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Jono Machado/Petrobrás

Revap: R$ 230 milhões
para reusar
efluentes e reduzir captação de rio |
REÚSO DE
ÁGUA
PETROBRAS INICIA
IMPLANTAÇÃO DE
MEGAPROJETOS
EM REFINARIAS
Marcelo Furtado |
Entrou
em operação o maior projeto integrado de reúso de água industrial do Brasil,
com promessa de difundir tecnologias de tratamento até então incipientes por
estas plagas. A protagonista não poderia ser outra empresa senão a
Petrobras, que nada de braçada em época de preço recorde do barril de
petróleo. Com capital mais do que disponível e demanda urgente de água para
manter os seus planos de expansão e modernização no refino, a estatal
pesquisou e selecionou uma série de sistemas e equipamentos para serem
usados em suas refinarias para recuperar efluentes.
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Segundo a
coordenadora do projeto, Vânia Santiago, consultora sênior do Centro
de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), o trabalho
começou em 2001 e envolveu também técnicos da engenharia. Foram três
anos de pesquisas, visitas técnicas, avaliações e comparações para, ao
fim de tudo, começar a rastrear as necessidades das refinarias e
convocar empresas fornecedoras para compor o vendor list da estatal e
participar de futuras concorrências. Foi possível nesse período,
enfim, definir as tecnologias a serem empregadas conforme as demandas
das unidades com maiores riscos de escassez de água para suportar
planos de expansão ou modernização.
Depois do processo de qualificação das tecnologias – sistemas modernos
como os biorreatores a membrana (MBR), a eletrodiálise reversa (EDR),
membranas de osmose reversa, ultra e microfiltração, filtros de carvão
ativado e de cascas de nozes –, lentamente a empresa começou a abrir
concorrências para colocar em prática o propósito de economizar, em
uma primeira etapa, cerca de 650 milhões de litros por mês de água, o
equivalente ao consumo de uma |
Cuca Jorge
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Vânia: três anos para definir tecnologias e prioridades |
cidade de 150 mil
habitantes. E esse montante equivaleria apenas a projetos na Revap, Repar,
Recap e Cenpes, sem contar outros programados e importantes, no Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), na unidade de refino de
lubrificantes Lubnor, em Fortaleza-CE e na nova Refinaria do Nordeste (Renest),
em Pernambuco, e outros de menor porte, como na Regap e na Reduc.
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A estimativa
é até 2014 a Petrobras investir em torno de R$ 600 milhões por ano em
projetos de reúso. Duas delas, obras mais simples, darão partida já em
abril de 2008 na Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá-SP, e na
Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim-MG. Na primeira, uma
clarificação/floculação para remoção de sólidos da Degrémont, o
DensaDeg (que usa o lodo como incremento da floculação, funcionando
como nucleador), complementará o sistema de lodos ativados para
produzir água de reúso e deixar de descartar efluente no Rio
Tamanduateí. Já na refinaria mineira, a decantação acelerada Actiflo
(clarificação lastreada pelo uso de microareia e da sedimentação
lamelar), da Veolia, acoplada a um sistema de eletrodiálise reversa (EDR),
tratará 60 m3/h de efluentes (de um total de 300 m3/h hoje descartados
pela Regap) para reúso em reposição de água em torres de resfriamento.
“Vai servir como experiência para outras refinarias”, explicou o
consultor sênior da engenharia da Petrobras, José Heleno Coimbra de
Almeida. |
Cuca Jorge
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Heleno: obra menor na Regap serve como experiência |
Outras duas obras
já foram licitadas, no Cenpes e na Revap, e estão em fase de projeto
pelas vencedoras. A primeira foi vencida neste ano pela Centroprojekt e vai
recuperar 60 m3/h de efluentes (45 m3 doméstico e o restante dos
laboratórios e de purga das torres) do centro de pesquisa, por meio da
instalação de um biorreator a membranas (MBR) de placas planas da japonesa
Kubota (representada da Centroprojekt). Seu pré-tratamento será com filtro
de casca de nozes e uma unidade de osmose reversa se responsabilizará pela
desmineralização.
Mas a primeira grande licitação da área foi mesmo na Refinaria Henrique Lage
(Revap), em São José dos Campos-SP. E isso por causa das necessidades mais
urgentes da refinaria, conforme explanou o consultor sênior da Revap, Carlos
Alberto Kayano. “Desde 2002, estudamos o reúso na refinaria, porque sabíamos
que era condição para os planos futuros”, disse Kayano. Aliados os estudos e
as definições do Cenpes a essa preocupação da refinaria e a concorrência
para reúso foi realizada em 2007. Dessa forma, a unidade de refino do Vale
do Paraíba pôde dar início ao projeto de modernização do processo, com novos
sistemas de remoção de enxofre e nitrogenados que devem entrar em operação
no segundo semestre de 2009.
Para atender à modernização, o projeto de reúso vai precisar estar pronto em
abril de 2009. É por isso que os vencedores, revelados no primeiro semestre
de 2007, já estão a pleno vapor, na fase final de projeto e prestes a irem a
campo. A obra foi dividida em duas licitações, uma para construção da nova
estação de tratamento de despejos industriais (ETDI) e outra para a estação
de tratamento de água (ETA), responsável por polir o efluente tratado para
usos mais nobres, como aliás devem ser todas as demais concorrências nas
refinarias. Na ETDI, a vencedora foi a construtora Construcap, que convidou
posteriormente o escritório local da empresa francesa de engenharia de
sistemas e equipamentos Veolia para se consorciar no fornecimento e se
responsabilizar pela parte tecnológica. Já na ETA, a vitoriosa foi a Enfil,
que chamou a também francesa Degrémont para dividir o bolo do
megafornecimento.
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O caso do
fornecimento da ETA na Revap tem certas peculiaridades. Anteriormente na
disputa, a Degrémont no último momento saiu da concorrência, por ordem
da matriz. Aproveitando a “deixa”, a Enfil entrou em seu lugar na briga,
foi declarada a vencedora e assinou o contrato com a Petrobras em agosto
de 2007. Mas após a vitória convidou a “desistente” Degrémont para ser
sua parceira no fornecimento de R$ 230 milhões. “Fica mais fácil dividir
os recursos e assim atender ao prazo e às exigências técnicas da
Petrobras”, justificou o diretor da Enfil, Luís Antônio Biagi. “Mesmo
sabendo que em termos de tecnologia nós tínhamos condições de fornecer
toda a obra, esta foi a melhor opção.”
Para se ter uma idéia da complexidade do serviço de engenharia, as duas
empresas precisaram montar um escritório dedicado em São Paulo para o
gerenciamento do projeto, onde 50 profissionais já trabalham com
exclusividade para a Revap. No pico da obra, são estimados 250
funcionários do consórcio em operação na refinaria. |
Cuca Jorge
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Biagi:
parceria com Degrémont facilita cumprimento do contrato |
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“Estamos
na fase final de projeto, já compramos os equipamentos e iniciamos a
implantação do canteiro em São José dos Campos”, revelou o gerente de
engenharia da Enfil, Mauro Toscano.
A ETA contemplará um clarificador de alta taxa lamelar, seguido de
filtro de areia e de carvão ativado, mais uma unidade de
ultrafiltração (GE Zenon ZW100, para 600 m3/h), outra de osmose
reversa (duplo passo e duplo estágio) e o polimento misto de resinas
de troca iônica. Toda essa etapa, sob coordenação da Degrémont,
tratará 300 m3/h de água tratada vinda da ETDI em operação na Revap,
mais 500 m3/h captados do Rio Paraíba do Sul. Dimensionada para 1.100
m3/h, a nova planta produzirá inicialmente este total de 800 m3 de
água desmineralizada para alimentar quatro caldeiras velhas e duas
novas provenientes da modernização. Bom ressaltar que o atual sistema
de desmineralização da Revap já conta com unidade de ultrafiltração
Zenon (200 m3/h) que serve de pré-tratamento para a osmose reversa
(seguido de polimento misto de resinas de troca iônica), as quais
continuarão em operação. |
Cuca Jorge
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Toscano: escritório dedicado apenas para a obra na Revap |
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Para
inicialmente alimentar a ETA de água de reúso, de acordo com Carlos
Alberto Kayano, da Petrobras, a estação de tratamento de efluentes em
atividade na refinaria passa por modernização, com a adição de um
sistema terciário, a decantação acelerada Actiflo, da Veolia. O fato
pode parecer um pouco contraditório, ao se saber que a nova ETDI, em
construção pelo consórcio Construcap-Veolia, vai contemplar um
biorreator a membrana de 300 m3/h, encomendado à GE Zenon, considerado
o estado-da-arte no reúso. Sobretudo ao se levar em conta que o
efluente tratado pelo MBR será descartado no Rio Paraíba do Sul. Para
Kayano, a decisão visa em primeiro lugar melhorar a qualidade do
efluente atualmente descartado no rio e, ao mesmo tempo, manter uma
reserva de água de reúso para possíveis futuras expansões. “Quando for
preciso, vamos desviar esse fluxo para a ETA”, explicou. Além disso,
segundo ele, com a nova decantação a estação em atividade também ganha
maior utilidade no contexto do reúso da refinaria. |
Cuca Jorge
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Kayano: Revap, no
início, vai descartar efluentes do MBR |
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