Há 25 anos promovendo estudos de adequação de materiais como metais, plásticos, vidro e celulose para contato direto com alimentos, o Centro de Tecnologia de Embalagens (Cetea) reuniu centenas de convidados em São Paulo, no final de 2007, para comemorar as atividades realizadas ao longo desse período, e anunciar planos futuros.
Forte aliado das indústrias no desenvolvimento de embalagens adequadas e na avaliação daquelas introduzidas no mercado brasileiro, o órgão, pertencente ao Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), conquistou a confiança e o reconhecimento de vários setores industriais por manter total confidencialidade nos estudos realizados para mais de cinco mil empresas, envolvendo-se atualmente com as necessidades e a busca de soluções de embalagem para um universo composto por cerca de mil indústrias.
Mesmo antes de sua criação, originada com a expansão da antiga seção de embalagem e acondicionamento do Ital, o Cetea foi pioneiro no desenvolvimento de estudos em vários campos da embalagem. Em 1979, já desenvolvia estudos com embalagens plásticas esterelizáveis do tipo retortable pouch. Em 1982, ano de sua criação, ampliou o escopo de suas análises e avaliações voltadas às embalagens plásticas, rígidas e flexíveis, e com diferentes propriedades de barreira a gases.
Nos anos 80, com a introdução no mercado brasileiro das embalagens plásticas para óleos vegetais, o Cetea participou de estudos para torná-las mais herméticas e resistentes ao empilhamento. Na década seguinte, com o aumento da oferta de PET para acondicionar óleos comestíveis, desenvolveu estudos voltados a reduzir o peso das embalagens, aumentar suas barreiras ao oxigênio e à luz, bem como elevar sua resistência mecânica.
Com base nos resultados das pesquisas empreendidas pelo Cetea, várias mudanças foram promovidas no processamento do óleo de soja, como a introdução de sistemas de desoxigenação e inertização das embalagens pós-envase. Desde 1982, o órgão especializou-se no desenvolvimento de metodologias para análise das migrações de monômeros e de metais em embalagens, avaliando a adequação do uso de vernizes, revestimentos, pigmentos, corantes, parafinas e adesivos, entre outros materiais.
A partir da década de 90, intensificou pesquisas sobre embalagens direcionadas às propriedades de barreira ao oxigênio, aos vapores de água e à luz, incluindo estudos de avaliação de desempenho mecânico de embalagens metálicas, plásticas e de vidro, em sintonia com as tendências sinalizadas desde aquela época de reduzir a espessura dos materiais e o peso das embalagens, para reduzir os passivos ambientais.
Desde a introdução de embalagens de PET para bebidas carbonatadas no mercado brasileiro, o Cetea acompanha os novos grades produzidos pelos fabricantes, e avalia os efeitos das reduções de peso e da distribuição de espessuras na retenção do gás carbônico e no melhor desempenho mecânico dessas embalagens. Nesse segmento, também realizou estudo para avaliar a segurança alimentar de embalagens fabricadas com PET reciclado pós-consumo.
A tecnologia de soldagem elétrica de metais foi uma das áreas que mereceu estudos mais aprofundados do Cetea, que orientou produtores na fabricação de latas soldadas eletricamente para acondicionar alimentos, o que contribuiu para substituir o processo de “costura” lateral, realizado por solda com chumbo (98%) e estanho (2%).
Em parceria com a Associação Técnica das Indústrias de Vidro (Abividro) e as principais cervejarias do país, realizou ainda nos anos 90 um estudo voltado a propiciar nova embalagem de uso exclusivo para cervejas e com características mais adequadas quanto à qualidade. Três anos depois, introduziu o diagnóstico de fratura de embalagens em vidro, técnica que identifica a causa da ruptura, para minimizar perdas no processo produtivo.
A preocupação com a qualidade das embalagens se estende atualmente às celulósicas e àquelas destinadas ao transporte e distribuição de produtos. Outros alvos recentes dos estudos também estão direcionados à avaliação dos sistemas de fechamento de embalagens metálicas e de vidro e às embalagens para produtos farmacêuticos. As demandas crescentes observadas em vários setores mobilizou a direção do órgão a traçar um plano denominado Cetea 2015, a fim de promover ações para o melhor aparelhamento do centro, bem como para elevar a capacitação técnica de seus funcionários.
Com duração prevista entre 2008 e 2015, o plano Cetea 2015 prevê atendimento a vários mercados, principalmente aqueles considerados emergentes, como os de embalagem para acondicionamento e transporte de produtos perigosos, embalagens para produtos farmacêuticos e cosméticos, incluindo avaliações de utensílios domésticos e programas de conformidade da qualidade das embalagens.
Uma das metas de maior alcance do Cetea é introduzir o progresso técnico na cadeia produtiva do setor de embalagem. Isso implica introduzir novas tecnologias de ensaios e processos analíticos, novos estudos de embalagens produzidas com nanotecnologias, além de apoio ao desenvolvimento de embalagens integrado aos aspectos ambientais e estudo de novos materiais e processos.
Atualmente, o centro conta com área de 2.300 m² destinada aos laboratórios, dez laboratórios para ensaios aclimatados a 23ºC, sala especial para ensaio de materiais celulósicos, um laboratório para análise sensorial, sete câmaras de estocagem, cerca de 300 equipamentos para ensaios, entre outros recursos.
Hilton Libos