atingidas pelos regulamentos e as
embalagens de menos de cinco litros para base solvente (e solvente puro)
também foram admitidas, Granço avalia o mercado brasileiro para latas
certificadas em 60 mil latas de 18 litros por mês. “Só para dar uma idéia,
nós fabricamos 180 latas de um galão por minuto, em linha automatizada e
padronizada, com custos otimizados”, explicou o diretor. Isso quer dizer que
as latas indicadas na norma serão fabricadas em pequenos lotes, obtidos em
processos semi-artesanais que, por isso mesmo, têm custos altos. “Há nichos
de mercado que aceitam pagar esse preço, outros ficarão restritos às latas
de cinco litros ou migrarão para os baldes certificados”, admitiu. Ele
salientou que já existe demanda pelas embalagens certificadas na área de
tintas, concentrada nos formatos tradicionais.
Fundada em 1924, a tradicional Companhia Metalgraphica Paulista (CMP) está
preparada para fornecer latas de 18 litros certificadas, no formato
convencional, para o mercado de tintas, vernizes, adesivos e solventes.
“Quase 80% do nosso faturamento é obtido nesses segmentos de mercado”,
comentou Adriano Marson, gerente de vendas e marketing. A adoção de
regulamentos para o transporte terrestre de produtos perigosos era esperada
desde 1997, segundo informou, tendo o Brasil acompanhado mais de perto as
recomendações européias.
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A opção pelo formato tradicional é explicada por Marson pelo fato de
muitos usuários, especialmente no setor calçadista, operarem
equipamentos com suportes desenhados para acomodar esse formato de
lata, contendo adesivos. “Mudar o formato da lata será um problema
sério para esses e outros clientes”, considerou.
Da parte da CMP, a linha produtiva de dobra, solda e recravação
precisou receber investimentos para lidar com as chapas de 0,34 mm,
mais grossas que as de 0,28 mm usadas habitualmente. “O desenho da
lata é diferente, pois a altura da recravação é maior e, por ser feita
com chapa mais resistente, as faces ficaram livres dos frisos de
reforço, com benefício da apresentação visual da lata impressa”,
explicou Eliasar Rodrigues de Azevedo, diretor-industrial da CMP. As
modificações feitas permitiram à lata suportar quedas a 1,5 m de
altura, acima dos 1,2 m exigidos pela norma, e resistir além dos 100
kilopascais (kPa) de pressão interna previstos na regulamentação.
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Cuca Jorge
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Azevedo: além de mais segura, embalagem ganhou no visual |
Quanto ao diferencial de custos, eles ressaltam o fato de se tratar de
produtos diferentes. “Além disso, 60% do custo é representado pelo aço
consumido”, afirmou Azevedo.
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Marson avalia que muitos empresários ainda não se deram conta da
entrada em vigor dessa regulamentação, em 25 de janeiro, até porque
contam com estoque para alguns meses de operação. “Estamos alertando
todos os nossos clientes para a necessidade de comprar embalagens
acima de cinco litros certificadas para as linhas consideradas
perigosas”, comentou. “Já não vendemos mais embalagens convencionais
para esse uso, mesmo que o cliente solicite, porque a lei prevê a
co-responsabilidade do fornecedor.”
Ele acredita que a demanda por embalagens certificadas deve crescer a
partir do momento que as sanções começarem a ser aplicadas. “Ainda não
se sabe como será feita a |
Cuca Jorge
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Marson: formato tradicional atende usuários |
fiscalização, se os caminhões serão apreendidos, e nem o valor da multa
aplicada aos infratores; quando acontecer o primeiro caso, muita gente vai
correr para se adaptar”, afirmou. Para ele, o ideal seria que todas as
embalagens fossem certificadas, ainda que isso exija mais investimentos.
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