A reestruturação da petroquímica brasileira para formar um duopólio com a presença da Petrobras foi elogiada pelo vice-presidente da Abiquim Pedro Wongtschowski, mas pode dar a falsa impressão de que todo o trabalho já foi feito. “As resinas representam menos de 15% da indústria química nacional, falta cuidar dos 85% restantes”, salientou. A importação de US$ 23,8 bilhões de produtos químicos totais representa uma enorme oportunidade para investimentos. Ele admite que, em muitos casos, como de alguns fertilizantes e fármacos, essa substituição será impossível, mas ainda há muitas outras possibilidades que não se concretizam por entraves diversos.

“A imunidade de impostos nas exportações é um direito previsto na Constituição Federal, mas que está nos sendo negado pelos estados, interessados em uma forma de ressarcimento que precisa ser negociada com o governo federal, um assunto que não nos diz respeito”, lamentou. O setor químico acumula créditos de R$ 1,2 bilhão em ICMS.

 Cosméticos ampliam vendas

Desafios globais – A indústria química mundial não está em crise. “Os investimentos estão sendo feitos em muitos lugares no mundo, garantindo o suprimento global pelos próximos anos”, afirmou Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente-executivo da Abiquim. Porém, os investimentos setoriais programados no Brasil até 2012, no total de US$ 20 bilhões, situam-se aquém da evolução econômica nacional.

O bom resultado de 2007, porém, não consegue esconder um lamento dos produtores.

“Poderíamos crescer muito mais, não fosse tão alta a carga tributária sobre nossos produtos, estimada em 62%, em média”, criticou Basílio. Ele qualifica a tributação como absurda, pois incide sobre produtos essenciais para a saúde da população, como é o caso dos sabonetes, desodorantes e cremes dentais.

O deslocamento para a ásia de várias famílias de produtos químicos tem provocado reações adversas. Na Europa, a instituição de programas como o Reach (de avaliação de risco e rotulagem) gera novas formas de barreiras não-tarifárias que podem representar um obstáculo importante para as exportações para essa região. A Abiquim tem acompanhado a evolução desses mecanismos e mantém seus associados informados.

Linhas populares estimulam a investir

O setor de produtos cosméticos e de higiene pessoal apresentou o segundo melhor desempenho entre os produtos químicos para uso final, mantendo uma tendência de crescimento iniciada em 1992, com o Plano Real. Para 2008, as expectativas são ainda melhores, alicerçadas no aumento de consumo explosivo das classes sociais mais baixas, decorrente da evolução do PIB.“O setor deverá ajustar o foco nos produtos voltados para o público C e D, fatia de mercado que deverá crescer mais nos próximos anos”, afirmou João Carlos Basílio da Silva, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Em 2007, o faturamento líquido setorial cresceu 30,5% em dólares, somando US$ 9,1 bilhões.Em moeda local, o aumento foi de 13,8%, com faturamento de R$ 17,2 bilhões. Nesse quesito, apenas o setor de fertilizantes teve resultado melhor: 59,5% de elevação em dólares e 41,2% em reais, somando, US$ 8,87 bilhões ou R$ 17,04 bilhões. Crescimentos de dois dígitos por ano já se tornaram rotina nos produtos de higiene pessoal e beleza. Tanto assim que o setor programou investimentos de US$ 500 milhões em novas capacidades produtivas no Brasil até 2012. A maior transferência de renda para a fatia mais pobre da população, iniciada em 1992, ampliou o mercado consumidor desses produtos e alavancou o crescimento da indústria, hoje uma das mais importantes e promissoras do mundo. “As classes A e B também apresentam crescimento interessante, mas ficam longe

do desempenho dos produtos populares em termos de volume”, avaliou Basílio.Isso não significa prejuízo à qualidade dos produtos feitos no Brasil. Ocorre o inverso disso, fato evidenciado pelo aumento das exportações setoriais que somaram US$ 486,2 milhões em 2007, 15,2% acima do registrado em 2006.Basílio da Silva: carga tributária média é de 62% A fabricação nacional conta com a grande variedade de insumos de origem natural, itens de forte apelo comercial em todo o mundo.O bom resultado de 2007, porém, não consegue esconder um lamento dos produtores.“Poderíamos crescer muito mais, não fosse tão alta a carga tributária sobre nossos produtos, estimada em 62%, em média”, criticou Basílio. Ele qualifica a tributação como absurda, pois incide sobre produtos essenciais para a saúde da população, como é o caso dos sabonetes, desodorantes e cremes dentais.