Perspectivas

Meio ambiente

Retomada no saneamento, crescimento na indústria e mudanças no gerenciamento de áreas contaminadas dão as bases para ano promissor

Marcelo Furtado

Indústria de base

Oano de 2008 promete ser bom para os fornecedores de serviços ambientais para a indústria. E isso tanto para o mercado mais tradicional da área, o de tratamento de água e efluentes, como para o formado pelas empresas especializadas em serviços sofisticados e recentes, como a remediação de solos e a investigação ambiental. O crescimento da economia e o reavivado desempenho da indústria são os primeiros motivos, mas há vários outros específicos para cada segmento.

No mercado da água, há confiança redobrada, por causa das perspectivas igualmente animadoras nos dois grandes motores desses fornecedores: o tratamento de água e efluentes industriais e o saneamento básico. Da mesma forma, ambas as vertentes de negócios contam com fundamentos para subsidiar as boas previsões, isto é, já registram desempenho acima da média dos últimos anos, provocando nas empresas um aumento significativo das vendas, contratação de pessoal e, o melhor, a retomada de um clima de esperança que havia quase se perdido no setor depois de um longo período sem investimentos significativos. Para os dirigentes do setor, a retomada vem desde meados de 2006 e se estenderá tranqüilamente por 2008, com chances de continuar nos próximos anos, sobretudo quando se pensa em saneamento básico. Um termômetro da euforia é o desempenho dos fornecedores de sistemas e equipamentos para saneamento ambiental.

De acordo com o presidente do sindicato nacional de equipamentos para saneamento básico e ambiental (Sindesam), Gilson Cassini, os fabricantes não apenas estão satisfeitos com 2007, período em que todos tiveram suas expectativas atendidas ou superadas, como esperam um 2008 com crescimento superior ao previsto para o PIB nacional. “Enquanto há previsão de crescimento do país de 4,5% a 5%, o setor com certeza deve crescer entre 7% e 10%”, se anima Cassini.

Para reforçar essa previsão, o presidente do Sindesam se baseia já nos primeiros dias de 2008, com mostras de continuidade de um grande movimento de compras de máquinas na indústria e com a contratação de companhias estaduais de saneamento. Conta como exemplo a Aquamec, empresa de engenharia de sistemas e equipamentos dirigida por ele, que em 2007 cresceu em faturamento 63% e em vendas de obras contratadas, 8%. E isso sem falar que, se for concretizada a contratação de outras obras com a Sabesp, a serem definidas nos próximos dias, o percentual de aumento nas vendas se eleva para mais de 50%. “São obras de ampliação no abastecimento de água e de tratamento de esgoto no litoral paulista”, diz.

Outro indicador da recuperação do setor foi a recontratação de mão-de-obra, fato muito relevante tendo em vista que na última década o setor foi altamente desmobilizado. Segundo Cassini, isso criou entre junho e agosto de 2007 uma verdadeira guerra no mercado, com as empresas de engenharia e de equipamentos brigando entre si para tomar técnicos experientes umas das outras. Essa fase, explica o dirigente, só foi superada entre setembro e outubro, quando surgiu também a consciência das empresas de que o movimento poderia inflar demais os salários dos funcionários e aumentar em demasia o custo operacional, ainda em processo de recuperação.

A partir daí, muitas empresas passaram a apostar na formação de pessoal, contratando engenheiros e outros profissionais recém-formados ou com até cinco anos de experiência, pagando salários menores do que os dos mais experientes e ainda garantindo mão-de-obra de longo prazo. Isso não só se confirma pela experiência da Aquamec, que aumentou em 50% o quadro de funcionários em relação a 2006 (hoje são 170 funcionários, alguns terceirizados), a maioria deles nesse perfil de iniciação profissional, como é facilmente comprovado nos classificados de empregos dos principais jornais.