Perspectivas

Petroquímica

Papel e Celulose

Partida de novas máquinas garante crescimento maior da produção nacional em 2008, adotando as melhores tecnologias disponíveis

Rose de Moraes

A imbatível produtividade brasileira de celulose de eucalipto elevou o Brasil em 2007 à posição de sexta maior potência em celulose e papel do mundo. A cada ano, as perspectivas são mais animadoras. Crescem a produção, as exportações e também o superávit da balança comercial, apesar de os produtores terem mantido inalterada desde 2006 a área correspondente às florestas plantadas, principalmente de eucalipto, que totaliza 1,7 milhão de hectares.

Embora não tenham sido totalizados os números de 2007, o setor comemorou os resultados da balança comercial como um dos melhores saldos dos últimos tempos. O superávit foi estimado em US$ 3,3 bilhões. Ou seja, 14,6% acima dos resultados alcançados em 2006.

De acordo com os indicadores preliminares, a presidente-executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes, acredita que, em 2008, a produção brasileira de celulose e papel poderá superar a da Suécia, atualmente a quinta colocada no ranking dos maiores produtores mundiais. A escalada de crescimento da produção brasileira nesse setor se reflete diretamente sobre as exportações. Em 2007, as indústrias devem ter produzido 11,8 milhões de toneladas de celulose de todos os tipos. Confirmado o número, terão crescido 5,5% em relação a 2006. Desse total, 6,6 milhões de toneladas, ou seja, mais da metade, seguiram mar afora, principalmente para atender à demanda de consumidores vorazes, como os Estados Unidos, Holanda, China, Bélgica e Itália, os cinco países que, exatamente nessa ordem, mais compram, apreciam e importam a celulose made in Brazil, absorvendo 75% das exportações de celulose.

Dois meses antes do encerramento de 2007, os resultados já se revelavam bastante positivos. De janeiro a outubro do ano passado, o saldo parcial das exportações brasileiras de celulose no período havia somado US$ 2,5 bilhões, dos quais 54% foram captados nas exportações consumadas para a Europa, 21% para a América do Norte, 13% para a China, 10% para a Ásia e Oceania e 2% para a América Latina.

Nos últimos sete anos, observadores da Bracelpa destacaram que as exportações da celulose brasileira têm avançado, sobretudo, na China. De janeiro a outubro de 2000, o Brasil auferia o montante de US$ 1,6 bilhão com as vendas para a China, valor correspondente a 3% da receita total obtida com as vendas externas. Sete anos depois, ou seja, de janeiro a outubro de 2007, a China importou o correspondente a 13% da receita das exportações brasileiras de celulose, enquanto a Europa, de 48% em 2000, passou a importar o correspondente em valor a 54% em 2007. As projeções para 2008 indicam um cenário de crescimento de 8,5% na produção de celulose no país, e acenam para a possibilidade de os produtores fecharem o ano com uma produção de 12,8 milhões de toneladas.

Papéis também crescem – O desempenho no setor brasileiro de papel em 2007 também foi positivo, e indicou crescimento de 2,8% em relação ao ano anterior. As indústrias produziram 8,97 milhões de toneladas de papel de todos os tipos, incluindo principalmente papéis para embalagens, para imprimir e escrever, sanitários, cartão, imprensa, entre outros.

A Bracelpa estimou – o balanço definitivo só será concluído em março – a receita com as exportações de papel no valor de US$ 1,65 bilhão, superando o montante de US$ l,5 bilhão alcançado em 2006. No comparativo de desempenho das exportações brasileiras de papel, entre janeiro e outubro de 2000 e o mesmo período de 2007, também foram registrados avanços, mas em proporções bem menores em relação às exportações de celulose. Do montante de US$ 1 bilhão captado com as exportações de papel no período de janeiro a outubro de 2000, 66% corresponderam às exportações destinadas à América Latina, 12% seguiram para a Europa, 11% foram para a América do Norte, 8% para a Ásia e Oceania e 3% para a África.

Em 2007, segundo comparativo realizado no mesmo período, de uma receita parcial de US$ 1,4 bilhão com exportações de papel, 56% corresponderam financeiramente à fatia captada na América Latina, 18% foram destinadas à Europa, 13% para a América do Norte, 7% para a Ásia e Oceania, e 6% para a África.

No ano que passou, os papéis produzidos no país tiveram como principais destinatários a Argentina, os Estados Unidos, a Itália, o Chile, o Reino Unido, a Bélgica, a Venezuela, o Uruguai, o Peru e a França. Exatamente nessa ordem, foram esses os países que mais importaram papéis do Brasil, sendo que a somatória das importações feitas por esses dez países representou 65% das exportações brasileiras. Os produtores, contudo, esperam em 2008 contar com um panorama ainda mais frutífero nas exportações. As fábricas de papel estão programadas para produzir 9,2 milhões de toneladas, volume 3,1% superior ao alcançado em 2007, ano bastante promissor, e que deverá render saldo das exportações totais, abrangendo celulose e papel, de US$ 4,7 bilhões (FOB), superando em 16,1% o total de US$ 4 bilhões que entraram no caixa de 2006.

Resultados auspiciosos como os de 2007 estão sendo atribuídos ao aquecimento do mercado internacional mantido a graus elevados durante o ano todo. De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo da Bracelpa, Horácio Lafer Piva, as perspectivas para 2008 são ainda mais positivas em relação a 2007. A entrada em operação de novas máquinas e a maturação de vários projetos de expansão deverão implementar ainda mais a produção e as exportações, segundo considerou. “As ações do setor no mercado de capitais também tiveram desempenho positivo e os resultados passarão a ser ainda melhores à medida que houver expansão da capacidade instalada e redução de custos, com vistas a se alcançar ajustes no câmbio”, considerou o presidente.

Em 2007, as 220 indústrias que dão base ao setor movimentaram R$ 24 bilhões em negócios e investiram US$ 1,9 bilhão em projetos de expansão de capacidade. A Aracruz, no Espírito Santo, implementou a produção de celulose de mercado. A Suzano, na Bahia, fez o mesmo e a Klabin, no Paraná, expandiu a produção de papel-cartão. Entre 2008 e 2009, o setor planeja concretizar novos projetos. Entre eles, destacam-se o da Norske Skog, no Paraná, tendo por foco a produção de papel imprensa, e o da VCP, no Mato Grosso do Sul, voltado para o incremento da produção de celulose de mercado. Estão também previstos investimentos da International Paper, no Mato Grosso do Sul, direcionados aos papéis para imprimir e escrever. Se assim realmente ocorrer, todos esses projetos deverão demandar investimentos no valor total estimado de US$ 1,97 bilhão.

Para o período de 2010 a 2012, os horizontes vislumbrados pelo setor deverão contar com céu ainda mais azul. Investimentos no valor total de 5,8 bilhões deverão estar todos focados na produção de celulose de mercado e já foram anunciados pelos produtores. Entre os principais projetos até o momento, destacam-se o da Veracel, na Bahia, o da VCP, no Rio Grande do Sul, o da Cenibra, em Minas Gerais, o da Aracruz, no Rio Grande do Sul, incluindo o da Stora Enso, também em terras gaúchas. Até 2010, estimativas dão conta de que, de um total de 18 milhões de toneladas de celulose de eucalipto produzidas no mundo todo, mais de 10 milhões deverão ter como origem as florestas plantadas brasileiras. De acordo com esses números, as projeções já estariam indicando que o programa setorial de investimentos, inicialmente previsto no valor total de US$ 14,4 bilhões pela Bracelpa, com base nas metas traçadas pelos próprios produtores para o período compreendido entre 2003 e 2012, já estaria programado para ser expandido em montantes que, no momento, ninguém ousou arriscar.

Segundo o presidente da Bracelpa, tem-se por certo que os investimentos realizados pelo setor nos últimos anos permitiram o desenvolvimento tecnológico mais avançado de processos e produtos de maior valor agregado, melhorias ambientais e a implementação de programas para obter maior racionalização industrial nas empresas brasileiras, possibilitando o alcance de padrões internacionais de qualidade.

Incursões para aumentar negócios – Para incrementar intercâmbios comerciais e negociações, em 2007, a Bracelpa participou de vários encontros internacionais na China, no Japão e nos Estados Unidos. Na China, em Xangai, a entidade integrou o encontro anual do International Council of Forest and Paper Associations, conselho que reúne associações representativas dos setores florestal e de papel e celulose de 43 países. Naquela oportunidade, foram discutidas ações e iniciativas relativas a vários temas importantes para o setor, como reputação e imagem das indústrias de base florestal, certificação florestal e a elaboração de documento focalizando ações de combate à exploração ilegal da madeira no mundo todo. Na mesma ocasião, realizou-se a 48ª. sessão do Advisory Committee on Paper and Wood Associations, da FAO/ONU, que abordou temas estratégicos para o futuro do setor de celulose e papel em âmbito global. No rol dos temas, foram discutidos matrizes energéticas, mudanças climáticas, responsabilidades socioambientais e desenvolvimento florestal sustentável.

Em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a Bracelpa também integrou a reunião do International Council of Forest and Paper Associations, participando da elaboração de um documento que identificou áreas-chave para o aperfeiçoamento do desempenho sustentável da indústria florestal no mundo. Entre elas, destacaram-se a melhoria contínua de práticas de manejo sustentável das plantações florestais, incluindo a conservação da biodiversidade, o aumento do número de empresas que divulgam publicamente seu desempenho social e ambiental, bem como a intensificação da eficiência energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa. No Japão, a Bracelpa participou do Congresso Anual da Japan Technical Association of the Pulp and Paper (Tappi/Japão). Entre as muitas considerações feitas por representantes da entidade, destacaram-se o aumento da demanda por celulose de eucalipto no mercado global e o crescimento da capacidade produtiva brasileira, incluindo as contribuições que o país tem dado ao mundo por participar com uma fatia de cerca de 60% do mercado internacional.

Em 2008, conforme já anunciado, a Bracelpa deverá assumir a presidência do International Council of Forest and Paper Associations, organização que é considerada líder de todas as discussões internacionais travadas no setor. A preocupação com o aquecimento global também tem mobilizado esforços da entidade, que tem propagado perspectivas para que o setor avance em direção à neutralização do carbono por meio do incremento do plantio de árvores, principalmente eucaliptos. De todos os cultivos realizados no mundo, as florestas plantadas de eucalipto, segundo estudos divulgados pela Bracelpa, seriam as que absorvem as quantidades mais elevadas de gás carbônico e também por esse apelo ambiental constituíram temática central e obrigatória nas discussões internacionais voltadas a salvar a natureza. “A neutralização do carbono mediante o plantio de árvores se mostra ecologicamente acertada e todos os argumentos reforçam a contribuição das florestas plantadas para amenizar o desequilíbrio ambiental”, considerou Horácio Lafer Piva.

Mesmo mantendo inalterada a área de 1,7 milhão de hectares de florestas plantadas para fins industriais em 2007, o setor conseguiu elevar para 2,8 milhões de hectares a área de florestas preservadas, expandindo em 200 mil hectares a área total de preservação. Ações desse tipo só dão ênfase à importância e contribuição do setor florestal brasileiro como uma das principais alavancas para reduzir o efeito estufa sobre a Terra e tentar deixar um legado mais saudável ao planeta e às futuras gerações.