Fato auspicioso para a atividade foi a recente redução da alíquota de ICMS no Estado de São Paulo, caindo de 18% para 12%, sendo aplicada sobre a agregação de valor em cada um dos elos da cadeia. “Isso representou a equiparação com outros Estados produtores, um antigo pleito do setor”, avaliou. O benefício fica mais evidente na ponta da cadeia, junto aos transformadores de plásticos.

A reorganização societária setorial foi muito bem recebida no pólo paulista, a começar por Machado. “A estrutura de capital decorrente da privatização estava muito voltada para garantir o suprimento de insumos para a segunda geração”, comentou. Embora saliente que as reuniões de acionistas sempre tenham favorecido os interesses da companhia, ele confia que a nova estrutura facilitará a tomada de decisões, além de oferecer ganhos de sinergia importantes com o alinhamento das produções de resinas de São Paulo e Rio.

Mesmo o aparecimento de novos projetos, como o Comperj, a esperada refinaria petroquímica de Itaboraí-RJ, e as anunciadas fábricas de resinas alimentadas por etanol, não deverão inibir projetos futuros de expansão da PqU. “Os estudos de evolução de demanda para os próximos dez anos indicam um déficit na oferta nacional de resinas plásticas mesmo com a operação desses projetos”, afirmou Machado. O problema será garantir matérias-primas, energia e logística para o pólo.

Machado comentou que 2007 foi um ano muito bom para a PqU, apesar da alta expressiva do preço da nafta petroquímica. “Como o mercado interno esteve muito aquecido durante o ano, conseguimos repassar boa parte dos custos e algumas unidades tiveram excelente desempenho operacional”, comentou. Também contribuíram para o resultado as iniciativas de otimização comercial, projetos desenvolvidos pela central para aproveitar oportunidades de mercado para co-produtos. “Temos várias possibilidades de otimização, mas, no momento, nosso foco está voltado para concluir a ampliação”, ressaltou.

Cronograma mantido – O dia 22 de agosto de 2008 será marcante para a Petroquímica União. A central paulista será desligada por 45 dias para uma parada longa de manutenção e integração operacional. Em outubro, os fornos entram novamente em operação, com capacidade aumentada das atuais 500 mil t/ano para 740 mil t/ano de eteno. “Diferentemente do que foi feito nas outras centrais brasileiras, que montaram linhas independentes, a PqU terá uma ampliação integrada”, comentou o experiente engenheiro Roger Leite Kirst, contratado para a diretoria da PqU em outubro. Ele atuou na montagem e na partida da primeira linha de eteno da antiga Copene e das duas linhas da Copesul.

A ampliação da PqU contará com suprimento de gás de refinaria trazido da Revap, de São José dos Campos-SP. Trata-se de uma corrente composta por etano e eteno que exigirá a construção de unidade própria para o processamento de gases residuais na refinaria e de gasoduto especial, na faixa de domínio territorial dos dutos da Petrobrás. “O gasoduto está sendo construído, precisa vencer alguns obstáculos naturais e interferências com rodovias, mas estará pronto até outubro”, afirmou Kirst.

Ao chegar à PqU, essa corrente passará por uma unidade de separação, retirando-se o eteno, que será adicionado à produção da companhia, e enviando o etano para fornos de craqueamento. O projeto de ampliação prevê a instalação de dois fornos novos para nafta, capazes de processar a mesma carga líquida atual (próxima a 1,5 milhão de t/ano). Dos quatro fornos existentes, dois serão convertidos para processar etano.

Kirst salienta que os fornos petroquímicos são projetados para oferecer o maior rendimento possível de eteno e com o menor tempo de residência na serpentina. “O diâmetro dos tubos é muito importante para isso”, explicou. Tubos menores tendem a proporcionar maiores rendimentos em eteno, por volta de 31% a 32%, com nafta leve. Quando se processa nafta mais pesada, a tendência é a formação de coque que reduz o tempo de campanha, exigindo paradas para limpeza mais freqüentes.

Enquanto a estrutura do forno dura décadas, as serpentinas, o coração do equipamento, precisam ser trocadas a cada cinco ou seis anos. Essas ocasiões são aproveitadas para introduzir melhorias tecnológicas nos processos. A ampliação da PqU contará com a mais recente tecnologia da Lummus, o mesmo fornecedor desde a inauguração da central em 1972, nos fornos de olefinas.

“A ampliação, do projeto à execução, foi conduzida pela equipe de engenheiros da própria PqU, que se somou ao conhecimento do licenciador da tecnologia e das empresas de montagem contratadas”, salientou Kirst. Oriundo da Copesul, empresa reconhecida pela performance operacional, ele elogiou o trabalho desenvolvido há anos pela central paulista, sempre com boa colocação nos estudos de benchmarking desenvolvidos a cada dois anos por empresa independente de consultoria. O fato de a equipe da central ter participado intensamente do projeto de ampliação é apontado como facilitador para a futura partida marcada para outubro de 2008.

Embora o xodó do projeto seja a área das olefinas, a linha de aromáticos também está sendo modificada e atualizada. “Os aromáticos representam um crédito adicional para as centrais, geralmente dimensionadas economicamente pelas olefinas”, comentou Kirst. A PqU tem obitdo retorno financeiro interessante até mesmo pela venda de gasolina ao mercado automotivo, além dos xilenos (solventes industriais) e do benzeno, enviado para a Companhia Brasileira de Estireno (CBE) e usado como ingrediente pela Unipar Química para a elaboração do cumeno (propil-benzeno), transferido por meio de contrato firme com a Rhodia para a produção de fenol (para poliamidas) e acetona. Essa unidade terá aumentada em 50 mil t/ano a sua capacidade atual de 210 mil t/ano para suprir o consumo crescente da Rhodia em Paulínia-SP.

 

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