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Espanhóis revestem metal com polímero anticorrosão

M
esmo com as reduzidas verbas destinadas aos pesquisadores europeus nos últimos anos, as descobertas mais aplaudidas pela ciência do velho continente são aquelas realizadas no âmbito da pesquisa aplicada. Em outras palavras, aquelas orientadas ao mercado, com aplicação prática imediata.

Não por acaso, durante a última edição do evento “European Research and Innovation”, organizado em Paris, Mercedes Cabrera Sotelo, ministra da educação e pesquisa da Espanha, afirmou que investir na pesquisa e no desenvolvimento é um passo fundamental para garantir a futura competitividade da economia de seu país.

Para aumentar seus investimentos em pesquisas, o governo espanhol anunciou o lançamento de um programa intitulado “Ingenio 2010”. Trata-se de uma iniciativa que reúne instituições, empresas e universidades. Todos compartilham um objetivo único: aumentar de 1,25% a 2% o percentual do PIB reservado às pesquisas até 2010.

Bom exemplo da conquista espanhola nesse setor foi uma recente descoberta do Departamento de Física e Química Aplicada da Universidade de Madri: o desenvolvimento de um polímero condutor que evita a corrosão de diversos materiais largamente empregados na indústria.

Mediante um processo de eletrodeposição, os pesquisadores revestiram um objeto de cobre - um dos metais que se oxida facilmente - com um polímero em especial de proteção contra um ambiente corrosivo, mantendo intactas as propriedades condutoras do material.

Para comprovar a eficácia do polímero, os pesquisadores imergiram o produto em uma solução de cloreto de sódio, criando uma substância que simula o ambiente marinho e o seu alto potencial de corrosão.

A técnica também foi testada em materiais como aço inoxidável, alumínio, aço carbono e cobre e os resultados demonstraram que, mesmo em condições extremas de adversidade, a película polimérica resistiu à degradação por mais de um mês.

“Até então, as técnicas convencionais empregadas para impedir ou limitar os danos da corrosão eram ineficazes a longo prazo, além de apresentar custos elevados ou utilizar compostos químicos tóxicos”, conta a pesquisadora Pilar Herrasti, coordenadora do projeto.

Em geral, os métodos de resistência à corrosão modificam a natureza do metal adicionando elementos-liga que alteram o seu potencial de oxidação, enquanto outros tentam driblar os agentes ambientais agressores.

A chamada proteção anódica é largamente empregada em metais e ligas formadores de películas protetoras, especialmente o titânio, o cromo e ligas de ferro-cromo. No entanto, essa técnica implica um controle exaustivo do material utilizado.

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Pilar Herrasti (de óculos) e sua equipe: polímetro mantém condutividade do metal

Para prevenir a oxidação, também é muito comum o revestimento de metais com pinturas ou outros materiais que impeçam um contato direto do metal com os agentes corrosivos. Contudo, o maior problema na aplicação desse método é a aparição freqüente de poros que provocam uma corrosão localizada, comprometendo assim todo o objeto.

O emprego de substâncias inibidoras da corrosão também apresenta certas desvantagens. Tal técnica implica quase sempre o uso de elementos não degradáveis, como as dissoluções de cromo, provocando um grave risco para o meio ambiente.

Os processos corrosivos trazem grandes com freqüência grandes perdas econômicas. Enquanto nos Estados Unidos os prejuízos causados pela oxidação representam cerca de 3% do seu PIB anual, no Brasil as perdas registradas superam os 10 bilhões de dólares ao ano. Situação que a descoberta espanhola promete reverter.

Os pesquisadores ibéricos afirmam que o revestimento com um polímero condutor é extremamente simples. No caso de materiais pouco sujeitos à corrosão, como o ouro e a platina, bastará aplicar um potencial de oxidação para que a espécie monomérica presente na fórmula se oxide, formando cadeias poliméricas aderentes ao material. Algo mais complicado é o tratamento de materiais de fácil oxidação como o cobre, em razão dos potenciais que oxidam as espécies monoméricas, que também provocam a oxidação do metal, dificultando a aderência do polímero. Por este motivo, antes dessa fase os pesquisadores inserem uma fina camada de óxido em meios ácidos não muito fortes, como dissoluções de oxálico. Assim, com esse revestimento evita-se a oxidação do metal e a sua pouca espessura permite a passagem de elétrons e a sucessiva produção de uma capa polimérica.

Herrasti não hesita em exaltar o fato de que criar sinteticamente o polímero condutor anticorrosão não é complicado e que o processo de eltrodeposição pode ser modificado para aumentar ou diminuir a condutividade. “O poder condutor desses materiais é determinado graças à dopagem, ou seja, a intercalação ou desinserção de ânions em sua malha polimérica”, afirma a pesquisadora. Outra forma de controlar a condutividade dos materiais é o seu grau de oxidação. “Quanto mais oxidado for o material maior será a sua condutividade”, completa.

Herrasti acrescenta que outras ótimas propriedades dos polímeros são a sua alteração de volume, graças à entrada e à saída de ânions da rede, e as suas propriedades eletrocrômicas, relacionadas à mudança de cor, Esta última característica pode ser explorada, por exemplo, na montagem de janelas inteligentes.

Anelise Sanchez

 
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